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Descoberta

Fósseis com 295 milhões de anos são encontrados em SC

Exemplares achados em Mafra são de conodontes, animais ancestrais dos peixes atuais

13/07/2021 - 09h09 - Atualizada em: 13/07/2021 - 12h42

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Por Anaísa Catucci
Fernanda
Por Fernanda Mueller
Reconstituição de animal conodonte; tamanho real de no máximo 4 centímetros
Reconstituição de animal conodonte; tamanho real de no máximo 4 centímetros
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Microfósseis de conodontes, considerados animais ancestrais dos peixes atuais, foram encontrados em Mafra, no Norte de SC. Os exemplares descobertos no local de pesquisas da Universidade do Contestado (UnC) atraíram o interesse de diversos pesquisadores brasileiros e até estrangeiros. 

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Os conodontes estão extintos, mas existiram há aproximadamente 295 milhões de anos em Santa Catarina. Atualmente, os estudos sobre esses animais possibilitam entender o clima e a biogeografia dos oceanos na Era Paleozoica, além de funcionar como uma importante ferramenta na datação de rochas sedimentares e na indústria do petróleo. 

Fóssil encontrado no Norte catarinense
Fóssil encontrado no Norte catarinense
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Ancestrais dos peixes atuais, os conodentes são classificados como cordados primitivos, vertebrados e agnatos (veja detalhes no infográfico mais abaixo). Muito possivelmente eram presas das diversas espécies de peixes que existiam no grande mar que cobria a região naquele tempo.  

Morfologicamente, eles eram muito parecidos com as enguias atuais, possuíam corpo alongado e tinham simetria bilateral. Estima-se que seus corpos tinham entre 2 e 3 milímetros de largura e 40 milímetros de comprimento, apresentavam barbatanas, olhos e dentes. São os dentes que formam os vestígios mais encontrados na região por serem estruturas mais resistentes. 

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Conodontes estão extintos, mas existiram há aproximadamente 295 milhões de anos em SC
Conodontes estão extintos, mas existiram há aproximadamente 295 milhões de anos em SC
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Fósseis na região de Mafra 

Conforme o coordenador do Centro Paleontológico, Dr. Luiz Carlos Weinschütz e o professor Everton Wilner, ambos da UnC, exemplares de conodontes já eram conhecidos desde 1908 (antes mesmo de Mafra existir), mas as pesquisas foram intensificadas desde 1990, quando foi criado o Centro Paleontológico da Universidade do Contestado. 

— Podemos destacar a ocorrência de 5 a 6 espécies de peixes paleoniscídeos, pelo menos uma espécie de tubarão, várias espécies de braquiópodes, esponja marinha, muitos insetos, amonites, fragmentos vegetais, microfósseis, entre outros. 

— A diversidade nos dá evidências de como seria a geografia e clima da região. Hoje uma das hipóteses é que na região existia um corpo d'água (grande mar continental) com pouca oxigenação, que ocupava áreas baixas e até possivelmente estruturas canalizadas tipo fiordes originados pela movimentação de geleiras deste período glacial — explicam os pesquisadores. 

Campaleo é um local de preservação de fósseis, onde foi feita a descoberta dos aparelhos alimentares de conodontes
Campaleo é um local de preservação de fósseis, onde foi feita a descoberta dos aparelhos alimentares de conodontes
(Foto: )

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Destaque internacional  

Os conodontes de Mafra não são os mais antigos conhecidos, mas chamaram a atenção de pesquisadores do mundo todo porque estão muito bem preservados, embora apenas o que seria o aparelho mastigatório deste animal tenha sido encontrado. 

— Não encontramos o resto do corpo porque seu esqueleto rudimentar era cartilaginoso e muito frágil, portanto difícil de preservar como fóssil. Mesmo assim, na região de Mafra já foram encontrados centenas de espécimes que hoje são objeto de pesquisas, inclusive são muito utilizados na pesquisa do petróleo por serem excelentes termo-marcadores. 

— Esses dentes sofrem alterações nas suas propriedades, principalmente na cor conforme o processo de transformação da crosta atua para formação das rochas (pressão e temperatura), este fóssil poderá nos trazer informações sobre os valores de temperatura atingidos na formação das rochas da Bacia Sedimentar do Paraná, e consequentemente indicar a possibilidade da formação de petróleo ou não na região — destacam os pesquisadores.

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