Santa Catarina registrou a terceira maior disparada de desmatamento de Mata Atlântica no país entre os meses de outubro de 2021 e de 2022, em que 1.041 hectares do bioma foram abaixo. A área derrubada no período equivale a 1.458 campos de futebol.

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Os dados de desmatamento foram identificados a partir de imagens de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão federal que acompanha o tema, e divulgados em relatório da Fundação SOS Mata Atlântica publicado nesta quarta-feira (24).

No intervalo de 12 meses imediatamente anterior ao analisado pelo estudo, entre os meses de outubro de 2020 e 2021, haviam sido desmatados 750 hectares do bioma em Santa Catarina. Ou seja, houve alta de 39% para período mais recente.

Apenas a Paraíba (65%) e o Espírito Santo (42%) tiveram disparada maior de derrubada da Mata Atlântica na comparação dos dois períodos.

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Em números absolutos, o desmate em Santa Catarina foi o quinto maior do país, atrás do Mato Grosso do Sul (1.115 ha), Paraná (2.883 ha), Bahia (5.719 ha) e Minas Gerais (7.456 ha).

Santa Catarina é o quarto estado do país com maior área de Mata Atlântica de pé (2.181.393 ha), o equivalente a 22,8% do território total do estado.

Uma primeira versão do relatório identificava erroneamente em parte do texto que o desmate em Santa Catarina teria diminuído, embora indicasse aumento em uma tabela presente no mesmo documento. Após contato do NSC Total, a SOS Mata Atlântica reconheceu o erro e confirmou ter ocorrido alta do desmatamento no estado.

Queda no país, mas a patamar “inaceitável”

No Brasil todo, o desmatamento da Mata Atlântica caiu 7% de um período a outro, indo de 21.642 ha na dobradinha 2020-21 para 20.075 ha no intervalo entre os meses de outubro de 2022 e 2023.

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Apesar da queda, a SOS Mata Atlântica afirma que o patamar de desmate é “inaceitável”: “Esta situação está na contramão de estudos internacionais que apontam a Mata Atlântica como um dos biomas prioritários no mundo para ser restaurado, considerando sua contribuição para a conservação da biodiversidade e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas”, escreveu no relatório.

Governo de SC diz não ter tido acesso a estudo

Em nota, o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA-SC) e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Economia Verde, ambos sob gestão Jorginho Mello (PL), informaram não terem tido acesso ao estudo, para checagem da metologia utilizada.

“Não é possível concluir, portanto, se o desmatamento apresentado pelo relatório é somente aquele considerado ilegal ou se se foram incluídos também os autorizados ou ainda aqueles provenientes de silvicultura”, alegaram no comunicado.

O relatório tem, no entanto, consulta aberta através do portal da SOS Mata Atlântica. Além disso, ele leva em conta o desmatamento de áreas de mata com ao menos três hectares e que não tenham sinais de degradação — ou seja, os remanescentes maiores, mais bem conservados e com maior biodiversidade —, que correspondem a 12,4% de toda a Mata Atlântica que já cobriu o país.

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Ainda que não tenham feito consideração específica sobre o relatório, os órgãos estaduais enumeraram ações tomadas sobre o tema, como o fato de terem desenvolvido um programa inédito para monitorar o desmatamento ilegal, o Sistema Integrado de Monitoramento e Alertas de Desmatamento (Simad).

O IMA-SC e a secretaria também afirmaram mobilizar diversos projetos e parcerias para a preservação da vegetação nativa no estado, como incentivar a criação das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNEs) e inventariar as florestas catarinenses a partir do Projeto FlorestaSC.

Leia a nota do governo de SC na íntegra

“O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Economia Verde não tiveram acesso, ainda, ao relatório citado e à metodologia utilizada. Não é possível concluir, portanto, se o desmatamento apresentado pelo relatório é somente aquele considerado ilegal ou se se foram incluídos também os autorizados ou ainda aqueles provenientes de silvicultura.

Contudo, relatamos nosso trabalho de combate ao desmatamento ilegal, um dos fatores que impactam diretamente nesta questão em todo Brasil. Uma das ações do Instituto do Meio Ambiente (IMA) foi o desenvolvimento do Sistema Integrado de Monitoramento e Alertas de Desmatamento (SIMAD) que já está atuando de forma efetiva contra crimes ambientais em Santa Catarina.

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O programa é inédito no estado e um dos mais inovadores do país, por utilizar imagens de satélite para comparar locais em diferentes períodos, mostrando o histórico da vegetação. Se há supressão de vegetação, por exemplo, o próprio sistema verifica se aquela supressão possui autorização de corte ou se foi clandestina.

O sistema identifica, por meio de imagens orbitais de alta resolução, a diferença de cobertura vegetal ocorrida mensalmente em todo território catarinense. São avaliados mosaicos com até 4,7 metros de resolução espacial disponibilizados pelo programa NICFI, em parceria com ao governo da Noruega.

O IMA desenvolve, ainda, diversas ações, projetos e parcerias para preservação da Mata Atlântica como o incentivo a criação das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNEs), além de administrar 10 unidades de conservação estaduais de proteção integral onde a biodiversidade é estudada e conservada.

Além disso, o Instituto é um órgão que fiscaliza, e dentro das suas atribuições impõem medidas administrativas e legais a quaisquer atos desta natureza sempre buscando preservar os recursos naturais no Estado.

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Em Santa Catarina, as Unidades de Conservação Estaduais protegem quase 118 mil hectares de áreas do Bioma Mata Atlântica, um dos mais ameaçados em todo o mundo. Elas abrigam mais de 30 espécies de aves e mamíferos ameaçados de extinção, conservam importantes mananciais de água de centros urbanos e oferecem atrativos ecológicos e turísticos como trilhas, cachoeiras, belas serras, lagoas e praias, além de proporcionar paisagens exuberantes.

O Estado de Santa Catarina, através da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e da Economia Verde tem desenvolvido, em parceria com outras instituições, o Projeto FlorestaSC (Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina), que tem por objetivo coletar informações atualizadas, detalhadas e confiáveis sobre a quantidade e qualidade das florestas em Santa Catarina. O projeto é executado a partir de três linhas de ação: (i) Inventário Florestal; (ii) Mapeamento da Cobertura Florestal e (iii) Educação Florestal.

Além disso, o projeto conta com monitoramento permanente, através do MonitoraSC realiza o inventário contínuo das florestas catarinenses para poder gerar informações atualizadas da condição de conservação/degradação das florestas do Estado a cada 5 anos.

Atenciosamente,
Equipe IMA e SEMAE

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