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    Redução de distanciamento, frio e acidentes: como Florianópolis chegou a 85% de ocupação dos leitos de UTI

    Redução do isolamento durante avanço da covid-19, período de mais doenças respiratórias e aumento de acidentes de trânsito explicam alta nas internações em terapia intensiva

    30/06/2020 - 05h30 - Atualizada em: 30/06/2020 - 10h44

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    Por Jean Laurindo
    Ocupação de leitos de UTI chegou a 85% nesta segunda-feira em Florianópolis
    Ocupação de leitos de UTI chegou a 85% nesta segunda-feira em Florianópolis
    (Foto: )

    O aumento da taxa de ocupação de leitos de UTI em hospitais de Santa Catarina elevou também a preocupação dos catarinenses com o avanço do novo coronavírus no Estado. Em Florianópolis, este índice chegou a 84% no domingo, e segue aumentando.

    Na tarde desta segunda-feira (29), o número já estava em 85,96%. Eram apenas 32 leitos disponíveis, entre os 235 existentes na cidade, todos do Sistema Único de Saúde (SUS), segundo o Covidômetro, da prefeitura de Florianópolis. Desse total, 170 leitos estavam ocupados por pacientes e 31, indisponíveis, por estarem desativados, reservados ou em higienização.

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    Dos 170 pacientes em UTI, 10 são moradores de Florianópolis com diagnóstico positivo para covid-19, mas há ainda pacientes de outras cidades da região internados por coronavírus, em quantidade que nem prefeitura, nem Estado souberam informar até a noite desta segunda-feira. O município também não informou quantos pacientes estão internados por outras enfermidades.

    A situação motivou uma reunião nesta segunda entre a Associação Catarinense de Medicina (ACM), os secretários de saúde do Estado e do município e diretores de hospitais da Grande Florianópolis. O encontro debateu possíveis alternativas como a abertura de novas vagas e o tratamento precoce, com acompanhamento de pacientes com casos mais leves em casa para “liberar” leitos de internação aos pacientes mais críticos.

    O momento atual é bem diferente de praticamente um mês atrás. No início de junho, Florianópolis completava 33 dias sem mortes por coronavírus, fato que levou a capital catarinense a ganhar destaque nacional no combate à Covid-19.

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    Confira abaixo alguns fatores que causaram a escalada de internações em UTIs em SC nas últimas semanas:

    Redução do isolamento

    O secretário de Saúde de Florianópolis, Carlos Alberto Justo da Silva, afirma que um dos motivos do aumento de ocupação de UTI é o comportamento de duas semanas atrás, quando houve forte diminuição do isolamento social na cidade. No fim de semana passado, praias e locais de lazer registraram ampla movimentação de pessoas, e na última semana a prefeitura decretou novas medidas restritivas como o fechamento de bares e restaurantes para atendimento presencial à noite e aos fins de semana.

    Na última semana, quando anunciou novas medidas restritivas, o prefeito Gean Loureiro afirmou que a medida ocorria porque as cidades da região registravam aumento na taxa de transmissão da covid-19.

    Aumento de casos de Influeza e SRAG

    Outra razão que explica o aumento nas internações em UTIs são os atendimentos por gripe, causada por vírus do tipo Influenza, e por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Segundo o presidente da Associação Catarinenses de Medicina (ACM), Ademar José de Oliveira Paes Jr., explica que historicamente essa época do ano é quando os hospitais de SC mais recebem procura de pacientes com essas doenças. Segundo ele, pacientes com esses quadros também podem estar tendo uma sobreposição com infecção por covid-19, elevando a procura por atendimento.

    – Estamos entrando nas semanas que têm pico de Síndrome Respiratória Aguda, um período que costuma durar mais cinco ou seis semanas – alerta o médico.

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    Mais acidentes de trânsito

    O secretário de Saúde de Florianópolis, Carlos Alberto Justo da Silva, também aponta que nos hospitais com pronto-atendimento da Grande Florianópolis houve atendimento de vítimas de acidentes de trânsito.

    – Os acidentes levam a internações e a uma necessidade de UTI durante um longo período de tempo – afirma o secretário.

    O presidente da ACM complementa que esse aumento de acidentes também é reflexo da maior circulação de pessoas nas ruas, em um momento que deveria ser de isolamento.

    – Se as pessoas começam a sair, viajar, passear, aumenta o número de acidentes, muitos deles casos graves, envolvendo motos, já que os serviços de entrega continuam funcionando. São acidente que também disputam leitos de internação e UTI – pontua.

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    Dados do Estado mostram “folga” maior de vagas nas regiões

    Apesar da preocupação com a alta da ocupação na Capital, dados do governo do Estado divulgados nesta segunda-feira (29) mostravam um cenário com uma “folga” maior na taxa de ocupação dos hospitais nas regiões.

    Na região da Grande Florianópolis, que considera também leitos de hospitais de São José, o boletim diário do governo do Estado desta segunda-feira apontava ocupação de 62,03%. A taxa é menor do que a ocupação somente do município, de 85%, divulgada ao longo do dia pela prefeitura.

    Sobre essa divergência, a prefeitura informou que isso ocorre porque o sistema do governo do Estado considera "livres" os leitos em higienização, desativados ou reservados pelo sistema, enquanto o município considera leitos vagos somente os que efetivamente estão disponíveis para internação imediata.

    Assim, o Estado consideraria haver 90 leitos livres na Grande Florianópolis, enquanto o município informava ter 32 vagas de UTI disponíveis no município nesta segunda-feira.

    Segundo o boletim do Estado, eram 47 pacientes internados em UTI por covid-19 e 100 por outras enfermidades, de um total de 237 leitos disponíveis na região da Grande Florianópolis.

    Sul tem maior taxa de ocupação, segundo o Estado

    Na divisão por macrorregião de saúde, a região Sul é a que tem maior ocupação, com 76,71% de leitos de UTI destinados a pacientes internados. No Planalto Norte e Nordeste, a taxa é de 70,34%. A média geral no Estado nesta segunda-feira era de 65,96% de ocupação dos leitos de UTI.

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