nsc
santa

Feminicídio

Homem que confessou matar companheira em Itapema segue foragido um ano após crime

Ireno Nelson Pretzel, 65 anos, matou a médica Lúcia Schultz em março de 2020

26/03/2021 - 12h22 - Atualizada em: 29/03/2021 - 09h10

Compartilhe

Catarina
Por Catarina Duarte
Ireno foi solto quatro meses após ser preso em flagrante pelo crime
Ireno foi solto quatro meses após ser preso em flagrante pelo crime
(Foto: )

Um ano após matar a companheira em Itapema, Ireno Nelson Pretzel, 65 anos, está foragido. Ele chegou a ser preso em flagrante, mas foi solto quatro meses após o assassinato que aconteceu na casa de férias do casal em março de 2020. Um novo mandado de prisão foi expedido pela Justiça em setembro, mas o representante comercial não foi mais localizado.

> Clique aqui e receba as principais notícias de Santa Catarina no WhatsApp

A pediatra Lúcia Schultz morreu aos 59 anos. A perícia concluiu que ela foi morta por estrangulamento. Ireno confessou a autoria do crime. A família da médica critica a demora no andamento do processo e ainda aguarda que a polícia localize o homem. Já a defesa espera uma decisão favorável do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre um habeas corpus requerido no ano passado.

A reviravolta judicial, a demora e a pandemia foram elementos determinantes para que um ano após a morte o réu confesso esteja solto. Num primeiro momento, Ireno foi preso preventivamente. Naquela ocasião já haviam medidas restritivas de combate à pandemia. A morte de Lúcia foi o primeiro feminicídio registrado em Santa Catarina durante a quarentena.

Prisão e liberdade provisória

Após matar a companheira com quem mantinha um relacionamento desde 2013, Ireno foi até a casa de um filho em Gaspar. A cidade fica distante mais de 30 quilômetros de Itapema. Quem comunicou a Polícia Militar sobre o crime foi um genro do homem. O idoso foi preso em flagrante horas depois ao retornar ao local apartamento onde o assassinato aconteceu.

> Como a pandemia mudou o combate ao feminicídio e à violência doméstica em SC

A prisão foi convertida em preventiva dois dias depois e o homem ficou preso na Unidade Prisional de Itapema até junho. O mesmo juiz que determinou sua prisão em março entendeu após os depoimentos que a liberdade de Ireno não “representava risco à ordem pública”.e que não haveria perigo de "reiteração dessa prática delituosa”.

O juiz pontuou também a idade do réu e o risco de transmissão do coronavírus como fatores para a soltura.

Demora

A prisão preventiva só foi restabelecida 60 dias depois da soltura. A filha da médica, Juliana Mattos, reclama da demora para que o processo tivesse andamento. Ela diz que por vezes ligou para a polícia e para as instâncias judiciais que dariam andamento ao caso. 

Apediatra Lúcia morreu aos 59 anos
Apediatra Lúcia morreu aos 59 anos
(Foto: )

— Demorou treze dias após a decisão do tribunal para o juiz determinar que se expedisse o mandado de prisão e aí demorou 14 dias para o cartório expedir o mandado. Eu consigo compreender alguma demora, mas essa demora para prender um homem que confessou. [...] Isso é um absurdo — diz Juliana.

> Casal que fez sexo em público no Caixa d’Aço depõe e pede desculpas

A reportagem questionou o MPSC sobre a demora no pedido de prisão de Ireno, mas não obteve retorno até o fechamento do texto.

A polícia fez buscas em endereços indicados por Ireno como sua residência, mas ele não foi localizado e segue foragido.

O advogado de defesa Alex Blaschke diz que seu cliente não se apresentou ainda porque não foi tecnicamente intimado e que aguarda ainda a decisão do STJ. Blaschke contesta que o crime seja um feminicídio e busca que o caso seja tratado como homicídio simples.

> Imbituba terá praias fechadas e toque de recolher no feriadão de Páscoa

— Nós entendemos que para ser considerado feminicídio tenha que ter um histórico de abuso, da pessoal se mostrar agressiva. [...] O casal não tinha histórico. Se você olhar o facebook dos dois era uma maravilha — afirmou Blaschke.

Família relata abusos

Diferente da versão da defesa, a família de Lúcia enxergava abusos no relacionamento do casal. Juliana conta que se sentia a mãe sufocada no relacionamento e que Ireno tentava controlar os passos da companheira.

— Ele cercava ela. Uma vez ela relatou para mim uma sensação de sufocamento com isso. Foi num momento que ele saiu para fazer uma volta. Ela respirou fundo e disse ‘ufa’ — comenta.

> Governo de SC altera decreto com medidas restritivas; veja mudanças

Juliana conta ainda que mãe não acreditava que Ireno pudesse a agredir Lúcia achava dizia que o relacionamento entre os dois acabaria caso houvesse uma agressão.

— Eu li para ela uma lista com sinais de relacionamento abusivo e disse que tinha medo pelos próximos passos. Ela parou a conversa e disse que ele não faria isso. Que se ele ousasse levantar a mão para ela não teria volta — relatou.

Em homenagem a Lúcia, o Sindicato dos Médicos de Santa Catarina (Simesc) lançou uma campanha de conscientização sobre a violência contra a mulher.

Leia mais:

Vacinação da Covid em SC: locais, fases de aplicação, idades e tudo sobre

Mulher crente fica furiosa ao descobrir chocolate chamado Feitiçaria e joga toda a caixa fora

Novo decreto de Joinville muda toque de recolher; confira horários de estabelecimentos

Colunistas