nsc
dc

Literatura

Conheça a história de Maura de Senna Pereira, primeira mulher a se tornar membro da Academia Catarinense de Letras

Maura teve a trajetória como jornalista e escritora marcada pela defesa de temas considerados tabus, principalmente relacionados ao feminismo

03/10/2021 - 08h00 - Atualizada em: 15/10/2021 - 14h47

Compartilhe

Redação
Por Redação DC
maura-de-senna-pereira-1
Em 1962, a escritora catarinense publicou uma coletânea de poesias, uma das obras mais destacadas
(Foto: )

Maura de Senna Pereira recebia convites, como representante da literatura feminina e da cultura catarinense, para participar de eventos políticos, sociais e culturais do Estado em que nasceu, no ano de 1904. Continuou com esta influência mesmo ao mudar-se, ainda jovem, para o Rio de Janeiro, onde morou e, em 1992, morreu aos 88 anos. 

> Receba as principais notícias de Santa Catarina pelo WhatsApp

A trajetória dela foi notória como jornalista e escritora defendendo temas considerados tabus, principalmente relacionados ao feminismo. Destacou-se nos espaços públicos dominados por homens. Tornou-se conhecida como uma das jornalistas pioneiras de Santa Catarina e ingressou como a primeira mulher membro da Academia Catarinense de Letras em 1930. 

Apesar deste prestígio, enfrentava resistência e preconceito por não seguir e propagar os “bons costumes” da mulher dedicada exclusivamente ao lar e à família. Com seu talento na escrita, sensibilidade, inteligência e cordialidade, se fez ouvir e não rompeu com a elite cultural que frequentava.

As histórias de vida e as temáticas dos discursos, das reportagens, prosas e poesias de Maura se entrelaçam. À força da escrita, somou o exemplo de vida. Quando o pai morreu, Maura tinha 19 anos, era a filha mais velha e se responsabilizou por trabalhar para sustentar a mãe e os 10 irmãos.

Casou-se aos 27 anos e, em 1933, foi morar com o marido em Porto Alegre. Sete anos depois, decepcionada com o casamento, teve a ousadia de transgredir a promessa “até que a morte nos separe” e voltar para Florianópolis, cidade natal dela.

maura-de-senna-pereira-2
Maura morreu em 1992, aos 88 anos, no Rio de Janeiro
(Foto: )

Recebida com o preconceito da sociedade a uma mulher “separada”, em menos de um ano foi em busca do antigo sonho de morar no Rio de Janeiro. Apaixonou-se pelo poeta mineiro José Coelho de Almeida Cousin e assumiu, inclusive nas obras, o novo relacionamento que se prolongou por quase 50 anos, até a morte dele, em 1991.

> Floripa confirma carnaval de rua e desfiles de escolas para 2022

Maura havia estudado para ser professora e começou a trabalhar no magistério, como era a tradição da época. Mas logo passou a colaborar em jornais e revistas. Teve uma longa e destacada trajetória nos periódicos catarinenses e cariocas a partir de 1923, fazendo reportagens, assinando seções e colunas, que ficaram marcadas pelas polêmicas reivindicações de igualdade e justiça social.

O caminho que apontou para estas conquistas foi o da educação e qualificação profissional. Pois com oportunidades de trabalho, as mulheres poderiam assumir novos papéis e espaços, sem precisar se submeter à limitação do lar e às figuras masculinas, como o pai e o marido.

Entretanto, manteve-se atenta aos desafios femininos no trabalho e apresentou outras reivindicações, como a equiparação dos pagamentos a homens e mulheres. Ainda defendeu diversas outras causas sociais, entre elas, o direito ao divórcio e ao voto feminino.

> Roteirista e escritora de SC ganha destaque internacional na série "Ilha de Ferro"

Como escritora, Maura estreou em 1931, com a publicação do livro “Cântaro de Ternura”. Dezoito anos depois, lançou a primeira edição de poesias, com “Poemas do Meio-Dia”. Em 1962, publicou uma das obras mais destacadas, uma coletânea de poesias sobre um mundo idealizado onde exista igualdade, justiça social e convivência harmoniosa junto à natureza. O livro “País de Rosamor” é o novo mundo, o mundo que Maura sonhou e pelo qual lutou.

*Texto de Gisele Kakuta Monteiro

Leia também:

> Morro do Cambirela: Rochas podem indicar vulcão em Santa Catarina; entenda

> Vídeo flagra acidente que deixou dois mortos em carro esmagado

Colunistas