Após a Justiça decidir que parte dos bens da campanha Ame Jonatas fossem repassados para outra campanha social, os itens serão leiloados para custear os tratamentos da pequena Maria Amélia, uma criança de 3 anos, moradora de Araquari, que foi diagnosticada com mielomeningocele. O leilão já tem data para acontecer e entre os produtos estão garrafas de vinho, joias, eletrônicos e roupas.
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O repasse dos bens ocorre depois que os pais de Jonatas foram condenados por usar parte do montante arrecadado na campanha “AME Jonatas”, que beneficiaria o filho deles, para compra de serviços e bens de uso pessoal, que em nada se relacionavam ao tratamento médico.
Bruna Gisele das Neves, mãe de Maria Amélia, conta que já recebeu os itens e que, agora, fará o leilão em uma live do Instagram.
Além de Maria Amélia, a Organização Social Hospital Nossa Senhora das Graças, ou seja, o Hospital Infantil Dr. Jeser Amarante Faria, também foi beneficiada. A Justiça definiu que o veículo apreendido deverá ser enviado para venda antecipada, seja por meio de leilão ou venda direta. O valor arrecadado posteriormente deve ser doado à instituição.
Saiba quem deve receber os bens da campanha “Ame Jonatas” após determinação da Justiça
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Como vai funcionar o leilão dos bens da campanha Ame Jonatas
Bruna e uma equipe com outras pessoas estão organizando o leilão dos itens, que foi marcado para a próxima segunda-feira (14), às 19h30, no Instagram da Maria Amélia.
A mãe da criança explica que todos os produtos passaram por avaliações e pesquisa de preço para indicar as condições de uso e quanto deverá ser o lance inicial das peças.
— Eu fui buscar na semana retrasada [os itens]. Eles passaram por uma avaliação para sabermos o que é réplica, não é, o que é original, o que está funcionando ou dentro da validade. Tivemos essa preocupação para que seja tudo muito certo — afirma Bruna.
Durante a live do leilão, uma pessoa deve ficar responsável por explicar as especificações de cada item. Após o lance inicial, os internautas terão um minuto para lançar novos valores e o lance mais alto dado neste período deve levar o produto.
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— Sobre os valores, gente, todos esses itens, como eu mencionei, passaram por uma avaliação, a gente tem uma média de valores deles hoje em loja novos, os itens originais, perfumes que estão cheios, enfim. E também usados [consultamos] no Marketplace do Facebook e o OLX também foi pesquisado. Então a gente tem uma média de preço para cada item porque a gente precisa ter esse cuidado, são itens que têm valores [altos] — explica.
A mãe de Maria Amélia ainda conta que terá ajuda de outras pessoas para realizar o leilão. Enquanto uma pessoa apresenta os produtos, outra deve ficar responsável por cronometrar o tempo dos lances e, outra, por anotar os maiores valores. Bruna também cita que irão aceitar cartão de crédito para as compras.
Veja alguns itens que serão leiloados
- TV Samsung de 50 polegadas
- Triciclos elétricos
- Violão elétrico (sem autógrafo)
- Relógio dourado Technos
- Óculos de sol Ray-Ban
- Óculos de sol Evoke
- Jaqueta para motociclista
- Perfume Dolce & Gabbana
- Perfume Giorgio Armani
- Garrafas de vinho Prince de Richemont
- Caixa de som JBL
- Tênis Nike
- Ternos Raffer Cool
- Anel com pedraria
Ficou de fora do leilão
Ainda há itens que a família recebeu que ficaram de fora do leilão como, por exemplo, a guitarra autografada por Luan Santana e camisetas de times também autografadas. Segundo Bruna, por ser um item mais exclusivo que poderá ter um valor mais elevado, acabou optando-se pela rifa para que todos possam participar.
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— Isso precisa ser algo bem direcionado, então, vai ser feito uma rifa. Todo mundo vai poder ter acesso, claro, mas vai ser feito uma rifa do violão do Luan Santana e também as camisas dos times autografadas. A gente acaba tendo um um valor mais alto por se tratarem de bens autografados por pessoas famosas — comenta.
Outro item que não estará no leilão, mas foi recebido pela família, é um par de alianças da loja Big Ben. O produto foi levado para a joalheria que fará uma avaliação do bem e, por se tratar de algo mais exclusivo, com tamanho determinado, provavelmente a venda será feita através da própria loja, conta Bruna.
Os valores arrecadados pela família serão usados para custear o tratamento de Maria Amélia. Com apenas 24 semanas, ela foi diagnosticada com mielomeningocele, uma doença que atinge a espinha bídida. As vértebras da coluna não se fecham por completo e medula, raízes nervosas e meninge se projetam para fora, formando uma bolsa nas costas do bebê. Segundo informações do Hospital Santa Joana, crianças com a doença costumam ter dificuldade no desenvolvimento motor e neurológico.
Por que campanha solidária foi parar na Justiça?
O filho do casal tinha AME de tipo 1, o mais grave dentro do quadro da doença. Em março de 2017, os pais dele iniciaram a campanha nos moldes de várias outras que começaram no país desde que o medicamento Spinraza foi lançado, no fim de 2016.
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Com custo inicial de R$ 3 milhões, entre aquisição das primeiras doses e importação, o tratamento era considerado inovador por retardar os efeitos da síndrome. Durante a mobilização, o casal chegou a arrecadar mais de R$ 4 milhões, conforme a Justiça Federal.
Juiz reconheceu compra de bens de uso pessoal
Em sentença, o magistrado afirmou que os réus “utilizaram parte do montante arrecadado para compra de serviços e bens de uso pessoal, que em nada se relacionavam ao tratamento médio do infante”.
Segundo os autos, o casal administrava também uma rede de venda de camisetas vinculada a campanha, cujo lucro deveria ser revertido em prol da vítima. No entanto, mesmo que o dinheiro fosse usado para o menino, não justificaria o padrão de vida que a família levava, de acordo com o juiz.
— É de se observar, pelo relato da própria ré, que o faturamento da referida empresa não ultrapassou a quantia global de R$ 30 mil, tendo em vista que pouco tempo “durou no mercado”, distanciando-se, em muito, dos gastos efetuados pelos réus se formos levar em consideração somente os fatos narrados aqui no processo — afirmou.
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As sentenças dadas em 2024 somavam 60 anos de prisão para o casal. Sendo 22 anos para Aline e 38 para Renato. O filho do casal foi diagnosticado com Atrofia Muscular Espinhal (AME) em 2017, quando os pais deram início a uma campanha chamada “AME Jonatas” para arrecadação de recursos para o tratamento da criança. O menino morreu aos 5 anos, em janeiro de 2022, após uma parada cardiorrespiratória.
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