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Globo Repórter mostra curiosidades e tradições do litoral de Santa Catarina

Equipe da NSC TV mostra imagens da natureza e histórias em baías e ilhas de SC em reportagem especial para o Globo Repórter. Conheça os detalhes dessa jornada

27/11/2021 - 07h05 - Atualizada em: 27/11/2021 - 14h01

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Redação
Por Redação DC
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A rotina da Barra da Lagoa, em Florianópolis, na busca pelas tainhas, integra o material
(Foto: )

Depois de pedalarmos pelo Vale Europeu do Rio Itajaí-Açu e trilharmos o teto da Região Serrana, chegou a vez de navegarmos por baías e ilhas do Litoral Catarinense. O mar foi generoso ao desenhar os 530 quilômetros da nossa costa. A beleza dela nos envaidece tanto quanto encanta os de fora.

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Mas a ideia deste programa foi ir além. Quisemos buscar as tradições litorâneas mais enraizadas. Aquelas que os pescadores forjaram em séculos com o vento e o mar. Sua capacidade de aprender com a natureza. Seu engenho na luta pelo sustento.

Este Globo Repórter do Litoral fala muito de preservação. A preservação da nossa história e da nossa natureza. Elas são preciosas demais pra se perder. Tive o prazer de dividir esta aventura de descobertas com os repórteres cinematográficos Mateus Castro e Marcos Schmitt. E elas foram muitas.

Cadê as tainhas?

Quem vive no Litoral sabe o alvoroço que é a temporada da tainha. Entre maio e junho, ela mobiliza milhares de pescadores artesanais e suas comunidades. Para entender a dimensão dela para os nativos, pense na semana Farroupilha dos gaúchos ou no São João dos nordestinos. A chegada das tainhas mexe com corações e mentes.

Por duas semanas, acompanhamos a turma de pescadores do Saragaço, da Barra da Lagoa, em Florianópolis. Chegávamos antes do sol nascer e íamos embora depois dele se pôr. Todos os dias apareciam imagens da captura de milhares de peixes em outras praias. E, na Barra da Lagoa, nada de lanço, como é chamado o cerco das redes.

Lá pelas tantas já estávamos com fama de pés-frios. Além disso, a gente tinha só uma câmera de ação - daquelas pequenas - para instalar na canoa. O problema é que os pescadores deixavam duas embarcações prontas na areia e só uma delas ia para água, dependendo do tamanho do cardume avistado. Em qual canoa fixar a câmera? Era puro chute. Na única vez em que acertamos, a rede ficou presa em um banco de areia e as tainhas fugiram pelo rasgo.

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Eu já estava achando que era praga da turma contra repórter pé-gelado. Mas no décimo-quarto dia nossa sorte mudou. O vento Nordeste empurrou um cardume de tainhas para dentro da baía da Barra da Lagoa e, enfim, conseguimos gravar com o drone o cerco apoteótico dos peixes como ele acontece há mais de dois séculos. Tenho na memória a frase estampada na roupinha do Bob, o cachorro pescador da turma do Saragaço: “Se pescar é viver, vivo pra pescar”.

Cadê os preás?

O mamífero mais raro do mundo só vive nesta pequena ilha perto de Florianópolis com área de 10 hectares. O maior desafio do programa foi registrar o mamífero mais raro do mundo, uma espécie de preá que só vive em uma pequena ilha com área de 10 hectares perto de Florianópolis, ao Sul da Ilha de SC. Foram dois meses para o Instituto do Meio Ambiente (IMA) autorizar o desembarque no Arquipélago das Moleques do Sul.

A partir daí quem deu as cartas foi a natureza. Subir na ilha depende do humor do mar. Como só tem costão de pedra, ele tem que estar mansinho. Foram três expedições com apoio da Polícia Militar Ambiental.

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Família à qual pertence o preá-de-moleques-do-sul conta com bichos bem conhecidos, como a capivara e o porquinho-da-índia
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A beleza do lugar é selvagem e estonteante, com milhares de fragatas, atobás, trinta-réis e gaivotas congestionando céu e terra. Caminhar na ilha é um exercício de zigue-zague, desviando dos ninhos com ovos e filhotes e das bicadas dos pais zelosos. Uma delas tatuou a batata da perna do Castro, cinegrafista da equipe. Uma vez no alto da ilha, no território dos raríssimos preás, paciência é o nome do jogo.

A informação era de que eles apareceriam ao entardecer, na hora em que deixam o esconderijo para comer grama. Mas faltou combinar com os bichinhos. A noite caiu e eles não deram as caras. Voltamos à ilha dois meses depois para uma nova tentativa. Outro fracasso. Dois a zero pros preás e a natureza no comando.

Então, pedimos autorização ao IMA para pernoitar na ilha. Ela foi concedida, mas só para duas pessoas da nossa equipe. A lógica me fez abrir mão de ir pela terceira vez e ceder o lugar para mais um cinegrafista e assim aumentar a chance na busca pelos preás.

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Aves marinhas estão entre as belas atrações no Arquipélago das Moleques do Sul
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O Castro e o Marquinhos encararam mar mexido, chuva fina e não pregaram os olhos. Mas a estratégia de invadir a noite para flagrar os esquivos preás deu certo. As imagens que eles fizeram são agora um registro raro como a própria espécie, que tem população estimada em apenas 50 animais. Como me disse a Luthiana Carbonell, bióloga do IMA que estava junto na empreitada:

- Nós, catarinenses, temos o dever moral de preservar o Preá-de-Moleques do Sul , que é patrimônio natural de toda a humanidade.

