nsc
santa

Litoral Norte

Esquema milionário de produção de drogas sintéticas descoberto em SC abastecia o tráfico no Brasil

Quase R$ 1 milhão foi apreendido com os traficantes em megaoperação da Polícia Civil. Grupo era "altamente organizado", diz delegado.

16/04/2021 - 12h33 - Atualizada em: 16/04/2021 - 16h36

Compartilhe

Bianca
Por Bianca Bertoli
Drogas e dinheiro foram apreendidos no Litoral Norte
Drogas e dinheiro foram apreendidos no Litoral Norte
(Foto: )

Uma organização criminosa que produzia drogas sintéticas e as traficava do Litoral Norte de Santa Catarina a outros Estados do país foi desarticulada pela Polícia Civil. Mais de 100 mil comprimidos de ecstasy, entre outros entorpecentes, e quase R$ 900 mil em dinheiro foram apreendidos na ação que procura cumprir 39 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão nesta sexta-feira (16). A operação foi batizada de ‘@Express’.

> Foragido por matar médica em Itapema é encontrado na casa de nova namorada no RS

> Receba todas as notícias do Vale do Itajaí no seu WhatsApp. Clique aqui

Da região de Balneário Camboriú as drogas seguiam para diversos cantos do Brasil, como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Distrito Federal, contou o delegado da Divisão de Investigação Criminal da cidade, Vicente Soares, em entrevista coletiva no final desta manhã. Soares detalhou que apurou as suspeitas durante cerca de um ano e meio. No monitoramento feito, descobriu-se que os criminosos usavam empresas laranjas ou de fachada para comprar os produtos químicos necessários à fabricação de entorpecentes como ecstasy, LSD e skank.

— Era um grupo articulado, uns dos principais responsáveis pelo tráfico de sintéticos do Brasil — disse Soares.

No momento em que ele conversou com os jornalistas, 13 suspeitos haviam sido detidos. As equipes formadas por 170 agentes trabalham até o final do dia para cumprir as demais ordens judiciais. Eles foram a imóveis localizados em Balneário Camboriú, Camboriú, Itajaí, Laurentino e Curitiba, no Paraná.

> Lula e Hang vão ficar frente a frente na Justiça em Santa Catarina

> Médium escreve carta psicografada sobre Paulo Gustavo: mensagem seria de uma ancestral do artista

Modo de operar

Os compradores recebiam grandes lotes para revenda nos Estados. O grupo, que não é ligado a nenhuma facção criminosa, tinha as funções de cada integrante bem definidas. Soares classificou a organização em três escalões: primeiro, os líderes, que produziam as drogas, faziam as remessas para outros Estados e compravam os produtos necessários, tanto para a fabricação em si como para os laboratórios. Segundo, os que traficavam localmente (vendas “varejo”).

No terceiro escalão estavam os que serviam de laranjas, alugavam imóveis e auxiliavam na lavagem de dinheiro. A maioria dos criminosos já tinha passagens por crimes como tráfico de drogas. Alguns eram da mesma família. Outros, apenas amigos e comparsas.

> Mulher vestida de 'La Casa de Papel' assusta pedestre e motiva abordagem policial em Blumenau

> Quem era o motociclista que morreu após ser arrastado por caminhão em Jaraguá do Sul

A investigação

Soares começou a investigação depois de denúncias de que dois integrantes do bando estariam produzindo e traficando drogas. Porém, a história era maior do que se pensava. Com a quebra de sigilo fiscal e outros métodos, a equipe identificou a compra de produtos químicos e foi chegando aos suspeitos.

Alguns mentores do esquema foram presos durante os trabalhos, o que ajudou os investigadores a identificarem novas provas. No Distrito Federal, uma carga com 6 mil comprimidos de ecstasy foi interceptada no ano passado. A Polícia Civil constatou que, em média, eles eram capazes de enviar 50 remessas por mês. Cada uma levava de 5 mil a 6 mil comprimidos.

Mala encontrada em Itajaí
Mala encontrada em Itajaí
(Foto: )

Um laboratório foi encontrado em Camboriú durante as investigações, mas a Polícia Civil sabe que os pontos não eram fixos, já que o grupo mudava a localização da produção e por vezes mantinha mais de um ao mesmo tempo.

Recentemente um laboratório em Itajaí foi descoberto também. Nesta sexta nenhum foi encontrado. Os policiais localizaram as drogas e os suspeitos em imóveis utilizados para armazenamento, empresas laranjas de Camboriú e Balneário Camboriú e casas. Em um imóvel de Itajaí estavam em uma mala os quase R$ 900 mil.

Eles devem responder por tráfico interestadual de drogas, organização criminosa e possivelmente por lavagem de dinheiro. As investigações continuam.

Leia também

Eventos em SC podem voltar com festa sem dança e até dois músicos no palco; entenda proposta

Sobe para 322 o número de mortos na fila de espera por leitos de UTI em SC

Previsão do tempo indica tempo instável de sexta até domingo em SC

Colunistas