A queda na cotação do dólar, que voltou a ficar abaixo da marca simbólica de R$ 5 nesta semana após dois anos, produz efeitos na economia do país, incluindo Santa Catarina. Como a moeda americana é a padrão usada em compras e vendas de produtos para o exterior, uma redução brusca no câmbio pode mudar o cenário para alguns setores econômicos

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Entre os motivos da queda do dólar apontados por especialistas estão uma percepção de risco maior para investimentos no mercado norte-americano, já que o país está enfrentando altos custos com a guerra no Irã, e as altas taxas de juros do Brasil, que garantem boa rentabilidade e atraem investidores que buscam locais de estabilidade para destinar investimento. Esse cenário favorece países emergentes e atrai mais dólares para o Brasil, reduzindo o custo da moeda americana. Com esse contexto, há reflexos na economia catarinense em exportações, combustíveis, comércio e indústria. 

Como a guerra e o câmbio transformam o cenário dos supermercados

Exportações a salvo

O primeiro setor que vem à mente como possível área impactada por uma valorização do real frente ao dólar é o de exportações. Em Santa Catarina, esse segmento negociou R$ 12 bilhões nos três primeiros meses de 2026, puxado por produtos como carnes de aves, suína, soja e motores elétricos

O economista-chefe da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Pablo Bittencourt, explica, no entanto, que até o momento a queda do dólar abaixo de R$ 5 não tem afetado o desempenho das exportações catarinenses. O motivo é que o câmbio de países concorrentes do mercado brasileiro e catarinense também tem se valorizado frente ao dólar, o que na prática mantém a competitividade dos produtos catarinenses para os países compradores. 

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Controle da inflação e combustíveis

Um efeito apontado da queda do dólar na economia do país e de Santa Catarina pode ser considerado positivo para os consumidores. Trata-se de um controle da inflação, já que atualmente os preços estão pressionados pela alta do petróleo e do diesel, combustível amplamente usado no transporte de mercadorias. 

Na prática, embora os preços dos combustíveis estejam aumentando no mundo, com o dólar mais barato os importadores brasileiros conseguem diminuir o preço de compra dos derivados do petróleo, amenizando pelo menos parcialmente o reflexo disso nos preços gerais. 

— Do ponto de vista setorial, os impactos são heterogêneos. Atividades intensivas em transporte, como logística e agronegócio, continuam sendo as mais pressionadas no curto prazo, devido à elevação direta dos custos com diesel, que tende a se propagar rapidamente, especialmente nos preços dos alimentos — aponta Bittencourt. 

Benefício ao comércio e varejo

Outro reflexo apontado pelo economista-chefe da Fiesc é um possível benefício ao comércio e ao varejo, que podem vir a oferecer preços menores aos consumidores com um dólar mais baixo. O impacto é previsto especialmente nos segmentos mais dependentes de itens importados, que ficam mais baratos com o dólar abaixo de R$ 5

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Investimentos em máquinas na indústria

Um último efeito citado pelo economista deve se confirmar caso a valorização do real frente ao dólar se mantenha nos próximos meses. Segundo ele, neste casos, setores que usam insumos, máquinas e equipamentos importados deverão ter uma melhora de custos, já que as compras de itens importados ficarão mais baratas. 

— Isso pode favorecer decisões de investimento e ampliar a capacidade produtiva ao longo do tempo — projeta.