Mais de R$ 100 mil desapareceram do valor de mercado de alguns SUVs vendidos no Brasil em um intervalo de aproximadamente três anos. Entre os modelos analisados, a desvalorização nominal chegou a 39,1%.

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Levantamento do NSC Total comparou preços sugeridos ou anunciados publicamente pelas fabricantes em 2023 com os valores registrados na Tabela Fipe de julho de 2026. Foram consideradas exatamente as versões e os anos-modelo disponíveis naquele período.

Quatro dos cinco veículos são híbridos. Além da perda natural provocada pela idade, esses modelos enfrentaram reduções nos preços dos carros novos, chegada de versões atualizadas e uma disputa cada vez mais agressiva entre as montadoras.

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É importante destacar que este não é um ranking de todos os SUVs vendidos no país, mas um recorte com cinco modelos conhecidos que apresentaram perdas expressivas. Os cálculos também não consideram inflação, financiamento, opcionais ou descontos concedidos pelas concessionárias.

1. Caoa Chery Tiggo 8 Pro PHEV: perda de R$ 105.570

Tiggo 8 Pro PHEV: SUV de sete lugares reúne conjunto híbrido plug-in e ampla cabine (CAOA Chery, divulgação)

O Caoa Chery Tiggo 8 Pro PHEV aparece na primeira posição do levantamento. Em 2023, o SUV híbrido plug-in de sete lugares teve preço anunciado de R$ 269.990. Em julho de 2026, a versão 2023 estava avaliada em R$ 164.420 pela Tabela Fipe.

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A diferença chega a R$ 105.570, correspondente a uma desvalorização nominal de 39,1%.

O resultado coloca o modelo pouco à frente do BYD Song Plus. Nesse intervalo, o Tiggo 8 passou por promoções, reduções de preço e atualizações de linha, movimentos que podem pressionar a cotação dos exemplares usados.

Apesar da perda elevada para o primeiro proprietário, a queda também torna o SUV mais acessível no mercado de seminovos. O modelo oferece conjunto híbrido plug-in, sete lugares e uma extensa lista de equipamentos por um valor próximo ao de SUVs compactos novos.

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2. BYD Song Plus: perda de R$ 102.933

BYD Song Plus: Híbrido plug-in ajudou a ampliar a presença da BYD no mercado brasileiro (BYD, divulgação)

O BYD Song Plus custava R$ 269.990 em 2023. Na consulta referente a julho de 2026, a versão ano-modelo 2024 aparecia na Tabela Fipe por R$ 167.057.

Com isso, o SUV perdeu R$ 102.933, equivalente a 38,1% do valor usado na comparação.

O Song Plus foi um dos modelos responsáveis por ampliar a presença dos híbridos plug-in no mercado brasileiro. A própria BYD, porém, passou a adotar uma estratégia agressiva de preços, além de apresentar atualizações e novas versões em intervalos curtos.

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Quando um veículo zero-quilômetro recebe descontos ou passa a custar menos, o usado precisa acompanhar o movimento para permanecer atraente. Quem procura um seminovo, por outro lado, pode encontrar um modelo equipado e eletrificado por um preço muito inferior ao cobrado no começo de sua trajetória no Brasil.

3. Jeep Compass Série S T270: perda de R$ 78.468

Jeep Compass Série S: Versão topo de linha do SUV médio aposta em acabamento esportivo e pacote tecnológico (Jeep, divulgação)

Nem mesmo um dos SUVs médios mais conhecidos do país escapou de uma queda considerável. O Jeep Compass Série S T270 tinha preço sugerido de R$ 230.990 em março de 2023. Em julho de 2026, a unidade ano-modelo 2023 estava cotada em R$ 152.522.

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A diferença é de R$ 78.468, o que representa uma desvalorização nominal de aproximadamente 34%.

O Compass enfrentou uma transformação importante no segmento durante esse período. SUVs chineses híbridos chegaram com alto nível de equipamentos, enquanto a própria Jeep lançou novas linhas, condições promocionais e versões com preços reposicionados.

Mesmo assim, o Compass permanece com ampla presença no mercado brasileiro, rede extensa de concessionárias e grande oferta de peças e serviços. Essas características podem facilitar a revenda, embora não impeçam a queda expressiva no valor.

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4. GWM Haval H6 Premium PHEV: perda de R$ 73.547

Haval H6 PHEV: Modelo híbrido plug-in da GWM se destaca pelo desempenho e pela lista de equipamentos (GWM, divulgação)

O GWM Haval H6 Premium PHEV foi lançado por R$ 269 mil em março de 2023. Pouco mais de três anos depois, a versão 2024 aparecia na Tabela Fipe de julho de 2026 por R$ 195.453.

A perda nominal ficou em R$ 73.547, equivalente a 27,3%.

O percentual é elevado, mas menor que os registrados por Tiggo 8 Pro PHEV, Song Plus e Compass Série S. O Haval também é o único dos quatro primeiros a permanecer acima de R$ 190 mil na Fipe utilizada no levantamento.

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Com potência próxima de 400 cv, tração integral e sistema híbrido plug-in, o modelo conserva uma proposta de desempenho que ainda o diferencia de boa parte dos concorrentes.

5. Toyota Corolla Cross XRX Hybrid: perda de R$ 44.870

Corolla Cross XRX Hybrid: SUV híbrido da Toyota combina proposta familiar com tecnologia eletrificada (Toyota, divulgação)

A Toyota fecha a lista com a menor desvalorização entre os cinco modelos analisados. O Corolla Cross XRX Hybrid tinha preço de R$ 210.990 em 2023. Na Tabela Fipe de julho de 2026, a versão 2024 estava avaliada em R$ 166.120.

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A redução foi de R$ 44.870, correspondente a 21,3%.

Embora perder mais de R$ 40 mil não seja pouco, o Corolla Cross preservou proporcionalmente mais valor. A reputação da Toyota, a procura no mercado de usados e a tecnologia híbrida já conhecida no país ajudam a explicar a diferença.

O resultado também mostra que a eletrificação, sozinha, não determina a velocidade de desvalorização. Histórico da marca, demanda pelo modelo, estabilidade dos preços do zero-quilômetro e confiança do consumidor podem pesar tanto quanto o tipo de motorização.

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Por que SUVs híbridos podem perder tanto valor?

A rápida evolução tecnológica é um dos fatores que atingem os veículos eletrificados. Em poucos anos, novas gerações podem chegar com baterias maiores, mais autonomia, desempenho superior e equipamentos que não estavam disponíveis nos primeiros modelos.

Também existe o efeito das reduções de preço. A entrada de novas marcas e o aumento da concorrência levaram fabricantes a conceder descontos, reposicionar versões e lançar modelos por valores abaixo dos inicialmente praticados.

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Esse movimento beneficia quem está comprando um carro novo, mas pode gerar perda imediata para quem já possui uma unidade. Se o zero-quilômetro fica mais barato, o seminovo precisa cair para manter uma distância de preço considerada atraente.

Valor da Fipe não é necessariamente o preço da revenda

A própria Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas explica que a Tabela Fipe representa preços médios para pagamento à vista no mercado nacional e funciona como parâmetro para negociações e avaliações. O valor efetivo pode variar conforme região, conservação, quilometragem, cor, acessórios e demanda por cada veículo.

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Por isso, dois SUVs do mesmo ano e da mesma versão podem ser anunciados por valores diferentes. Um carro com baixa quilometragem, revisões comprovadas e bom estado de conservação tende a ser negociado acima de outro com histórico desconhecido ou reparos pendentes.