Brasília é reconhecida mundialmente por suas curvas desafiadoras, mas poucos monumentos sintetizam tão bem a união entre poesia e física quanto a Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida. Inaugurado em 1970, o templo é o resultado de uma simbiose entre o traço arrojado de Oscar Niemeyer e o rigor matemático de Joaquim Cardozo.

Continua depois da publicidade

O objetivo da dupla era ambicioso: criar um espaço onde a estrutura parece flutuar, banhando o interior em uma luminosidade transcendental.

O esqueleto hiperbolóide e a fundação invisível

Diferente das igrejas tradicionais, a Catedral não possui paredes de sustentação. Sua estabilidade reside em uma estrutura de concreto armado com seção hiperbolóide, formada por 16 colunas curvas.

Cada peça pesa impressionantes 90 toneladas. O grande triunfo da engenharia de Joaquim Cardozo foi calcular a convergência desses pilares para um anel central sem que eles se toquem no topo, permitindo um vão livre monumental.

Continua depois da publicidade

Para evitar que o peso das colunas as fizesse “abrir”, Cardozo projetou um anel robusto enterrado no solo, que atua como uma fundação invisível amarrando toda a base do edifício.

Soluções térmicas e acústicas

A funcionalidade da Catedral vai além da estética. O espelho d’água externo não é apenas decorativo; ele serve como um sistema de resfriamento natural, essencial para o clima seco do Distrito Federal.

Outro detalhe técnico notável é a acústica: a curvatura das paredes de concreto funciona como um condutor de ondas sonoras, permitindo que sussurros sejam ouvidos com clareza a metros de distância.

O controle da temperatura interna foi consolidado em 1990, com os vitrais de Marianne Peretti, que filtram a radiação solar e criam um conforto térmico que os vidros originais não proporcionaram.

Continua depois da publicidade

Leia mais sobre Brasília

*Com edição de Luiz Daudt Junior.