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AGLOMERAÇÃO

Festas encheram casas noturnas na virada do ano em Santa Catarina

Imagens que circulam pelas redes mostram festas com aglomeração, sem uso da máscara e sugerem falta de inspeção suficiente aos regramentos sanitários publicados pelo governo do Estado

03/01/2021 - 06h00 - Atualizada em: 03/01/2021 - 11h49

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Cristian Edel
Por Cristian Edel Weiss
Clarissa
Por Clarissa Battistella
Dagmara
Por Dagmara Spautz
Imagens de supostas festas ocorridas na virada do ano em SC circulam nas redes sociais
Imagens de supostas festas ocorridas na virada do ano em SC circulam nas redes sociais
(Foto: )

*Colaborou Júlio Ettore, da NSC TV

Aglomeração em volta do deck do DJ em Florianópolis, pavilhão lotado em Porto Belo, a celebração da virada na Praia Brava, em Itajaí, são algumas das cenas que circulam nas redes sociais de supostas festas com agrupamento de pessoas na noite do último dia 31. Todos sem máscara e sem respeitar o distanciamento social nas imagens. 

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As cenas expõem não apenas o risco de contaminação pelo coronavírus no auge da pandemia em Santa Catarina, mas o desrespeito ao decreto estadual e às portarias da Secretaria de Estado da Saúde, que estabelecem restrições para a circulação de pessoas e regramentos práticos para realização de eventos e funcionamento de hotéis, bares, restaurantes e casas noturnas. E, embora os órgaos afirmem que fiscalizam, as imagens de descaso que circulam na internet sugerem inspeção insuficiente, inclusive nas regiões de mais alto risco sanitário, segundo mapa divulgado pela Defesa Civil e Secretaria de Estado da Saúde.

No Instagram, o perfil "Brasilfedecovid" compartilhou uma série de vídeos curtos mostrando cenas supostamente ocorridas em Santa Catarina na virada do ano. As postagens marcam as páginas oficiais como governo do Estado, do governador Carlos Moisés e do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). A maioria não se pronuncia nem responde aos questionamentos dos usuários.

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Numa delas houve rara reação de uma autoridade. Ao ser provocado por um usuário da rede social, que perguntava se o MPSC "estava de férias na Dinamarca" por não ver as situações apresentadas, o procurador-geral de Justiça do MPSC, Fernando da Silva Comin, respondeu à postagem, afirmando que todos os epísódios postados na página do Instagram e que aparentem caracterizar "infrações às normas e protocolos sanitários contra a Covid-19 em Santa Catarina, serão encaminhados aos respectivos promotores de justiça, para análise e regular apuração". 

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Ele ainda recomenda aos usuários formalizarem a denúncia com antecedência tanto à Policia Militar quanto ao MPSC, "a tempo de que sejam tomadas as providências judiciais de modo a impedir a realização de eventos dessa natureza".

Página denuncia em rede social suposta aglomeração em show em Porto Belo na virada e procurador-geral de Justiça do MPSC responde a questionamento
Página denuncia em rede social suposta aglomeração em show em Porto Belo na virada e procurador-geral de Justiça do MPSC responde a questionamento
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O procurador-geral respondeu ao post que menciona um show supostamente realizado no Hakkô Club, em Porto Belo, na noite do último dia 31. Nas imagens, feitas pelo cantor MC Don Juan, um grande grupo de jovens circunda o palco. Eles acenam para a câmera e gritam "feliz ano novo". Na mesma rede social, circula desde novembro um banner anunciando o show de Réveillon.

Procurado pela reportagem, por telefone o gerente do Hakkô, Jefferson Miranda, afirmou que não houve o show mostrado no vídeo, e sim um jantar. Momentos depois, uma funcionária responsável pelas reservas enviou uma nota da gerência. Ela não confirma nem nega o vídeo e o banner de anúncio da festa, mas informa que a casa fez um jantar com música, seguindo todos os protocolos de segurança, e que, "em um determinado momento pela empolgacao da virada do ano, houve algum excesso dos clientes que logo foram contidos pela segurança, retornando rapidamente à normalidade." 

