O empresário Thiago Miranda, responsável pela agência envolvida na contratação de influenciadores para uma campanha de “marketing de guerrilha” em defesa do Banco Master e contra a intervenção do Banco Central (BC) nas redes sociais, afirmou à coluna da Malu Gaspar, do O Globo, que também participou da articulação que resultou no investimento de R$ 62 milhões de Daniel Vorcaro no filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O empresário também é fundador e sócio do Portal Leo Dias.

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A informação que liga Vorcaro à família Bolsonaro foi divulgada nesta quarta-feira (13) pelo The Intercept Brasil. A reportagem trouxe mensagens trocadas entre o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Vorcaro, organizando encontros. Em uma das conversas, Flávio envia um vídeo do set de filmagens da produção.

Segundo Miranda, o montante inicialmente previsto era superior, mas os pagamentos foram interrompidos após a crise enfrentada pela instituição financeira. Ele também declarou que o nome de Vorcaro não seria divulgado como ligado ao longa.

Saiba mais sobre Daniel Vorcaro

Na véspera da primeira prisão do banqueiro, em 16 de novembro, Flávio Bolsonaro enviou um áudio cobrando valores pendentes. “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, diz a mensagem.

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De acordo com Thiago Miranda, o projeto cinematográfico chegou até ele por meio do deputado federal Mario Frias (PL-SP), que buscava apoio financeiro para viabilizar a produção.

— Eu tive uma reunião com o Mario Frias, que me apresentou o projeto. Conversei com vários empresários e mostrei pro Daniel [Vorcaro]. O Daniel falou: “Cara, eu tenho interesse, sim, em patrocinar”. Na verdade, não é patrocinar, é ser investidor. Levei pro Mario Frias, falei: “Olha, o Daniel vai entrar”. O contrato foi assinado — relatou ao blog da Malu Gaspar.

Miranda disse ainda que, naquele primeiro momento, não houve encontro entre Vorcaro e Mario Frias nem entre o banqueiro e Flávio Bolsonaro.

Posteriormente, segundo ele, ocorreu uma conversa com Flávio relacionada ao andamento do filme.

— O Flávio nunca ficou na frente do filme, né? Sempre foi o Mario Frias. Então acho que foi um encontro, eu não lembro, em algum lugar, não sei onde foi, que o Flávio perguntou: “Tá andando?, Tá andando. Tá tudo certo?, Tá tudo certo”. E só, assim, a gente não falou muito, o Flávio não se intrometia muito nessa parte do filme — afirmou.

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Miranda reforçou que o acordo firmado não era de patrocínio, mas de investimento, já que, segundo ele, existia a expectativa de retorno financeiro após a estreia do longa “Dark Horse”. O lançamento do filme está previsto para 11 de setembro deste ano, menos de um mês antes do primeiro turno das eleições presidenciais.