Cidade de SC é eleita a mais “azul” do Brasil no “Oscar das praias”

Município foi eleito na premiação pela primeira vez em 2019

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Praia da Saudade, a primeira eleita em São Francisco do Sul (Foto: Prefeitura de São Francisco do Sul, Divulgação)

A cidade mais antiga de Santa Catarina também é considerada a mais azul do Brasil. Isso porque São Francisco do Sul foi eleita pelo “Oscar das praias”, o Selo Bandeira Azul, como o município com mais certificações. Foram cinco praias e uma marina consideradas “perfeitas” pelo júri internacional. Para manter e ampliar esse reconhecimento, entretanto, a cidade enfrenta e precisa vencer desafios.

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A primeira vez que São Francisco do Sul recebeu a certificação foi em 2019, com a Praia da Saudade, conhecida também como Prainha. Ao longo dos últimos anos, ampliou a presença do selo na cidade com a premiação Ervino, Praia do Forte, Praia Grande e Ubatuba, que recebeu o prêmio pela primeira vez neste ano. Enquanto isso, a Marina Villa Real também foi premiada, sendo uma das 10 reconhecidas em todo o Brasil.

A premiação Bandeira Azul é concedida às praias, marinas e embarcações de turismo que atendam a 38 critérios relacionados à qualidade da água, gestão ambiental, critério patrimonial, segurança, infraestrutura e educação ambiental. Trata-se de uma das premiações mais reconhecidas do mundo no âmbito da sustentabilidade aplicada ao turismo e ao uso responsável dos recursos naturais. A adesão é voluntária e requer comprovação anual do cumprimento dos critérios estabelecidos.

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Veja como são as praias eleitas no júri internacional

Desafios para a cidade

Para a secretária de Meio Ambiente de São Francisco do Sul, Lara Yumi Fand Ykeizumi, o maior desafio em manter e ampliar o selo na cidade está em mobilizar toda a população local, de moradores à turistas, para compreender que o sucesso do programa depende de uma responsabilidade compartilhada. 

A gestora afirma que não basta que o poder público atue sozinho: é fundamental que cada setor da sociedade cumpra seu papel, evitando a terceirização de responsabilidades e fortalecendo uma cultura de corresponsabilidade ambiental. 

Em relação a isso, o aumento populacional durante a alta temporada representa um desafio importante para a manutenção dos requisitos do programa, indica a Lara. 

Rangel Alexandre Friolin, secretário de Turismo, explica que a cada ano, a procura de turistas por São Francisco do Sul tem aumentado justamente por essa preocupação ambiental e qualidade da água, mas também por ser uma cidade com outros atrativos: patrimônio histórico, grandes eventos como a queima de fogos no fim do ano, festilha e o Carnaval. Para a temporada 2025/2026, estima-se a presença de meio milhão de turistas

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Por conta disso, Lara afirma que a prefeitura tem investido em estratégias preventivas e participativas, com destaque para a formação de redes de multiplicadores locais — moradores, empreendedores e agentes públicos — que atuam como agentes fiscalizadores e disseminadores de informações sobre o código de conduta nas praias certificadas.

Durante a temporada, são intensificadas ações de educação ambiental diretamente nas praias, com equipes preparadas para informar e orientar os visitantes, garantindo assim o cumprimento dos critérios do programa e a manutenção da qualidade ambiental.

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— Essa rede amplia a capacidade de alcance das ações de educação ambiental e fortalece a corresponsabilidade da sociedade na conservação das praias. Além disso, a visibilidade positiva de São Francisco do Sul como a cidade com o maior número de Bandeiras Azuis do país contribui para atrair um perfil de turista mais consciente, alinhado ao turismo sustentável e regenerativo — cita.

Ainda de acordo com Rangel, a certificação Bandeira Azul é uma ferramenta estratégica para identificar o público que a cidade quer para o turismo: um turista preocupado com o meio ambiente. 

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Cidade trabalha para se manter a “mais azul” do Brasil

Rangel cita que o perfil do turista vem se transformado nos últimos anos e dessa forma, a atividade turística também. Os visitantes estão a procura de destinos sustentáveis e que tenham mais responsabilidade com o meio ambiente e a certificação da bandeira azul nas praias ajuda a promover a cidade e buscar esse turista, além disso atrai turistas nacionais e internacionais, aponta. 

Por isso, a coordenação municipal do Programa Bandeira Azul tem atuado de forma estruturada e contínua ao longo de todo o ano, com foco no protagonismo compartilhado entre população, empresas e poder público. Como o programa possui 34 critérios internacionais de certificação, a estratégia para inserção de novas praias inicia pela garantia da qualidade da água, critério essencial, e, a partir daí, é elaborado um planejamento anual alinhado ao orçamento público municipal para atender aos demais requisitos — como gestão ambiental, infraestrutura, segurança e educação ambiental.

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— Uma inovação importante foi a criação do Selo Empresa Azul, um instrumento municipal de parceria com o setor privado que visa inserir o protagonismo das empresas no fortalecimento do programa. Por meio dele, é possível captar patrocínios para ações de educação ambiental, aquisição de brindes, coffee breaks, materiais pedagógicos e de apoio, além de contribuir para a manutenção dos equipamentos públicos nas praias certificadas durante a temporada — exemplifica Lara.

Para ela, essa integração entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil amplia a capacidade de execução das ações e fortalece a sustentabilidade financeira e operacional do Programa Bandeira Azul no município.

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Neste ano, por exemplo, mais uma conquista para a cidade: Ubatuba foi certificada pela primeira vez.

— A base legal que sustenta essa visão é o Artigo 225 da Constituição Federal, que estabelece que: “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.”

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Portanto, manter a qualidade da água e os demais requisitos do selo não é apenas uma ação técnica, é também um desafio social e cultural, que exige consciência coletiva, engajamento comunitário e fiscalização ativa — defende.

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