Uma das rivalidades mais famosas do mundo corporativo ficou ainda mais evidente nas últimas semanas. Os bilionários americanos Elon Musk, da SpaceX, e Jeff Bezos, dono da Amazon e da Blue Origin, intensificaram a disputa pelo controle da internet global por satélites – conexões de altíssima velocidade e estabilidade muito maior do que as redes convencionais atuais.
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Apesar de alguns sinais de trégua entre as disputas nos últimos anos, que teve elogios tímidos e até mesmo negócios entre as empresas dos bilionários, algumas iniciativas recentes tanto por parte de Elon Musk quanto de Jeff Bezos evidenciaram ainda mais a corrida entre os dois para assumir o controle da conexão de internet via satélites.
Entre lançamentos de novos produtos, anúncio de planos para um futuro próximo e até mesmo fusões de empresas, os bilionários – que possuem em comum a obsessão pelo espaço – mostram que, cada vez mais, vão fazer o que estiver ao alcance para assumirem a ponta dessa corrida que, não se pode ignorar, começa a ganhar a concorrência de iniciativas chinesas.
As movimentações recentes
Uma notícia na última semana não apenas movimentou o mundo corporativo, como despertou a atenção e a curiosidade dos amantes da tecnologia, da internet e também do espaço. Elon Musk anunciou a fusão entre duas de suas principais empresas: a SpaceX, fabricante de foguete, e a xAI, desenvolvedora de Inteligência Artificial. O objetivo: montar data centers no espaço e pavimentar ainda mais o caminho para a exploração humana da Lua e de Marte.
Algumas semanas antes, foi Jeff Bezos quem movimentou as peças no tabuleiro dessa intensa disputa espacial. A Blue Origin, fabricante de foguete focada em turismo espacial e que é de propriedade do bilionário, anunciou o projeto TeraWave, uma mega-constelação com mais de 5.400 satélites, que visam garantir conexões de internet ultrarrápidas e estáveis. De acordo com a empresa, os equipamentos devem começar a serem lançados para o espaço em meados de 2027.
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A iniciativa também representa uma nova frente de atuação da Blue Origin. Antes, a empresa tinha dois focos claros: a exploração lunar e o turismo espacial. Com o lançamento do projeto TeraWave, a Blue Origin volta as atenções também para o mercado de conectividade.
A disputa entre Elon Musk e Jeff Bezos
A corrida espacial entre Elon Musk e Jeff Bezos se tornou ainda mais evidente – e intensa – com as iniciativas recentes. O projeto TeraWave, por exemplo, é uma tentativa de Bezos de assumir o controle da conectividade global, que hoje está nas mãos da Starlink, braço da SpaceX que fornece internet via satélites.
Mesmo que o foco da TeraWave seja diferente da Starlink – enquanto a companhia de Musk é focada no consumidor final, o projeto de Bezos tem como alvo grandes corporações e entidades governamentais – é inegável a disputa e a concorrência entre as duas empresas.
O TeraWave não é o primeiro projeto de conexões de internet de Jeff Bezos. A Amazon já conta com o serviço e tem cerca de 3.200 satélites na órbita da Terra. O número, porém, é muito inferior aos da Starlink, que se aproximam dos 10 mil equipamentos.
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E essa diferença pode aumentar caso os planos de Elon Musk com o Satarship se concretizem. A SpaceX quer começar a lançar os foguetes reutilizáveis ainda em 2026. Esses foguetes podem levar até 60 satélites por viagem – capacidade 20 vezes maior do que o atual Falcon 9.
A meta de Musk é começar a lançar o Starship ainda esse ano, e com os satélites do Starlink V3, recém-desenvolvidos e que prometem conectividade de Gigabit, algo ainda não alcançado. Se os planos se confirmarem, a SpaceX vai mandar ao espaço, em um único lançamento, mais satélites do que a Amazon envia em praticamente um ano.
O efeito colateral
O avanço da tecnologia e a exploração espacial proporciona desenvolvimento extremamente benéficos para a vida em sociedade e até mesmo para a nossa rotina. Os satélites garantem conexão e ajudam inclusive a prever catástrofes climáticas – até mesmo a medicina se beneficia dos equipamentos. Mas o excesso deles em órbita é uma preocupação crescente entre os cientistas.
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O chamado lixo espacial representa um risco que merece atenção. Atualmente, são quase 13 mil satélites ativos na órbita da Terra. O número aumentou mais de dez vezes em relação ao ano de 2010, quanto havia cerca de 950 equipamentos no espaço, e vai se tornar ainda maior a cada ano, principalmente por meio da iniciativa privada, como as da empresa Amazon e da SpaceX.
Mas, quando esses equipamentos deixam de funcionar, eles permanecem no espaço, já que ainda é inviável recolhê-los. Muitos podem soltar peças e se desmontarem. Um pequeno fragmento ou parafuso viajando pelo espaço pode ter o impacto semelhante ao de uma granada caso atinja algum satélite ou, em um cenário ainda pior, uma sonda ou até mesmo uma nave tripulada de agências como a NASA.









