nsc
dc

Segurança

Chapecó quer usar GPS rural para apurar violência contra mulher no campo

Ferramenta já auxilia os produtores a terem acesso a serviços de saúde e de segurança pública, e será utilizada, também, para o enfrentamento da violência

26/10/2021 - 13h27 - Atualizada em: 26/10/2021 - 17h59

Compartilhe

Por Ângela Bastos
31 mulheres foram vítimas de feminicídio no Estado até o dia 30 de setembro
31 mulheres foram vítimas de feminicídio no Estado até o dia 30 de setembro
(Foto: )

A reportagem multimídia “Sozinhas, história de mulheres que sofrem violência no campo”, publicada em 2017 pela NSC, inspirou uma discussão nesta segunda-feira (25) na Câmara de Vereadores de Chapecó, Oeste do Estado. 

Em reunião, foi proposto que o GPS Rural, uma ferramenta que auxilia os produtores a terem acesso a serviços de saúde e de segurança pública, também seja utilizada para o enfrentamento da violência doméstica. Pela ferramenta, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, SAMU e SAER são acionados via código de GPS de cada propriedade.

> Receba as principais notícias de Santa Catarina pelo WhatsApp

> Violência: histórias de quem sentia-se sozinha

Pela ferramenta, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, SAMU e SAER são acionados via código de GPS de cada propriedade.

- As propriedades têm uma identificação. Nós queremos criar uma fórmula para que as mulheres possam acionar o 190 da Polícia Militar, e de forma rápida passar esse código para ser atendida pela PM como vítima de violência. Promovemos o encontro para acertar esses detalhes – explicou a vereadora Carolina Listone (PCdoB), que conduziu o encontro.

Participaram da reunião de trabalho, representantes da Polícia Militar, Secretaria de Desenvolvimento Rural de Chapecó, Sociedade Amigos de Chapecó (SACH) e Conselho Municipal dos Direitos da Mulher. Dados da Secretaria de Desenvolvimento Rural apontam que 600 propriedades rurais de Chapecó estão cadastradas no GPS Rural. Ainda restam outras 700 a integrarem o programa.

Isoladas e distantes dos serviços de proteção, agricultoras enfrentam dificuldades para denunciar

O uso do GPS para denúncias e combate aos casos de violência contra mulher pode ser bastante positivo, pois foi verificada uma diminuição de cerca de 50% no tempo de atendimento por parte da PM. Isso tem valido para crimes como abigeato (roubo de gado), furtos, brigas, ameaças entre vizinhos. Na reunião, o comandante do 2º BPM, Ademir Barcarollo, considerou a possibilidade do uso GPS Rural, mas pediu para que a discussão seja aprofundada. 

> Família de Florianópolis tapa frestas de casa com papelão para se proteger e mostra lado cruel do frio

> Denis Luciano: O lado nada romântico que o frio traz à tona

Um dos encaminhamentos foi a criação de uma comissão de trabalho com representantes de entidades para discutir a implantação até meados do próximo ano. A vereadora Carolina também sugeriu campanhas publicitárias e mobilização das comunidades do interior para que as mulheres sejam encorajadas a fazer denúncias sobre a violência.

A vereadora explicou que, como o GPS Rural já existe em outros municípios, o objetivo é levar a proposta e as respectivas adaptações para diferentes regiões de Santa Catarina.

A reportagem “Sozinhas” mostra que diferente de quem vive na cidade, a mulher que mora no campo se encontra mais isolada, sem vizinhos por perto e distante de serviços de proteção, como Delegacias de Polícias e postos da Polícia Militar, onde poderia denunciar e pedir proteção. De acordo com o Observatório da Violência contra a Mulher – SC, até 30 de setembro foram 31 mulheres as vítimas de feminicídio no Estado. No ano passado o número chegou a 57. Os dados atualizados não especificam quantos foram na área urbana e rural.

Como pedir ajuda:

WhatsApp da Polícia Civil: (48) 98844-0011

> Liberata: a história de uma escrava em terras catarinenses

> "Meu filho está tonto de fome": queda nas doações de comida impacta nas comunidades pobres de SC

Disque 100 ou através do número 182

Polícia Militar: 190

Sinal Vermelho e as redes de farmácias: a vítima pode falar que "precisa de máscara roxa" ou mostra um "X" desenhado na mão ou em qualquer pedaço de papel

Leia também

De volta pra casa: confira as reportagens da série em página especial

"É preciso querer mudar", conta ex-morador de rua que virou empresário

"Eu cochilava com medo que a roda me esmagasse", conta a venezuelana que viveu nas ruas de Florianópolis

Colunistas