A cidade de Itapoá, apontada como a que mais cresce em Santa Catarina, vive um momento de transformação impulsionado por uma série de obras em andamento. Entre intervenções na orla e melhorias logísticas, o município do Litoral Norte catarinense se prepara para expandir.

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Um dos principais marcos desse cenário é a reta final da construção da Ponte de Guaratuba, que promete mudar a dinâmica de acesso entre os estados de Santa Catarina e Paraná, aproximando ainda mais Itapoá de um dos seus principais públicos: os turistas paranaenses.

Rodovias na região

No Estado, as duas rodovias estaduais conectam Itapoá à BR-101 por meio de Garuva. As rodovias, inclusive, são a extensão da PR-412, que passa por Matinhos e Guaratuba, no Paraná. A SC-416 tem 25 quilômetros, e fica entre a SC-417 e a Estrada municipal José Alves.

A rota de 40 quilômetros faz a conexão entre a BR-101 e a área portuária de Itapoá, onde está em operação o Porto Itapoá e onde será construído o porto da Coamo. Um acordo dos royalties, assinado com o governo do Paraná, prevê duplicação da SC-417 pelo Estado vizinho, em investimento de R$ 365 milhões. A prefeitura de Itapoá vai se encarregar da duplicação da estrada municipal.

Ponte de Guaratuba

Com investimento superior a R$ 400 milhões, a Ponte de Guaratuba é considerada uma das obras mais emblemáticas do Paraná. A estrutura, com mais de 3 quilômetros de extensão entre ponte e acessos, está na fase final de execução.

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A expectativa é que a nova ligação impacte diretamente o turismo em Itapoá. Com o acesso facilitado, empresários projetam aumento de até 30% na ocupação da rede hoteleira.

Para Jefinho Garcia (MDB), prefeito de Itapoá, a ponte é vista como um importante recurso para “desafogar” a BR-101, criando uma rota alternativa para quem vem de São Paulo e do Paraná. Ele ainda enfatiza que, embora a área do porto da cidade tenha suas próprias obras de duplicação, outra parte de Itapoá ganhará muito com a nova conexão, consolidando o potencial turístico da orla.

— Nós temos duas “Itapoás”, nós temos a Itapoá portuária, que é a área retroárea onde temos o Porto, e temos a Itapoá Balneária. E a Itapoá Balneária ganhará muito com a ponte de Guaratuba — destaca.

Aprofundamento de canal

A dragagem do canal externo da Baía Babitonga também é uma das obras em Itapoá. A intervenção prevê o aprofundamento do canal de acesso aos portos da região, permitindo a operação de embarcações de maior porte e ampliando a competitividade logística do Litoral Norte catarinense.

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A obra do aprofundamento do canal da Baía Babitonga vai possibilitar que o Porto Itapoá receba navios gigantes com carga máxima. Os maiores navios que circulam pela costa brasileira têm aproximadamente 336 metros de comprimento.

Com o aprofundamento do canal da Baía da Babitonga por meio da dragagem, o calado de profundidade no acesso aos portos passa de 14 para 16 metros. Essa característica, associada à capacidade operacional do Porto Itapoá, vai permitir o atendimento de navios de 366 metros e com carga máxima, que podem navegar no local a partir do novo calado de 16 metros.

Alargamento de praia

Outro destaque é o maior projeto de alargamento de praia do Brasil, em execução na orla de Itapoá. A intervenção prevê a recomposição de quase 9 quilômetros de faixa de areia em três praias, utilizando mais de 12,6 milhões de metros cúbicos de sedimentos retirados da dragagem do canal externo da Baía Babitonga.

O engordamento é resultado da dragagem de aprofundamento promovida pelo Porto de São Francisco do Sul. O investimento é de R$ 333 milhões, incluindo a fiscalização, com o Porto Itapoá bancando R$ 300 milhões (em antecipação de tarifas portuárias) e o restante com o Porto de São Francisco do Sul. 

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Atualmente, as obras estão temporariamente suspensas devido à manutenção da draga Galileo Galilei, na Europa, mas devem ser retomadas nas próximas semanas, com previsão de conclusão no segundo semestre.

A obra começou em outubro de 2025, tendo como previsão de conclusão o segundo semestre de 2026.

A Prefeitura de Itapoá também prevê ampliar o processo de alimentação artificial da orla. A gestão municipal está estruturando um processo licitatório para contratar os estudos ambientais e projetos de engenharia necessários para mitigar os efeitos da erosão costeira.

O projeto deve contemplar as áreas que ainda não foram contempladas pelas obras atuais. O novo trecho planejado estende-se da Rua Peabiru (1710), ao sul, até a Rua Castro Alves (492), ao norte, totalizando, aproximadamente, nove quilômetros. A área abrange bairros que sofrem diretamente com os processos erosivos, tais quais: Itapoá (Centro), Itapema do Norte e Cambijú.