Uma semana após a revelação do áudio em que o senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para custear despesas do filme Dark Horse, a polêmica sobre a relação do presidenciável com o dono do banco Master continua rendendo versões e contradições.
Continua depois da publicidade
A novidade mais recente ocorreu nesta terça-feira (19), quando Flávio admitiu um encontro presencial com Vorcaro após ele ter começado a usar tornozeleira eletrônica, no fim do ano passado. Em uma semana, algumas reviravoltas e mudanças de versões nos protagonistas do caso chamaram a atenção de quem acompanha o desdobramento da relação entre Flávio e Vorcaro.
Confira abaixo algumas das contradições que cercam o caso:
Negação inicial de Flávio e omissão sobre Vorcaro
A primeira reação de Flávio Bolsonaro ao ser confrontado com o assunto ainda é lembrada por quem analisa o episódio. Questionado por um repórter do portal Intercept Brasil, que revelou o áudio e as conversas de Flávio e Vorcaro, em uma coletiva em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF) na quarta-feira da semana passada (13), o senador deu uma gargalhada e afirmou ser “mentira” que o filme sobre o pai, Jair Bolsonaro, teria sido bancado com recursos do Banco Master. Visivelmente desconfortável, Flávio chamou o jornalista de “militante” e encerrou a entrevista.
Horas, depois, no entanto, com a repercussão do caso, Flávio admitiu que havia feito contato com Vorcaro para pedir patrocínio ao filme, mas argumentou que os valores pagos por ele seriam “recursos privados” e que o contato teria sido feito antes de as denúncias sobre o banqueiro virem à tona. A conversa ocorreu um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez em operação da Polícia Federal.
Continua depois da publicidade
Veja fotos
Real papel de Vorcaro: intermediador ou financiador
Outra dúvida que ainda cerca o caso é o verdadeiro papel de Daniel Vorcaro no apoio ao filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Após a divulgação do áudio, Flávio admitiu que ele seria patrocinador do filme e teria pago cerca de 10 milhões de dólares (R$ 61 milhões) até maio do ano passado. A cobrança teria ocorrido após Vorcaro deixar de honrar os pagamentos, que poderiam totalizar até 24 milhões de dólares (R$ 134 milhões).
No entanto, a dona da produtora GoUp, responsável pelo filme “Dark Horse”, Karina Ferreira da Gama, afirmou nesta semana em entrevista à Globonews que Vorcaro teria apenas o papel de “intermediador” com outros financiadores do filme. Apesar disso, ela não afirmou quem seriam esses apoiadores. Disse apenas que após a prisão do banqueiro, os responsáveis pela produção precisaram buscar outros financiadores para concluir as gravações.
Destino do dinheiro
Outra incerteza que ainda cerca o caso é qual teria sido o destino do dinheiro. Segundo as conversas, Vorcaro teria pago R$ 61 milhões, mas nos dias seguintes à divulgação do áudio a produtora do filme, GoUp, negou ter recebido repasses de Vorcaro. O produtor-executivo do filme e deputado federal Mário Frias também afirmou que não houve “um centavo” do banqueiro na produção. Dias depois, no entanto, ele recuou e disse se referir ao vínculo jurídico da produção do filme, que seria com a empresa Entre Investimentos e Participações — que, no entanto, atuava em parceria com Vorcaro.
Continua depois da publicidade
Nesta semana, no entanto, a situação mudou. A produtora do filme admitiu que Vorcaro bancou mais de 90% do orçamento total do filme, que atualmente estaria em 13 milhões de dólares. Mário Frias também teve um áudio divulgado em que agradece Daniel Vorcaro e se compromete a mantê-lo atualizado sobre o avanço do filme.
Ainda assim, a produtora afirmou que todo o dinheiro para o filme chegou pelo fundo de investimentos Heavengate, que seria gerido pelo advogado Paulo Calixto, aliado de ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
O fato de o acordo inicial com Vorcaro prever o pagamento de 24 milhões de dólares (R$ 134 milhões) também chama a atenção, porque o valor é considerado alto para produções cinematográficos. A quantia é quase o triplo do utilizado para a filmagem de “Ainda Estou Aqui”, que conquistou o primeiro Oscar de Melhor Filme Internacional para o Brasil, em 2025, ao custo de R$ 45 milhões.
Papel de Eduardo Bolsonaro
Outra indefinição que envolve a polêmica na relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro é o papel de Eduardo Bolsonaro na captação de recursos junto ao dono do Banco Master. Inicialmente, Eduardo negou ter qualquer participação na negociação.
Continua depois da publicidade
Dias depois, no entanto, admitiu ter assinado um contrato na condição de produtor-executivo do filme, o que poderia lhe dar poder de gestão financeira do filme, e ter adiantado R$ 50 mil para pagamento de despesas iniciais que garantissem a contratação de um diretor de Hollywood. Depois disso, no entanto, segundo ele, deixou a função de produtor e qualquer outra relação com o filme. As despesas adiantadas por ele teriam sido reembolsadas.
Visita pessoal a Vorcaro
Outra contradição envolve a relação pessoal entre Flávio e Vorcaro. Inicialmente, Flávio disse não ter nenhuma relação pessoal com o fundador do Banco Master. Nesta terça-feira, no entanto, Flávio admitiu ter visitado o banqueiro após a primeira prisão dele, quando ele ainda utilizava tornozeleira eletrônica.
Segundo ele, o encontro teria ocorrido para “botar um ponto final” e para dizer ao empresário que se ele tivesse falado sobre os problemas enfrentados por Vorcaro e pelo banco, o grupo responsável pelo filme poderia ter ido antes atrás de outros investidores. O relato foi feito a deputados aliados em reunião nesta terça.
Qual o valor do filme
Outra interrogação que cerca o caso é o real valor do filme Dark Horse e a quantia bancada por investidores como Daniel Vorcaro. A produtora do filme revelou nesta semana que o orçamento executado até o momento foi de 13 milhões de dólares, valor do qual Vorcaro teria pago cerca de 90%. No entanto, o acordo inicial com o banqueiro previa o pagamento de 24 milhões de dólares (R$ 134 milhões), o que seria bem acima do orçamento inicial relatado e também de outras produções.
Continua depois da publicidade






