O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (3), durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, que foi surpreendido pelos Estados Unidos com as propostas de novas tarifas sobre os produtos brasileiros. O presidente brasileiro afirmou, ainda, que o Brasil “não pode aceitar o tratamento que os EUA deu” ao país nesta semana.

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Depois da ameaça de imposição de um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, o Brasil pode ser incluído em uma nova lista de países taxados pela suposta falha no combate ao trabalho escravo, com mais 12,5% sobre os itens produzidos em território brasileiro, segundo anunciado pelo governo americano.

Lula afirmou que não foi comunicado oficialmente sobre as propostas e que está surpreso.

— A nossa luta é para que esse país não seja tratado em nenhum momento como se fosse uma republiqueta insignificante. Nós temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deu ao Brasil nesta semana. Não é possível — disse.

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Propostas em encontro presencial

O presidente também afirmou que fez uma proposta, quando se encontrou com o presidente dos Estados Unidos, para que houvesse mais tempo para negociações, e que, agora, pretende enviar uma nova carta a Trump.

— Eu propus ao Trump, já que não tem acordo entre os dois ministros, vamos dar 30 dias para que os dois se entendam. Se o Brasil estiver errado, eu sei voltar atrás, mas se vocês estiverem errados, vocês voltam atrás. Essa reunião ainda não aconteceu — esclareceu.

Sem citar nome, Lula disse, também na reunião, que há pessoas “tentando trair o país” com interesses “rasteiros” de uma disputa eleitoral, e que nunca se negou a negociar com os Estados Unidos sobre tarifas comerciais.

— Estão tentando trair o Brasil com interesses mesquinhos, interesses rasteiros, de uma disputa eleitoral. E não há disputa eleitoral, em qualquer país do mundo, que possa dar valor a alguém que trai a pátria. Alguém capaz de vender o seu país por interesses mesquinhos deles — afirmou.

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Tarifas fazem parte de uma investigação

As tarifas fazem parte de uma recomendação preliminar para a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. A medida faz parte da investigação aberta com base na chamada Seção 301 da legislação comercial dos EUA, instrumento utilizado para apurar práticas consideradas desleais por parceiros comerciais.

Entre os pontos questionados pelos norte-americanos estão políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico — incluindo o Pix —, propriedade intelectual, tarifas comerciais, combate à corrupção, produção de etanol e políticas ambientais.