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    Casos de Covid-19 disparam em Blumenau e médico sugere restrições: "não tem outra alternativa"

    Para infectologista, medidas têm de ser adotadas para coibir festas e aglomerações em bares e baladas; cidade está há 25 dias seguidos com aumento de testes positivos

    18/02/2021 - 08h26

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    Augusto
    Por Augusto Ittner
    Festas, baladas e comportamento dos jovens devem ser alvo de restrições, aponta infectologista.
    Festas, baladas e comportamento dos jovens devem ser alvo de restrições, aponta infectologista.
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    Enquanto festas de Carnaval tomaram conta das noites no Vale do Itajaí durante a última semana, outras aglomerações também ocorreram em Blumenau: nos locais que fazem testes para a Covid-19. Nos últimos 10 dias, a média de diagnósticos positivos diários na cidade é superior a 200. Ou seja, nesse período, mais de 2 mil moradores descobriram estar infectados com o novo coronavírus.

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    Essa nova alta de casos já supera a que ocorreu em janeiro e se aproxima gradativamente dos números do primeiro pico da pandemia registrado em Blumenau entre o fim de julho e início de agosto. Dessa vez, porém, o cenário de preocupação é potencializado pelos corriqueiros desrespeitos às normas de distanciamento exigidas pelas autoridades, principalmente em casas de festas.

    Para o infectologista Amaury Mielle, não há outra saída imediata que não seja adotar medidas restritivas, principalmente envolvendo estabelecimentos não essenciais e que promovem aglomerações — bares, baladas, casas de festas, tabacarias. Falta de monitoramento de variantes, escolas abertas em plena ascensão da curva e o colapso na saúde no Oeste são os pontos que, para o médico, potencializam a Covid-19.

    — Não há nenhuma medida proativa. A nossa moeda de troca continua sendo a morte dos mais vulneráveis. Tem que implantar restrições, não há outra alternativa. O interior de São Paulo já está fazendo isso, Araraquara é um exemplo. Estão se antecipando, não esperando colapsar — analisa o infectologista Amaury Mielle.

    O gráfico de média móvel que você vê acima expõe claramente o atual cenário em Blumenau. A cidade vive uma nova aceleração, constante, que respinga também em casos ativos — são 1.570, maior número desde 18 de dezembro do ano passado. O total de testes positivos divulgados nesta quarta-feira (17), de 276, foi o mais alto desde 11 de dezembro. Os números evidenciam esse contexto de preocupação.

    — Quando a taxa de crescimento de novos casos começa a subir dessa forma, é imperativo que as secretarias de saúde vejam a situação epidemiológica e hospitalar e, caso seja comprovado o aumento, o freio de mão deve ser puxado no mesmo instante — complementa Mielle.

    > Leia também: O que explica o lento recuo do coronavírus em Blumenau

    Dados divulgados nesta quarta-feira (17) pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) mostram que 82,6% dos leitos de UTI no Médio e Alto Vale do Itajaí estão ocupados. Na região de Itajaí, esse percentual é de 79,9%. A situação mais complicada ocorre no Grande Oeste (98,6%) e na região do Meio-Oeste e Serra (90,2%). Já há, inclusive, pacientes sendo transferidos para áreas em condição mais “tranquila” para aliviar o sistema de saúde no entorno de Chapecó.

    Em uma entrevista concedida ao Santa no fim do último mês, o próprio infectologista Amaury Mielle já havia sugerido esse novo “repique” nos casos em fevereiro, confirmada pelos números divulgados pela Saúde. Sem vacinas suficientes para imunizar grande parte da população — Blumenau está sem doses desde esta quarta-feira — e sem poder contar com o bom senso, como reverter esse cenário?

    — Só com restrição. Ou vamos continuar achando que o comportamento individual resolve?

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