Brasília, antes de se tornar a metrópole do concreto e das curvas monumentais, foi forjada no pinho e na urgência. Em novembro de 1956, no topo de uma colina na Fazenda Gama, surgia o Catetinho. Batizado em uma homenagem nostálgica ao Palácio do Catete, no Rio, o edifício não foi apenas uma moradia temporária para Juscelino Kubitschek, mas o centro de comando da interiorização do Brasil. O projeto, assinado por Oscar Niemeyer, é um estudo de simplicidade e eficiência. Construído inteiramente em madeira em pouco mais de uma semana, o Catetinho desafiou a infraestrutura precária do Planalto Central da época.
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A audácia de Niemeyer em dez dias
Suspenso sobre pilotis para respeitar a vegetação e a nascente local, o prédio ganhou o apelido de “Palácio de Tábuas“, contrastando o luxo futuro da capital com a realidade austera dos canteiros de obras. Ali, entre o cheiro de pó de serra e o café coado, Juscelino Kubitschek despachava e planejava a nova capital com os diretores da Novacap.
Museu Vivo: A metassíntese preservada
Hoje, transformado em museu tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Catetinho oferece uma viagem imersiva aos anos 50. O acervo mantém a fidelidade absoluta: os quartos modestos, o mobiliário de época e a suíte presidencial espartana revelam um Juscelino Kubitschek “operário”, longe da suntuosidade dos palácios atuais. Visitar o local é compreender que a grandeza de Brasília não brotou do mármore, mas da resiliência de um projeto que aceitou a rusticidade para viabilizar o amanhã.
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*Com edição de Luiz Daudt Junior.