"O Hakkô gastro bar, realizou um jantar com música, seguindo todos os protocolos de segurança, respeitando o espaçamento e a capacidade, em um determinado momento pela empolgacao da virada do ano, houve algum excesso dos clientes q logo foram contidos pela segurança, retornando rapidamente a normalidade. Gostaríamos de frisar mais uma vez q respeitamos todos os protocolos de segurança", afirma a gerência do espaço.

A nota prossegue ainda afirmando que o estabelecimento "trabalha com lounges separados e mesas com distanciamento, em um ambiente controlado, empregando 100 pessoas diretamente, pessoas que estão a mais de 10 meses sem trabalhar. Reforçamos também que algumas imagens podem estar sendo usadas e publicadas de outros momentos fora desse período de pandemia".

Ela reitera que a casa utiliza apenas 7% da capacidade do estabelecimento, que há aferição de temperatura corporal na entrada, há álcool em gel em todas as dependências para higienização das mãos e é proibida a entrada de pessoas sem máscara, embora as imagens mostrem todos os usuários sem o dispositivo de proteção.

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Pelo decreto estadual, não deveria haver shows com dança no Litoral Norte

Ocorre que, segundo o decreto estadual de restrição da circulação de pessoas, as regiões de saúde em vermelho (veja no mapa abaixo), classificadas como estágio "gravíssimo", estão proibidas de ter eventos com grande público nem podem ter dança, o que significa que devem funcionar apenas como bares e restaurantes. É o caso da Foz do Itajaí, onde ficam as casas noturnas de Porto Belo, Balneário Camboriú e Itajaí. 

Segundo as portarias da Secretaria de Estado da Saúde, é de responsabilidade da Vigilâncias Sanitárias Municipal e Estadual, Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Santa Catarina, fiscalizar os estabelecimentos e locais com vista a garantir o cumprimento das medidas sanitárias exigidas

A reportagem procurou a Vigilância Sanitária das prefeituras de Balneário Camboriú e de Itajaí para explicar por que não houve fiscalização e quais medidas têm sido tomadas pelos órgãos para fiscalizar o cumprimento do decreto. Mas as instituições não responderam.

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O Comando-Geral da Polícia Militar em Santa Catarina também foi procurado no fim da tarde deste sábado pela reportagem e informou que ocorreram, no Réveillon, 676 fiscalizações relacionadas ao coronavírus. Dessas, apenas seis resultaram em interdições e quatro em notificações. 

Segundo o coronel Marcelo Pontes, sub-comandante da PMSC, as interdições ocorrem em estabelecimentos reincidentes, que já foram notificados anteriormente sobre os descumprimentos de decreto (aglomeração, falta de distanciamento, máscara ou álcool em gel). 

- Desde o início tem se observado esse índice de 98% (fiscalizações sem ocorrências) e não tem alteração - afirma. 

Pontes também reforçou que a Polícia Militar "continua ajudando" com as fiscalizações da pandemia, mas que a corporação também tem uma série de outras demandas essenciais, que é trabalho de polícia, como garantir a segurança da população:

- A PM está fazendo a parte dela. Além da PM, também são responsáveis por essa fiscalização a Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros Militar e as vigilâncias sanitárias. 

Regiões em nível "grave" têm menos restrições

Já as regiões em laranja, com risco potencial grave, deveriam ter, no máximo, 20% da ocupação original para oferecer espetáculos com dança, como é o caso da Grande Florianópolis, Médio Vale do Itajaí e parte do Oeste. Nesses locais, as mesas devem ser colocadas com distanciamento sobre a pista de dança, o uso da máscara é obrigatório, e ela só pode ser retirada para o consumo de bebidas e alimentos.

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