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Chuva forte atinge SC, alaga ruas e Defesa Civil alerta para risco de deslizamentos

Chuvas têm maior volume no Sul do Estado, mas deixam estragos também em outras partes

03/05/2022 - 06h26 - Atualizada em: 03/05/2022 - 14h29

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Augusto
Por Augusto Ittner
Paulo
Por Paulo Batistella
Em Florianópolis, chuvas deixaram ruas alagadas
Em Florianópolis, chuvas deixaram ruas alagadas
(Foto: )

Cidades de Santa Catarina já registram estragos desde a noite de segunda-feira (2) por conta das chuvas intensas que ocorrem no Estado, com destaque para o Litoral Sul. Municípios que ficam abaixo da Grande Florianópolis e na Serra estão entre os que, segundo a Defesa Civil, têm maior risco para deslizamentos, o que gerou alerta nesta terça (3).

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Ao longo da manhã, Garopaba e Santa Rosa de Lima, no Litoral Sul, além de São Joaquim, na Serra Catarinense, estiveram sob condição vermelha do alerta meteorológico, indicando um risco considerado muito alto para ocorrências envolvendo escorregamentos.

Nas duas primeiras cidades, choveu 143 e 137 milímetros, respectivamente, nas últimas 24 horas até as 10h41. O acumulado de precipitação eleva o potencial de ocorrências relacionadas a deslizamentos — como quedas de árvores e muros, por exemplos.

Um informe da Defesa Civil às 5h34 listava ainda outros 37 municípios catarinenses em situações que variavam de atenção a estado de observação devido ao risco de deslizamentos, sendo a maior parte localizada no Litoral Sul. A condição deles foi mudando ao longo do dia a partir de novas avaliações.

Em Orleans, também no Sul catarinense, um deslizamento de terra deixou parte da estrutura de uma escola estadual exposta. A Defesa Civil diz que o prédio está estabilizado, mas as aulas foram suspensas ao menos nesta terça.

Em Tubarão, ainda na região do Litoral Sul, a queda de uma barreira fez o trânsito andar em meia pista na estrada geral do Sombrio. No período da tarde, o trecho já estava totalmente liberado.

Em Santa Rosa de Lima, a rodovia BR-101 precisou ser interditada parcialmente. Uma cratera acabou sendo aberta na faixa 2 da pista de sentido Norte, na altura do km 451. A CCR ViaCosteira, concessionária responsável pelo trecho, bloqueou o local.

> Leia também: Ciclone extratropical pode provocar inundações, deslizamentos e ventos de até 90 km/h em SC

Em Lages, no Planalto Sul, foi registrado deslizamento com queda de árvore que bloqueou um trecho da rua Salustiano Neto, no bairro São Luiz. Também no município, foi registrada queda de muro no bairro Centenário, na rua Eleutério da Silva Furtado.

Na Serra do Rio do Rastro, a PMRv identificou quatro pontos com quedas de barreira. A guarnição que verificou os deslizamentos fez a retirada dos dejetos de dois trechos. Os demais tiveram trânsito apenas em meia pista enquanto era esperada uma equipe da Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade (SIE) para efetuar a limpeza.

Conforme apuração da NSC TV, em Criciúma houve escorregamentos na manhã desta terça, mas o município não confirmou quantos. A Defesa Civil mantém plantão na maior cidade do Sul e distribui lonas para famílias que precisam se proteger. Moradores podem fazer contato pelo número de plantão 199 e pelo telefone (48) 3445-7019. 

Em Florianópolis, um deslizamento de terra na comunidade José Mendes atingiu duas residências. Três moradores de uma delas estão agora em um hotel cedido pela Secretaria de Assistência Social. As pessoas da outra casa preferiram ser acolhidas por familiares. As chuvas ainda alagaram ruas na capital catarinense.

Também houve problema relacionado ao mau tempo no Meio-Oeste, mesmo com menor volume de precipitação. Em trecho da rodovia SC-453, entre Luzerna e Ibicaré, equipes trabalhavam na retirada de dejetos após ter ocorrido desmoronamento de uma encosta da via e queda de árvore durante a manhã, segundo a Polícia Militar Rodoviária (PMRv).

Em município vizinho, em Herval d'Oeste, uma residência foi tomada de lama por causa de um deslizamento. Outras duas casas vizinhas também precisaram ser desocupadas devido ao risco de novos escorregamentos. No total, 12 pessoas precisaram deixar suas casas.

