A montadora BYD entrou nesta segunda-feira (6) na chamada “lista suja” do governo federal, que reúne os nomes de empregadores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão. O nome da montadora entrou no cadastro após o resgate de trabalhadores chineses em dezembro de 2024 em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, na Bahia. Com informações do g1.
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Os 220 trabalhadores chineses foram encontrados amontoados em alojamentos sem condições adequadas de conforto e higiene e eram vigiados por seguranças armados, que impediam a saída do local. Eles haviam sido contratados para atuar na construção da fábrica da empresa em Camaçari.
As autoridades afirmaram que os passaporte deles eram retidos e os contratos incluíam cláusulas ilegais, como jornadas exaustivas e ausência de descanso semanal. Em depoimento ao Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT-BA), um dos trabalhadores afirmou que associou um acidente com uma serra ao cansaço causado pela falta de folgas.
Os funcionários chineses, ainda conforme o MPT-BA, entravam no Brasil de forma irregular, com vistos para serviços especializados que não correspondiam às atividades desempenhadas na obra.
O que diz a BYD
Em 2024, quando os trabalhdores chineses foram encontrados pelo governo federal, a BYD afirmou que a construtora terceirizada Jinjiang Construction Brazil Ltda cometeu irregularidades e que, por isso, decidiu encerrar o contrato com a empresa.
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A montadora também afirmou que não tolera desrespeito à legislação brasileira nem à dignidade humana e determinou a tranferência de parte dos trabalhadores para hotéis da região. Em 2025, MPT-BA) fez um acordo de R$ 40 milhões com a BYD e duas empreiteiras. Uma ação cívil pública por trabalho análogo à escravidão e tráfico de pessoas foi ajuizada.
Após o acordo, a BYD afirmou manter um compromisso inegociável com os direitos humanos e informou que iria se manifestar nos autos da ação movida pelo órgão.
A BYD ainda não comentou sobre a inclusão da empresa na “lista suja”.
“Lista suja” inclui 613 pessoas e empresas no Brasil
A “lista suja” atualizada pelo governo federal nesta segunda-feira inclui 613 pessoas e empresas de todo o Brasil. Na versão divulgada na última segunda-feira foram adicionados 169 novos empregadores no cadastro. Desse total, 102 são pessoas físicas e 67 são empresas. Cada nome permanece na lista por dois anos.
No entanto, conforme o MTE, os empregadores podem ter o nome retirado antes do período se assinarem um termo de ajuste de conduta e indenizarem as vítimas com pelo menos 20 salários mínimos, além de investir em programas de apoio aos trabalhadores resgatados.
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Quais são as atividades econômicas com o maior número de empregadores incluídos na lista?
- Serviços Domésticos;
- Criação de bovinos para corte;
- Cultivo de café;
- Construção de edifícios;
- Serviço de preparação de terreno, cultivo e colheita.
O que é a lista suja?
A “lista suja” é um documento divulgado todo semestre pelo Ministério do Trabalho com o intuito de dar visibilidade aos resultados das fiscalizações do governo de combate ao trabalho escravo.

