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    Eleições 2020 terão menos eleitores jovens em SC; educação política é chave para engajamento

    Número de pessoas com 16 e 17 anos, faixa etária de voto facultativo, será 38% menor do que em 2018; pandemia e distanciamento de partidos influenciam, dizem especialistas

    06/09/2020 - 07h00 - Atualizada em: 06/09/2020 - 18h04

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    Por Jean Laurindo
    SC terá queda de 38% entre eleitores de 16 e 17 anos nas eleições 2020
    SC terá queda de 38% entre eleitores de 16 e 17 anos nas eleições 2020
    (Foto: )

    As eleições 2020 em Santa Catarina terão o menor número de eleitores com 16 e 17 anos das últimas votações. SC tem neste ano 22,4 mil eleitores desta faixa etária, quando o voto ainda é considerado facultativo.

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    O número é 38% menor do que o total de 36,3 mil votantes com 16 e 17 anos que o Estado tinha dois anos atrás, em 2018. Em comparação com as últimas eleições municipais, em 2016, o número cai para menos da metade. Na última escolha de prefeitos e vereadores, SC tinha 65 mil eleitores deste grupo etário, o que representa uma redução de 65,5% frente ao número deste ano. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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    Segundo o IBGE, SC tem hoje 187 mil pessoas com idade entre 16 e 17 anos. Assim, o número de jovens deste grupo aptos a votar representa apenas 12% do total desta faixa etária no Estado. O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) diz que não é possível apontar um motivo específico, mas admite que um dos fatores que pode ter impactado na redução de eleitores de 16 e 17 anos foi o fechamento dos serviços presenciais de emissão do título por causa da pandemia do novo coronavírus.

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    Cenário atípico pode ter impacto na renovação

    O professor de Administração Pública e coordenador do programa de extensão Educação e Cultura Política da Udesc Esag, Daniel Pinheiro, também aponta a pandemia como uma barreira para a emissão do primeiro título pelos eleitores jovens este ano. Além disso, trouxe outras preocupações que dividiram espaço com o processo eleitoral. A própria dúvida sobre a realização ou não das eleições seria um fator de desestímulo.

    – Esse ano os políticos estão mais fora de cena. Em anos comuns, é normal que em abril e maio, períodos finais de renovação do título, os candidatos já estejam em précampanha, indo atrás de pessoas, e esse ano isso não ocorreu – avalia o professor.

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    Pinheiro diz que o cenário atípico das eleições deste ano interrompe um crescimento no envolvimento de eleitores jovens que vinha ocorrendo no país nos últimos anos. Um exemplo disso seriam os movimentos de renovação política surgidos após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

    – Isso dá uma pausa no processo. Daqui a dois anos talvez tenhamos uma retomada. O teste do Bolsonaro vai ser ali, tende a ser uma eleição polêmica, e talvez isso chame não só o jovem, mas o eleitorado em geral – pontua Pinheiro.

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    Estruturas partidárias restritas

    O cientista político e professor da Univali, Eduardo Guerini, considera limitada a participação dos jovens nos partidos tradicionais, e diz que o envolvimento que ocorre é mais disperso, pelas redes sociais – individual ou em grupos com visões semelhantes. Segundo ele, a estrutura da maioria dos partidos não está aberta para os jovens, o que resulta em uma falta de representatividade da juventude nas câmaras e no Executivo.

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    – Subverter isso só é possível com abertura dos partidos. O desbloqueio das estruturas partidárias, a oxigenação das escolhas dos dirigentes, a vinculação de cotas representativas nas direções partidárias e o lançamento de candidaturas com cotas, como já existe para as mulheres e devemos ver com os negros. É necessário que na democracia representativa todos os grupos sociais tenham voz e vez. Isso só é possível através das estruturas partidárias, mas elas estão hoje bloqueadas à participação – avalia Guerini. 

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    Educação política é decisiva para engajamento

    Na faixa do voto facultativo, o número de eleitores pode até ter caído, mas a representatividade do eleitor considerado jovem vai muito além desta faixa etária. SC tem mais de 1,1 milhão de eleitores de 16 a 29 anos aptos a votar em novembro, o que representa quase um quarto total de votantes do Estado (22,7%). Para que esse eleitorado jovem se engaje mais com a política, a educação nesta área é considerada a principal estratégia.

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    Três ambientes costumam ser decisivos para essa educação política, explica o professor Daniel Pinheiro: escola, família ou igrejas e instituições que o jovem frequenta.

    – São instituições que formam os valores, e política é isso, a troca de valores, o debate de ideias. Se você tem um comportamento de influência ao longo da vida, com formação política na escola ou uma família mais voltada a essas discussões, tem tendência maior (de se envolver). Mas a dificuldade muitas vezes é que não há um processo formal de educação política – aponta Pinheiro. 

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