A Fundação Cacique Cobra Coral (FCCC) informou, na última semana, que cortou parcialmente as relações com os Estados Unidos após Donald Trump anunciar a tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros. Apesar da notícia ter repercutido nas redes sociais, essa não é a primeira vez que a entidade que “foi criada para minimizar catástrofes”, vira notícia pelo país. 

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Criada em 1931, com sede em Guarulhos, em São Paulo, a Fundação Cacique Cobra Coral diz ter a missão de “minimizar catástrofes que podem ocorrer em razão dos desequilíbrios provocados pelo homem na natureza”. 

A fundação ficou conhecida por manter contratos com alguns órgãos do estado brasileiro para intervir misticamente no tempo para não atrapalhar a realização de eventos importantes, como afastar a chuva no Rock In Rio, festival de música do Rio de Janeiro, ou no Réveillon. 

O grupo também foi convocado em 2008, na China, durante as Olimpíadas, para ajudar a reduzir a força dos ventos em Hong Kong e não cancelar as provas de hipismo. 

Nos Estados Unidos, onde a relação foi cortada parcialmente, a Fundação Cacique Cobra Coral conta que foi acionada em 2013 durante um período de estiagem. Na ocasião, o país norte-americano contratou a entidade para trazer chuva para a região, o que, de fato, aconteceu. 

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Suspensação parcial da assistência climática

Após anúncio do tarifaço de Trump, a fundação comunicou que suspendeu em 50% a assistência climática a empresas da Califórnia, Chicago, Nova Iorque, Meio Oeste Americano, Florida e outros.

A entidade afirma que atua no país norte-americano desde o governo de Ronald Reagan (1981–1989), “quando começamos a monitorar a Falha de St. Andreas na California. Como faz em outros 16 países e 3 continentes há quatro décadas”.

Em 2017, a fundação já havia anunciado um rompimento com os EUA após Donald Trump retirar o país do Acordo de Paris, rompendo o acordo global firmado em dezembro de 2015 com mais de 190 países para reduzir a emissão de gases que produzem o efeito estufa.

Entenda o tarifaço

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que serão aplicadas tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros a partir do dia 1° de agosto. A medida foi anunciada em uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), compartilhada na rede social Truth Social. 

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Na carta, Trump diz que “os 50% são muito menos do que seria necessário para termos igualdade de condições em nosso comércio com seu país” e que a taxação é necessária “para corrigir as graves injustiças do sistema atual”. Ele citou Jair Bolsonaro (PL) e disse ser “uma vergonha internacional” o julgamento do ex-presidente no Supremo Tribunal Federal (STF).

O americano afirmou, sem provas, que a decisão de aumentar a taxa sobre o país também foi tomada “devido aos ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e à violação fundamental da liberdade de expressão dos americanos”.

“[Isso ocorreu] como demonstrado recentemente pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil, que emitiu centenas de ordens de censura SECRETAS e ILEGAIS a plataformas de mídia social dos EUA, ameaçando-as com multas de milhões de dólares e expulsão do mercado de mídia social brasileiro”, escreveu o republicano.

Além disso, Trump determinou a abertura de uma investigação contra o Brasil por práticas comerciais “desleais ou injustas”. Segundo Trump, a investigação deve ocorrer por conta de “ataques contínuos do Brasil às atividades comerciais digitais de empresas americanas, bem como outras práticas comerciais desleais”.

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Após o anúncio, o presidente Lula afirmou que o Brasil “não aceitará ser tutelado por ninguém” e que o aumento unilateral de tarifas sobre exportações brasileiras será respondido com base na Lei da Reciprocidade Econômica. O petista declarou, ainda, que o processo judicial contra os envolvidos na tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023 é de competência exclusiva da Justiça brasileira.

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