Cadê o sol?

Dias de chuva, na medida certa, são ótimos para a agricultura e reservatórios de hidrelétricas. Também para ficar em casa vendo filmes e comendo bolinhos. Mas os dias chuvosos foram péssimos para um programa que dependia de saídas para o mar no rumo de muitas ilhas.

A partir de setembro, o tempo no Litoral meio que fechou a cara e apertou como um torniquete o cronograma de gravações. Um problema real, já que boa parte das histórias que planejamos contar dependiam da chegada da primavera. Foi o caso dos menores golfinhos do Brasil, as toninhas da baía da Babitonga, em São Francisco do Sul. São tão furtivas que os pesquisadores a chamam de “golfinho invisível”.

Nossa melhor chance era gravá-las de cima, com o drone. A proximidade da primavera era promessa de sol e de água mais clara na baía. Mas este é o mundo perfeito dos nossos desejos. Na prática, foram seis saídas na lancha com os pesquisadores do Projeto Toninhas. Cinco delas com céu carrancudo. Foi o mundo real nos dizendo: é o que tem pra hoje!

E no final , as imagens ficaram lindas.

Quem nos der a honra na sexta-feira de ver o Globo Repórter do Litoral Catarinense pode ter certeza de que esta equipe tentou o melhor debaixo de sol e de chuva. Foi com este espírito que passamos dias a fio na barra de Laguna registrando a fascinante parceria de homens e botos na pesca da tainha e que fomos a Bombinhas ouvir as histórias do mestre Naro.

Aos 95 anos, ele é o decano dos pescadores catarinenses e o dono da “Aventureira”, uma canoa de um pau só do tempo em que Dom João VI mandava nestas bandas. Bombinhas, por sinal, tem o maior acervo do Brasil de canoas feitas com apenas um tronco, herança milenar dos indígenas. A maior parte delas vem do garapuvu, árvore símbolo da cidade e também de Florianópolis.

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Mestre Naro, de Bombinhas, é um dos personagens especiais da reportagem
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Quem vive no Litoral sabe que ela floresce de novembro a dezembro. Basta olhar para os morros. As flores amarelas cobrem a ampla copa da árvore. O garapuvu se torna um buquê gigante aberto pro céu. Presente da natureza no auge da primavera. Que este Globo Repórter seja assim para o público.

*Texto de Ricardo von Dorff

Na TV

> Globo Repórter do Litoral Catarinense 

> NSC TV

> Data: 3 de dezembro

> Horário: após a novela Um Lugar ao Sol

> Programa pode ser assistido no Globoplay

O melhor do Estado para o Brasil ver

O Globo Repórter é uma oportunidade ímpar de mostrar, para todo o Brasil, o que Santa Catarina tem de melhor. Nossas belas paisagens, nossa natureza, nossas tradições, nossa cultura, nossa gente, nossa qualidade de vida.

Percorremos o Vale Europeu, uma região rica em sabores e em hospitalidade, que se estende por 49 municípios. Em Pomerode, a cidade mais igualitária do Brasil, conhecemos dona Hanna, mestre na arte de fazer cucas, uma das delícias criadas pelos descendentes dos colonizadores alemães.

Pedalamos pelo primeiro circuito de cicloturismo do país. No caminho, havia muito para mostrar: casas em estilo enxaimel, lindas cachoeiras, charmosas pontes cobertas e o surpreendente “pequeno paraíso” criado pelo seu Paulo Notari. Uma legião de anjos que parecem guardar a estradinha de chão lá no interior de Rodeio.

Pouco tempo depois do programa, seu Paulo, ele próprio, virou anjo.

Aventura inédita na Serra Catarinense

Em 2019 embarcamos em uma aventura por um pedaço da Serra desconhecido até para os catarinenses. A equipe da NSC TV foi a primeira a fazer a travessia dos 70 quilômetros do Campo dos Padres. Região de imponentes monumentos naturais e cânions grandiosos.

Seguimos para o sem fim de colinas verdes da Coxilha Rica, no interior de Lages. A imensidão só é cortada pelas taipas, grandes muros de pedra que serviam como uma espécie de estrada para os tropeiros que tocavam o gado entre o Sul e o Sudeste do país. Cem quilômetros desta testemunha da passagem do tempo ainda marcam a paisagem da coxilha.

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Trilha dos Índios, no Campo dos Padres, foi um dos pontos visitados pelo Globo Repórter há dois anos
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Um fato curioso é que os turistas estrangeiros descobriram o prazer de cavalgar pela região antes dos brasileiros e hoje são maioria entre os visitantes. O Estado é mesmo cheio de surpresas. Mostramos para o Brasil o raro mel de bracatinga, que não é feito a partir das flores e tem várias propriedades medicinais.

É daqui também a goiaba serrana, considerada uma das frutas do futuro. E dizer que ela saiu daqui pra fazer sucesso em outros países, como a Nova Zelândia, por exemplo. Como se vê, ainda temos muito a descobrir e valorizar na nossa rica e bela Santa Catarina.

*Texto de Margarida Santi

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