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Em colapso, Oeste de Santa Catarina tinha sinais de saturação desde o final de 2020

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Por Ânderson Silva
16/02/2021 - 06h43
Situação é de colapso nos hospitais do Oeste de Santa Catarina
Situação é de colapso nos hospitais do Oeste de Santa Catarina (Foto: Mauricio Vieira/Secom)

O colapso dos leitos de UTI no Oeste de Santa Catarina, desenha-se desde o final de 2020. Números da secretaria de Estado da Saúde mostram que nos últimos meses do ano a ocupação das unidades de terapia intensiva subiu gradativamente. Em 29 de dezembro, por exemplo, haviam 66 pessoas internadas com Covid-19. Nesta semana o número é de 75. A prefeitura de Chapecó, maior cidade da região, admite agora que o cenário é de colapso.

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Medidas de restrição foram tomadas para conter o avanço do coronavírus, diferentemente do começo de janeiro, quando as regras apontaram para ampliação nos horários de diferentes setores. A mudança de entendimento veio na sexta-feira à tarde, quando o município disse ter percebido um agravamento do quadro. Nesta segunda-feira, diante do colapso, a prefeitura iniciou uma campanha contra aglomerações.

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As contaminações tiveram uma aceleração nos últimos dias após um arrefecimento, principalmente desde 27 de janeiro, mas é importante que se coloque na discussão o final de 2020 para o entendimento de que os sinais eram preocupantes. No dia 12 de dezembro, quando SC teve a maior ocupação geral de leitos de UTI, os espaços para adultos na saúde pública do Oeste catarinense eram de 99,11%, o maior número em comparação com os demais pontos do Estado. Mesmo assim, não havia informação de alta quantidade de transferência de pacientes para outras regiões.

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Neste começo de 2021, principalmente neste mês de fevereiro, o Estado montou o que o secretário de Saúde, André Motta Ribeiro, chama de “operação de guerra” para atender o Oeste.

Em entrevista a este colunista, na última semana, Motta Ribeiro analisou o cenário do Oeste e destacou a responsabilidade dos municípios no enfrentamento à crise:

- Se a gente olhar para o Extremo Oeste, por que a região desde novembro continua com quase 100% de ocupação das UTIs? Alguma coisa lá está acontecendo muito errada. Por isso que é importante esse compartilhamento de gestão, porque é o município que sabe o que está acontecendo lá. Não sou eu, não posso, por exemplo, baixar uma regra geral para o Estado fechando os clubes aos finais de semana porque Chapecó está com 100%. Aí no Sul do Estado está com 30%. Algumas atitudes mais restritivas têm que ser tomadas, eles não podem fugir disso. Tem que fiscalizar o que foi regrado, é uma fala minha de muitos meses.

Para o secretário, houve um “descontrole” no Oeste. Segundo ele, “as pessoas estão descumprindo regras”. Por conta disso, a partir do mês de janeiro a curva voltou a subir consideravelmente até o colapso instalado, principalmente em Chapecó, onde os hospitais públicos e privados estão saturados.

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A coluna ouviu dois especialistas da região Oeste sobre o atual cenário de colapso. Para Caroline Ponzi, médica infectologista que atua na linha de frente no hospital da Unimed em Chapecó, um dos motivos para o atual cenário na principal cidade da região está na liberação das atividades, dando a entender à população que a situação pandêmica estava sob controle.

- Isso, aliado à fadiga do cuidado (todos cansados de se cuidar), às festas de final de ano, férias no litoral na primeira metade de janeiro, comemoração do título da Chapecoense e falta de responsabilidade da população como um todo foram definidores para que chegássemos ao colapso.

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Para os próximos dias, a infectologista enxerga que ainda haverá algumas semanas de muitos casos, hospitais lotados e pessoas buscando atendimento. Para ele, “deve-se restringir o máximo possível a circulação de pessoas, aplicar multas pesadas para estabelecimentos comerciais que não cumprirem à risca o distanciamento social e as medidas de prevenção, e multas às pessoas que ainda insistem em andar sem máscara na rua, ou que ainda insistem em se aglomerar”.

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A contenção da contaminação também é o ponto destacado por Paulo Barbato, especialista em Saúde Pública da Universidade da Fronteira Sul (UFFS). Para ele, o agravamento ocorre por conta da alta circulação de pessoas nas últimas semanas. Barbato compara o momento atual com o outro pico da pandemia registrado no Oeste, em meados de 2020. Naquela situação, segundo ele, a origem estava na circulação das agroindústrias. Agora o cenário é outro.

- Muitas pessoas sem máscaras. As pessoas foram relaxando, aquela normalização que vai se tornando rotineira.

A solução, aponta o especialista, está no aumento da testagem e no controle da proliferação do coronavírus.

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Colunista da NSC Comunicação, publica diariamente informações relevantes sobre as decisões que impactam o catarinense, sem esquecer dos bastidores dos poderes. A rotina de Florianópolis em texto e imagens também está no radar da coluna.

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