Um ano após polêmica, o ex-gerente Jair Aguiar busca derrubar o sigilo do processo contra o padre Fábio de Melo. O profissional de Joinville, no Norte catarinense, moveu com uma ação judicial contra o sacerdote após conflito na cafeteria Havanna — caso que repercutiu nacionalmente.
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Jair relata ao NSC Total que o processo foi colocado em segredo de Justiça de forma equivocada, por uma antiga advogada que o representava no início da ação.
— Acabou impedindo que a imprensa e a população tivessem acesso aos fatos completos e à minha versão da história. A falta de transparência nesse período continuam ampliando meus prejuízos pessoais, emocionais e profissionais. Por essa razão, estamos buscando a retirada do segredo de justiça, para que tudo seja conduzido de forma transparente, clara e acessível à população brasileira — diz.
Relembre o caso envolvendo o padre Fábio de Melo
Jair ainda conta que ficou meses sem trabalhar, após receber ataques por meio das redes sociais, e enfrentou dificuldades para obter o auxílio-doença. Uma perícia foi realizada após uma nova ação judicial ser movida por sua defesa.
— Ocasião em que o perito psiquiatra reconheceu minha incapacidade laboral e determinou meu afastamento até outubro de 2026 — relata.
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Procurada pela reportagem, a defesa do Padre Fábio de Melo não se manifestou até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.
Relembre polêmica em cafeteria
O caso teve início quando o padre Fábio de Melo usou uma rede social para afirmar que teria sido mal atendido pelos funcionários da cafetaria Havana, em Joinville. Segundo o relato, o valor da compra foi superior ao preço da prateleira.
— Fui para o caixa pagar e vi que o valor que estava sendo cobrado era muito maior do que a soma de dois potes com o preço que estava na estante. Muito educadamente, eu disse à moça do caixa: “Olha, a soma está errada, porque o doce de leite custa isso, dois potes, então o valor seria este”. Aí ela ficou “meio assim”, foi lá, viu. Ela falou: “Não, lá está errado”. E nisso, o gerente já se adiantou em ser extremamente deselegante, em dizer: “O preço está errado e é isso, se quiser levar, o preço certo é este” — contou na época.
O Padre ainda reclamou de como o gerente teria o tratado de forma arrogante no estabelecimento.
— Se você é gerente e está em uma situação embaraçosa, há uma forma de dizer isso com elegância. Poderia ter dito: “Olha, perdoe-nos o preço que está anunciado lá está errado, foi um erro nosso”. Aí, a depender de como ele quisesse conduzir a situação, ele poderia falar: “Mesmo que meu sistema não permita vender nesse preço, eu vou fazer aqui uma observação, você vai levar pelo preço que está anunciado. Não, não. Simplesmente uma postura arrogante — fala.
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O padre Fábio de Melo ainda afirmou que ninguém da sua equipe se alterou no estabelecimento e que tentaram resolver a confusão de forma pacífica.
Após repercussão nas redes sociais, a empresa afirmou, por meio de nota, que o funcionário havia sido demitido no dia 12 de maio de 2025, dois dias depois do acontecido.
Já o ex-gerente afirmou que sequer conversou com o padre dentro da loja. De acordo com ele, o sacerdote teria entrado na cafeteria e um homem da equipe do padre teria ido até o caixa com duas latas de doce de leite para questionar o preço. Na prateleira, segundo ele, os produtos estão precificados sem detalhamento do item na placa de valor.
— Tenho medo de que minha história seja lembrada apenas pela versão que contaram sobre mim, e não pela verdade que ainda luto para mostrar. Mesmo assim, sigo tentando permanecer de pé. Não busco vingança, busco justiça, busco verdade. Busco a oportunidade de voltar a viver com dignidade, de reconstruir minha vida e de ser enxergado não como um personagem de uma narrativa pública, mas como um ser humano que sofreu, resistiu e ainda espera ser ouvido — diz Jair.
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O caso acabou se tornando um processo judicial do ex-gerente contra o sacerdote. O caso tramita em segredo de Justiça.










