Uma decisão recente do governo dos Estados Unidos acendeu o sinal de alerta máximo nos bastidores do governo federal e pode colocar em xeque o funcionamento do Pix no Brasil. A administração de Donald Trump classificou oficialmente duas facções criminosas brasileiras como organizações terroristas globais. O movimento, que parece apenas geopolítico, traz um risco severo e inédito ao sistema financeiro brasileiro devido às rígidas regras internacionais de conformidade bancária. O grande temor do Ministério da Fazenda é que os mecanismos antiterrorismo do Departamento de Justiça norte-americano criem uma onda de desconfiança internacional sobre as transações digitais do país.

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Em entrevista à Rádio CBN, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, exemplificou o pior cenário: se houver qualquer alegação de que um banco brasileiro abriga contas ligadas a essas facções, o Tesouro dos EUA pode sancionar a instituição. Na prática, isso poderia impedir o banco de operar com o Pix, sob o argumento de que a ferramenta estaria sendo usada para lavar dinheiro de terroristas.

O precedente mexicano e o fantasma das sanções

A preocupação do governo não é um mero exercício de suposição. O Ministério da Fazenda relembra o que aconteceu recentemente no México, onde o Departamento de Justiça dos EUA usou justamente a justificativa de vínculos com o terrorismo para determinar o fechamento de três bancos locais.

Para o governo brasileiro, o Pix se tornou o maior símbolo de soberania financeira do país e não pode ficar refém de narrativas externas que tentam associar a agilidade e a gratuidade do sistema ao crime organizado. Os bastidores políticos indicam que o tensionamento tem raízes comerciais e eleitorais. Segundo a Fazenda, denúncias sem fundamento sobre o suposto uso descontrolado do Pix por facções foram levadas a técnicos americanos por opositores, servindo de munição para ameaças descabidas de novos “tarifaços” comerciais contra o Brasil.

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O governo brasileiro defende que o combate ao crime organizado deve ocorrer por cooperação de inteligência, e não por meio do sufocamento da infraestrutura de pagamentos de empresas e famílias.

A estratégia de blindagem do governo federal

Para conter os danos e neutralizar os riscos econômicos, o Planalto montou uma ofensiva diplomática e técnica baseada em três frentes de atuação imediata:

  • Diálogo com Washington: contatos diretos com autoridades americanas para detalhar a alta capacidade de rastreamento do Banco Central.
  • Alinhamento com o mercado: conversas com o empresariado e bancos locais para calibrar a defesa do sistema financeiro nacional.
  • Combate integrado: intensificar parcerias bilaterais focadas em inteligência financeira contra o crime organizado.

A ordem do executivo é blindar a soberania e assegurar a continuidade do ecossistema de pagamentos instantâneos. O governo reforça que o nível de excelência da engenharia financeira do Brasil já é reconhecido no exterior — e que o país não aceitará intervenções que limitem a inovação tecnológica e a segurança das transações locais.

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*Com edição de Luiz Daudt Junior.