As chuvas que atingem Santa Catarina desde o mês de outubro já deixaram 11 pessoas mortas. Nesta terça-feira (28), morreu a terceira vítima do acidente em que um carro afundou em Taió, cidade no Alto Vale do Itajaí, em 16 de novembro. Dirce Lazarini Belli, de 69 anos, ficou 16 dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu.

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Dirce é a terceira vítima das chuvas em Taió e a quarta do Estado em novembro. O outro óbito aconteceu em Palmitos, no Oeste, no dia 17, tendo como vítima um homem de 46 anos que colidiu com a fiação elétrica enquanto andava de moto aquática. Um idoso segue desaparecido desde o dia 18.

No mês passado, foram sete mortes. Os óbitos foram confirmados nos municípios de Rio do Oeste, Rio do Sul e Witmarsum, no Alto Vale do Itajaí, Palmeira, Campo Belo do Sul, na região serrana, Três Barras, no Norte, e Calmon, no Meio-Oeste catarinense, entre o dia 4 e dia 29.

Quem são as vítimas

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As chuvas caem acima da média em várias regiões do Estado. Os três maiores volumes mensais de 2023 foram registrados em outubro, nas cidades de Mirim Doce (725,4 milímetros) e Taió, (646,8 milímetros), ambas no Vale do Itajaí. Para se ter ideia, a média histórica de chuva na região no período é de, no máximo, 170 milímetros.

Em Florianópolis, a precipitação de outubro foi de 416 milímetros, o maior valor já registrado pela Epagri/Ciram. Somente nesta terça, a Estação de Meteorologia do Sul da Ilha já acumulou 134 milímetros, valor que supera a média histórica de novembro inteiro na cidade, que é de 129 milímetros.

Veja imagens da chuva em Florianópolis

O resultado é uma série de perdas materiais e humanas. Taió, onde três das vítimas das chuvas em novembro morreram, viveu uma enchente histórica em 9 de outubro, quando o rio atingiu 12 metros — o maior nível da história do município. Centenas de pessoas ficaram ilhadas e equipes de todo o Estado e do Exército atuaram no atendimento aos atingidos.

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FOTOS: Chuva histórica de 134 mm deixa Florianópolis debaixo d’água

Nesta terça-feira (28), Rio do Sul voltou à situação de enchente, a sétima apenas em 2023. Na semana passada, o município sofreu com a segunda maior enchente da história da cidade, com o rio atingindo um pico de 13,04 metros no último dia 18, superando apenas o registrado em 1983. Ao todo, estima a prefeitura, ao menos 6,5 mil imóveis foram atingidos e 18,8 mil pessoas ficaram desalojadas.

Veja imagens da chuva em SC

Causa das chuvas

As chuvas em Santa Catarina ocorrem por influência do El Niño, que neste ano é de intensidade forte devido ao aquecimento global ocasianado pela crise climática. Como já apontou a Organização Meteorológica Mundial (OMM), é provável que 2023 termine sendo considerado o ano mais quente já registrado, num período de 125 mil anos.

— Quando a atmosfera está mais quente, ela carrega mais umidade. Então, uma tempestade que ocorria há 30 anos não tinha a mesma quantidade de água que tem hoje. A chuva é muito mais torrencial, porque quanto maior o contraste de temperatura de uma massa de ar frio com uma massa de ar quente, mais violento é o vento. E isso também aumentou — explica a professora de Oceanografia Física na UFSC, Regina Rodrigues.

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