Já no Litoral Norte, em Joinville, sete pessoas precisaram deixar uma casa que foi interditada após ter sido atingida por uma árvore de aproximadamente 15 metros, na rua Itororó, no bairro Bom Retiro. A Defesa Civil local também identificou uma queda de árvore em um condomínio fechado no bairro Atiradores, mas sem gravidade. 

Alagamentos e risco de inundações

Além do alerta para escorregamentos, cidades de Santa Catarina registram alagamentos por conta da chuva persistente até aqui. Em Florianópolis, motoristas e pedestres precisaram circular em vias tomadas pela água na manhã desta terça.

A Defesa Civil afirmou que as chuvas colocam os principais rios no Estado sob risco de inundação. No Litoral Sul, além de parte do Planalto Sul e da Grande Florianópolis, a situação é de alerta. Em Lages, a Defesa Civil registrou nível já alto do Rio Pelotinhas, que já cobre pontes na zona rural.

A classificação de alerta também se repete no Oeste e em parte do Meio-Oeste, mesmo com menor volume de precipitação. Nas outras regiões do Estado, as chuvas impõem situação de atenção sobre o nível dos rios.

No Planalto Sul, há destaque para a bacia do Rio Tubarão, abastecida por rios que correm a partir da Serra. Ao menos no trecho que corta o município que leva o nome do rio, a água apresentava um nível seguro em medição na manhã desta terça (5), em 3,22 metros acima do normal. O estado de emergência se dá a partir dos 5 metros.

Já em Pedras Grandes, também no Sul catarinense, uma ponte sobre o Rio Tubarão na localidade de Pedrinhas teve de ser interditada e a orientação é de que motoristas não passem por ali. Em uma publicação no Facebook, o prefeito local, Agnaldo Filippi, confirmou ainda a suspensão das aulas “em razão das fortes chuvas” e pediu “atenção redobrada” à população principalmente com estradas, pontes e pontilhões.

Pedras Grandes, no Sul de SC, suspendeu as aulas e pediu atenção à população
Pedras Grandes, no Sul de SC, suspendeu as aulas e pediu atenção à população
(Foto: )

Em Tubarão, a rede municipal de ensino também suspendeu as aulas no período da tarde. No período da manhã, quando já havia orientação para que os pais deixassem os filhos em casa, havia dificuldade de acesso a 26 unidades escolares.

Além disso, ao menos três Unidades Básicas de Saúde (UBSs) em Tubarão tiveram atividades suspensas — do Centro/Vila Moema, Sertão dos Corrêa e Bom Pastor. Uma outra, da Guarda Margem Esquerda, estará aberta, mas sem médicos nem dentistas.

Em Braço do Norte, outro município no Sul, os bombeiros precisaram resgatar quatro crianças e duas professoras em uma creche no bairro Nossa Senhora das Graças devido ao alagamento da rua Cônego Valentin Oenning, que dá acesso ao local e já tinha nível da água atingindo pouco mais de meio metro.

Na mesma cidade, o nível do Rio Braço do Norte, que integra a bacia do Rio Tubarão, já está próximo da altura de uma das pontes que cruzam ele. O trecho sob risco faz a ligação para uma estrada que leva ao município vizinho de Grão-Pará.

O motivo das chuvas

As chuvas volumosas e intensas no Estado são causadas por um ciclone extratropical. O fenômeno é comum em Santa Catarina no inverno e em períodos de transição, caso do outono, por estar associado ao encontro de frentes frias com massas de ar tropical, de temperatura quente. Sua formação fora da zona tropical do globo terrestre já indica a razão de parte do nome.

Em resumo, a interação entre as massas de ar de temperaturas opostas cria um sistema de baixa pressão atmosférica. Ele causa um movimento de ar que concentra a umidade a partir do centro do ciclone e ajuda a formar nuvens volumosas, o que explica o aumento nas chuvas — uma imagem de satélite do fenômeno mostra uma mancha branca em formato de espiral.

Além da chuva, já vista na segunda, o fenômeno metereológico está associado a fortes rajadas de vento e agitação no mar. Isso, no entanto, só passou a ocorrer em um segundo momento, quando o ciclone extratropical já está formado, nesta terça.

Ressaca no mar

Um alerta meteorológico emitido pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) indica ondas entre 3 e 4 metros entre esta terça e a manhã da próxima sexta (6).

Durante esse período, o pedido dos órgãos estaduais é para a suspensão da navegação com pequenas e médias embarcações por conta do risco de naufrágio. Há, ainda, a possibilidade de ressaca nas áreas costeiras.

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