Como encontro de trabalhadores chineses fez BYD entrar na “lista suja” de trabalho escravo

Funcionários da BYD foram localizados amontoados em alojamentos sem condições adequadas de conforto e higiene em 2024 na Bahia

Compartilhe:
Como encontro de trabalhadores chineses fez BYD entrar na lista suja de trabalho escravo

Trabalhadores chineses entravam no Brasil de forma irregular, diz MPT-BA (Foto: Arquivo pessoal, Wikimedia Commons)

A montadora BYD entrou nesta segunda-feira (6) na chamada “lista suja” do governo federal, que reúne os nomes de empregadores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão. O nome da montadora entrou no cadastro após o resgate de trabalhadores chineses em dezembro de 2024 em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, na Bahia. Com informações do g1.

Continua após a publicidade

Os 220 trabalhadores chineses foram encontrados amontoados em alojamentos sem condições adequadas de conforto e higiene e eram vigiados por seguranças armados, que impediam a saída do local. Eles haviam sido contratados para atuar na construção da fábrica da empresa em Camaçari.

As autoridades afirmaram que os passaporte deles eram retidos e os contratos incluíam cláusulas ilegais, como jornadas exaustivas e ausência de descanso semanal. Em depoimento ao Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT-BA), um dos trabalhadores afirmou que associou um acidente com uma serra ao cansaço causado pela falta de folgas.

Continua após a publicidade

Os funcionários chineses, ainda conforme o MPT-BA, entravam no Brasil de forma irregular, com vistos para serviços especializados que não correspondiam às atividades desempenhadas na obra.

O que diz a BYD

Em 2024, quando os trabalhdores chineses foram encontrados pelo governo federal, a BYD afirmou que  a construtora terceirizada Jinjiang Construction Brazil Ltda cometeu irregularidades e que, por isso, decidiu encerrar o contrato com a empresa.

A montadora também afirmou que não  tolera desrespeito à legislação brasileira nem à dignidade humana e determinou a tranferência de parte dos trabalhadores para hotéis da região. Em 2025, MPT-BA) fez um acordo de R$ 40 milhões com a BYD e duas empreiteiras. Uma ação cívil pública por trabalho análogo à escravidão e tráfico de pessoas foi ajuizada.

Após o acordo, a BYD afirmou manter um compromisso inegociável com os direitos humanos e informou que iria se manifestar nos autos da ação movida pelo órgão.

Continua após a publicidade

A BYD ainda não comentou sobre a inclusão da empresa na “lista suja”.

“Lista suja” inclui 613 pessoas e empresas no Brasil

A “lista suja” atualizada pelo governo federal nesta segunda-feira inclui 613 pessoas e empresas de todo o Brasil. Na versão divulgada na última segunda-feira foram adicionados 169 novos empregadores no cadastro. Desse total, 102 são pessoas físicas e 67 são empresas. Cada nome permanece na lista por dois anos.

Continua após a publicidade

No entanto, conforme o MTE, os empregadores podem ter o nome retirado antes do período se assinarem um termo de ajuste de conduta e indenizarem as vítimas com pelo menos 20 salários mínimos, além de investir em programas de apoio aos trabalhadores resgatados.

Quais são as atividades econômicas com o maior número de empregadores incluídos na lista?

  • Serviços Domésticos;
  • Criação de bovinos para corte;
  • Cultivo de café;
  • Construção de edifícios;
  • Serviço de preparação de terreno, cultivo e colheita.

O que é a lista suja?

A “lista suja” é um documento divulgado todo semestre pelo Ministério do Trabalho com o intuito de dar visibilidade aos resultados das fiscalizações do governo de combate ao trabalho escravo.