O governo dos Estados Unidos abriu uma ampla investigação para apurar possíveis práticas anticompetitivas na indústria de processamento de carne, atingindo algumas das maiores empresas do setor no mundo, incluindo gigantes brasileiras com forte ligação com o Oeste de Santa Catarina.
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O anúncio foi feito nesta segunda-feira (4) pelo Departamento de Justiça norte-americano. A apuração envolve companhias como JBS e a National Beef, controlada por um conglomerado formado pela Marfrig e BRF, grupos que têm origem e histórico de atuação ligados à região Oeste catarinense, além de empresas como Cargill e Tyson Foods.
O objetivo é verificar se houve violação das regras de concorrência, com eventual influência artificial sobre os preços da carne no mercado norte-americano.
A investigação ocorre em um cenário de alta nos preços da carne bovina nos Estados Unidos e redução do rebanho. Dados econômicos indicam que o valor da carne moída registrou aumento expressivo no último ano, o que ampliou a pressão sobre o setor e levantou questionamentos sobre a formação de preços.
De acordo com o Departamento de Justiça, o processo já está em estágio avançado, com a análise de cerca de 3 milhões de documentos e a realização de entrevistas com pecuaristas e produtores rurais. A expectativa é de que, ainda nesta semana, sejam anunciadas medidas ou acordos relacionados ao caso, que podem impactar também os mercados de frango, carne suína e peru.
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Autoridades norte-americanas têm destacado a forte concentração do setor. Segundo a secretária de Agricultura dos EUA, atualmente as maiores empresas controlam cerca de 85% do mercado de processamento de gado no país, um crescimento significativo em relação a décadas anteriores. Para o governo, esse nível de concentração pode limitar a concorrência e reduzir as alternativas para produtores, além de influenciar os preços ao consumidor.
Representantes da Casa Branca também mencionaram preocupações com o abastecimento interno e com a atuação das grandes companhias no mercado global. Há ainda críticas de que parte da produção estaria sendo direcionada para exportação, em detrimento da oferta interna, o que poderia pressionar ainda mais os preços nos Estados Unidos.
O tema já vinha sendo acompanhado pelo governo norte-americano desde o ano passado, após declarações públicas e análises solicitadas à indústria frigorífica. À época, as mesmas empresas já haviam sido citadas como foco de atenção das autoridades.
Após o anúncio da investigação, parlamentares norte-americanos manifestaram apoio à apuração, defendendo maior transparência no setor e condições mais equilibradas para os produtores rurais.
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Procuradas pelo UOL, JBS e o grupo formado por Marfrig e BRF informaram que não irão comentar a investigação neste momento. Já Cargill e Tyson Foods não se manifestaram até a última atualização.
A investigação segue em andamento e pode resultar em acordos, sanções ou mudanças regulatórias, dependendo das conclusões sobre a atuação das empresas no mercado.






