Dois anos após os primeiros bugios-ruivos serem reintroduzidos na Ilha de Santa Catarina, o projeto de recuperação da espécie segue apresentando resultados considerados positivos pelos pesquisadores. Embora duas mortes tenham sido registradas desde a soltura, os primatas já voltaram a ocupar diferentes áreas da Ilha, dispersam sementes pela floresta e se consolidam como símbolo da conservação da Mata Atlântica.
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A reintrodução teve início em 4 de julho de 2024 e marcou o retorno do bugio-ruivo à Ilha de Santa Catarina após cerca de 260 anos de extinção local. A iniciativa foi conduzida pelo projeto Silvestres SC, liderado pelo Instituto Fauna Brasil, e representou um passo importante para restaurar uma espécie que havia desaparecido da região ainda no período colonial.
Segundo informações repassadas ao NSC Total pela bióloga Vanessa Kanaan, do Silvestres SC, o monitoramento dos animais continua desde a soltura. Na ocasião, foram soltas cinco famílias da espécie em áreas de mata no Parque Estadual do Rio Vermelho e no Monumento Natural Municipal da Lagoa do Peri, em Florianópolis.
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Veja fotos da família de bugios sendo solta na Ilha
Naturais da Mata Atlântica, os bugios-ruivos são uma das 25 espécies de primatas mais ameaçadas do mundo. Na Ilha de Santa Catarina, eles haviam sido registrados pela última vez em 1763, segundo um levantamento da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) com o Instituto do Meio Ambiente (IMA SC) e a Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram).
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Atualmente, estima-se que existam cerca de 14 bugios-ruivos vivendo em liberdade em Florianópolis, distribuídos em cinco grupos: três no Norte da Ilha e dois no Sul. Desde a reintrodução, foram confirmadas duas mortes e, até o momento, ainda não houve registro de nascimentos.
A expectativa da equipe é ampliar novamente a população ainda neste ano, com quatro animais que ainda estão em avaliação.
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— Estamos aguardando a autorização para receber novos bugios e realizar outras solturas — explica Vanessa.
O papel dos bugios-ruivos para a floresta
Além de representar uma conquista para a conservação, os bugios já começaram a exercer uma das funções ecológicas mais importantes da espécie: a dispersão de sementes.
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Os pesquisadores já registraram fezes contendo sementes em locais distantes da área onde os animais foram soltos, indicando que eles estão contribuindo para a regeneração natural da Mata Atlântica.
Esse trabalho é essencial porque os bugios ajudam a transportar sementes de diversas espécies de árvores ao longo da floresta, favorecendo o crescimento de novas plantas e a manutenção da biodiversidade.
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Espécie também ajuda a aproximar população da conservação
Para além do papel ecológico, o bugio-ruivo também passou a desempenhar outra função importante: a de espécie-bandeira.
Segundo Vanessa Kanaan, por ser um animal carismático e facilmente reconhecido pela população, ele desperta interesse nas ações de educação ambiental e nos eventos de monitoramento realizados por meio da ciência cidadã.
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Na prática, isso significa que o bugio funciona como um “embaixador” da conservação da Mata Atlântica, estimulando moradores e visitantes a se envolverem na proteção da fauna e das florestas.
Reaparecimento em Jaraguá do Sul trouxe esperança
Além da reintrodução na Ilha de Santa Catarina, outro registro recente chamou a atenção de pesquisadores e moradores. Em 8 de abril de 2025, um bugio-ruivo reapareceu em Jaraguá do Sul, anos depois de a população da espécie na região ter sido drasticamente reduzida pelo surto de febre amarela que atingiu Santa Catarina entre 2019 e 2021.
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O animal foi visto por moradores e teve a presença confirmada por especialistas. Na época, o biólogo Gilberto Ademar Duwe, diretor da Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente (Fujama), afirmou que esse foi o primeiro bugio-vermelho avistado na área urbana desde 2020, quando a disseminação de febre amarela extinguiu a espécie na região.
Giba, como é conhecido, ainda disse que surgiram relatos da aparição de bugios em cidades do Norte de Santa Catarina nos últimos anos, mas não houve confirmação. O biólogo ainda contou ao NSC Total que, antes da doença afetar a população de bugios, era muito comum encontrar um desses animais nas florestas e estradas rurais de Jaraguá do Sul.
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Veja fotos do bugio-ruivo em Jaraguá do Sul
Apesar de o reaparecimento representar um sinal positivo para a conservação dos bugios, Vanessa Kanaan ressalta que o projeto Silvestres SC monitora exclusivamente a população reintroduzida em Florianópolis. Por isso, não é possível relacionar diretamente esse registro ao projeto ou fazer uma avaliação sobre a situação da espécie em todo o Estado.
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