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"Chega de frescura e mimimi, vão chorar até quando?", diz Bolsonaro ao criticar restrições contra Covid

Presidente questionou as medidas de isolamento social para evitar o avanço do coronavírus e disse que os problemas precisam ser enfrentados pela população

04/03/2021 - 17h47 - Atualizada em: 04/03/2021 - 18h06

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Folhapress
Por Folhapress
Jair Bolsonaro
Bolsonaro voltou a criticar as medidas contra o avanço do coronavírus no Brasil
(Foto: )

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a criticar nesta quinta-feira (4) as medidas de isolamento social no país para conter o avanço do coronavírus e disse que os problemas precisam ser enfrentados pela população.

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- Nós temos que enfrentar os nossos problemas, chega de frescura e de mimimi. Vão ficar chorando até quando? Temos de enfrentar os problemas. Respeitar, obviamente, os mais idosos, aqueles que têm doenças, comorbidades, mas onde vai parar o Brasil se nós pararmos? - questionou o presidente em São Simão (GO).

Na quarta-feira (3), Brasil registrou seu segundo dia consecutivo de recorde de mortes por Covid-19 em 24 horas, 1.840, com a rede hospitalar colapsando em vários estados, e superou os Estados Unidos em número de novas mortes decorrentes da doença por grupo 100 mil habitantes.

Bolsonaro foi à cidade goiana participar da inauguração de um trecho de 172 quilômetros da ferrovia Norte-Sul, que ligará o município a Estrela D'Oeste (SP), o que permitirá o envio de cargas ao porto de Santos.

Num discurso de cerca de 20 minutos, o presidente ainda elogiou produtores rurais -parte do público presente na inauguração do terminal ferroviário-, ao dizer que eles não se acovardaram na pandemia, e disse que até o final do próximo mês o país terá recebido ao menos 40 milhões de doses de vacinas contra o novo coronavírus.

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- Só este mês vamos chegar 20 milhões de doses para nós, no mínimo, o mês que vem, no mínimo, 40 milhões de doses. Somos responsáveis, estamos fazendo o que é certo - afirmou o presidente.

De acordo com ele, as vacinas começaram a ser compradas assim que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou e seu governo nunca se afastou delas:

- Nunca nos afastamos de buscar vacinas, mas sempre disse uma coisa: 'ela tem que passar pela Anvisa'. A gente está vacinando seres humanos e a Anvisa é uma passagem obrigatória. E isso aconteceu tão logo a Anvisa começou a certificar as vacinas, nós passamos a comprá-las. Hoje somos um dos países que em valores absolutos mais temos gente vacinada.

O presidente ainda voltou a dizer que "lockdown não funciona" e disse, erroneamente, que teve a autoridade "castrada":

- Apelo aqui, já que foi me castrada a autoridade, para que governadores e prefeitos repensem a política do fechar tudo [...] Vamos combater o vírus, mas não de forma ignorante, burra, suicida. Como gostaria de ter o poder, como deveria ser meu, para definir essa política.

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, ainda em 2020, que estados e municípios têm autonomia para determinar o isolamento social em meio à pandemia. No evento, o presidente ainda criticou a imprensa e afirmou, ao se referir ao ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente), que ele só sai do governo se "for elogiado pela Globo ou pela Folha".

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