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    Gabriel Sara, de Joinville, o jogador que está crescendo no São Paulo

    Natural de Joinville, ele foi selecionado pelo Tricolor Paulista no início da adolescência

    10/10/2020 - 15h00

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    Cláudia
    Por Cláudia Morriesen
    foto mostra gabriel sara jogando
    Gabriel Sara se destacou nas partidas contra o Atlético Goianiense e contra o Santos
    (Foto: )

    Gabriel Sara saiu de Joinville com apenas 13 anos mas, até 2012, quem passava pelo campo do Fluminense do Itaum ou pelo gramado do Condomínio Guanabara podia vê-lo batendo bola, às vezes com outros guris; às vezes com o pai, e se destacando pelo estilo, pela destreza e pela vontade de continuar jogando mesmo depois de horas de treino. 

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    Agora, ele é um dos titulares do São Paulo, e vive os desafios de ser um jogador jovem em um time como o Tricolor Paulista. Nos últimos meses, foi alvo de críticas e até de torcida para que não fosse mais escalado, mas lavou a alma em partidas como da última quarta-feira, contra o Atlético Goianiense, no Morumbi.

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    — Quando as críticas aconteceram, há alguns meses, eu sofri junto. Mas falei para ele lembrar o porquê ele jogava quando era criança, e resgatar aquele futebol – explica a mãe, Viviane Sara, que ainda vive em Joinville com os outros três filhos e o marido, o ex-jogador do JEC Jorge Luís.

    Gabriel Sara ainda não tinha completado dez anos quando começou a chamar a atenção para o que fazia quando estava em campo. O pai, no entanto, já sabia antes mesmo de ele nascer que este seria o seu caminho e, por isso, não foi uma surpresa quando professores de escolas de futebol da região começaram a procurá-lo para oferecer vaga para o garoto. Mas Jorge foi o primeiro professor. 

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    — Eu dizia que ia ter filhos, e eles seriam jogadores de futebol. Era meu sonho — conta Jorge Luiz, ex-jogador profissional que chegou a Joinville em 1995 para assumir a ponta-direita do Joinville Esporte Clube.

    foto mostra gabriel sara jogando futsal em joinville
    Gabriel treinou futsal e futebol em Joinville quandro era criança
    (Foto: )

    Gabriel não tem memórias de uma vida sem futebol. O esporte estava presente nas partidas dos times que o pai ainda defendia no início dos anos 2000 e nas brincadeiras "de treinar" que Jorge tinha com os filhos, já em uma preparação para futuro. 

    — Trabalhava eles desde pequenininhos, mas o Gabriel era o que mais gostava. Mesmo depois de horas de treino, quando eu falava: "tá cansado, filho? Vamos parar?", ele sempre pedia para treinar mais — recorda o pai. 

    Aos 11 anos, já estava fazendo testes para os grandes clubes, mas o coração da mãe, Viviane, não permitiu que ele partisse antes que ela tivesse certeza de que era a hora certa. Em 2012, depois de passar por cinco etapas de avaliação para a base do São Paulo, chegou a hora de dizer aceitar o destino do filho. 

    — Pra mim, quando ele passou, veio um aperto no coração. O primeiro ano dele lá foi muito difícil, porque a gente não podia ficar indo sempre pra visitar nem ele tinha folga pra voltar pra casa — conta Viviane.

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    foto mostra gabriel com outras crianças em joinville
    Aos 13 anos, ele saiu de Joinville para treinar em São Paulo
    (Foto: )

    Passos largos

    Gabriel também não esconde: quando a segunda semana longe de casa chegou ao fim, bateu a saudade e a vontade de chorar. O sonho de jogar futebol, no entanto, falou mais alto. Depois que começaram as vitórias pela base e ele passou a ser apontado como uma das promessas de Cotia, onde está instalado o Centro de Formação de Atletas do São Paulo, mais forte do que a nostalgia estava a expectativa do que ainda estava por vir. 

    Conquistou o Campeonato Paulista Sub-15 e o Sub-17, a Supercopa do Brasil Sub-20 e a Taça Belo Horizonte de 2016. No ano passado, a Copa São Paulo de Juniores foi a última antes de subir para o profissional. Em 2020, foi um dos escolhidos pelo técnico Fernando Diniz para subir ao time profissional, como titular no Campeonato Brasileiro, decisão que não agradou a torcida. Nas redes sociais, esse descontentamento foi mostrado sem perdoar nenhuma falha do jovem jogador. 

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    — A gente costuma achar que toda crítica é ruim. Mas pelo que eu estava apresentando em campo, as críticas não eram injustas. É claro, tem algumas coisas que as pessoas falam que são irrelevantes. Outras nos ajudam a crescer. E o professor (Diniz), o grupo, todo mundo me apoiou bastante — conta Gabriel. 

    A hora de lavar a alma veio na 10ª rodada do Brasileiro, no início de setembro. Em meio a uma fase ruim do São Paulo, Gabriel foi o destaque da partida ao salvar o time da derrota contra o Santos: ele fez dois gols e garantiu o empate. Dessa vez, seu nome subiu nas redes sociais para a ovação, e ele ganhou um apelido, "Mohamed Sara", em referência ao atacante do Liverpool. 

    Na partida desta semana, veio novamente a chance de mostrar o talento que já chamava a atenção nos campinhos da zona Sul de Joinville: cruzou para Brenner marcar o primeiro gol, fez o segundo de fora da área e deu assistência para o terceiro gol.

    Neste sábado, na partida contra o Palmeiras, ele não estará em campo: cumpre suspensão após o terceiro cartão amarelo, recebido no jogo contra o Atlético Goianiense. 

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