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O que é a cirurgia de redesignação sexual feita por gêmeas em clínica de Blumenau

Médico José Carlos Martins Junior explica disforia de gênero que resultou na realização dos procedimentos

12/02/2021 - 15h08 - Atualizada em: 12/02/2021 - 19h44

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Por Janaína Laurindo
Procedimentos cirúrgicos
A cirurgia de ambas durou 4h40min
(Foto: )

Já estão em recuperação as irmãs gêmeas, de 19 anos, que se submeteram nesta semana a cirurgia de mudança de sexo, no Hospital Santo Antônio, em Blumenau. Em um caso considerado raro na história da medicina, as duas que nasceram com o sexo biológico masculino realizaram a redesignação sexual no mesmo período.

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A cirurgia de ambas durou 4h40min, e foi comandada pelos médicos José Carlos Martins Junior e Cláudio Eduardo. Ambas começaram o tratamento hormonal com anticoncepcional por volta dos 15 anos e colocaram a prótese de silicone há dois meses. Embora tenham vivido o processo juntas, o médico Martins Júnior explica que não há nenhuma relação com componente genético ou hereditário.

— Não há nenhum estudo sério que comprove ou que possamos nos basear para que se faça esse tipo de relação — afirma.

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Como funciona a operação

A cirurgia de redesignação sexual é realizada em pacientes trans com disforia de gênero, onde o indivíduo sente um desconforto persistente com as marcas de gênero que remetam ao gênero atribuído ao nascer. Os médicos que realizaram os procedimentos nas irmãs, comandam em Blumenau a única clínica brasileira especializada em cirurgia trans e feminização facial.

— A disforia de gênero é um estresse, mal estar ou tristeza que a paciente sente ao entender que a maneira como ela se entende não é a maneira como ela se expressa fisicamente. É isso que faz com que elas busquem a cirurgia, muitas vezes, a qualquer preço, deixando de lado até a sua própria segurança e saúde. Quanto mais disfórica ela é, mais vulnerável ela fica a esse tipo de procedimento — alerta o médico José Carlos Martins Junior.

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O especialista esclarece que alguns cuidados exigidos pela Conselho de Medicina, como o acompanhamento prévio, de no mínimo um ano, com dois profissionais, psicólogo e psiquiatra, é fundamental neste processo, para evitar inclusive o arrependimento.

Após o procedimento cirúrgico, às gêmeas agora seguem internadas por sete dias, iniciando um processo de dilatação vaginal, que será necessário para o resto da vida, como explica o cirurgião.

— Para o resto da vida as pacientes terão que fazer dilatações simples que não comprometem sua vida ou a estigmatizam. Além disso, irão ter que fazer exame com endocrinologista porque os testículos são retirados e o especialista irá readequar o uso hormonal. Também precisam fazer acompanhamento ginecológico anualmente como qualquer outra mulher.

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