O presidente Lula detalhou a reunião com Trump, nesta quinta-feira (7), em coletiva de imprensa logo após o encontro. O encontro discutiu comércio, tarifas, cooperação no combate ao crime organizado e terras raras, entre outros assuntos.

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— Eu saio daqui com uma ideia de que nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica que nós temos com os Estados Unidos — avaliou Lula, no início da fala.

Lula disse que os Estados Unidos pararam de investir no Brasil e o espaço foi ocupado pela China.

— Disse ao presidente Trump de que é importante que os Estados Unidos voltem a ter interesse nas coisas do Brasil. Por exemplo, eu disse para ele que muitas vezes nós fazemos licitações internacionais para fazer uma rodovia, uma ferrovia, e os Estados Unidos não participam da licitação, quem participa são os chineses — disse Lula.

O brasileiro voltou a citar a “química” com Trump e citou “amor à primeira vista”.

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A nossa relação é muito boa, uma relação que pouca gente acreditaria que pudesse acontecer com tanta rapidez. (…) Sabe aquela história de amor à primeira vista, aquele negócio da química? Foi isso que aconteceu, e eu espero que continue assim — comentou.

Facções brasileiras não entraram em pauta

Lula disse que também discutiu crime organizado com Trump:

— Resolvemos discutir aqueles assuntos que pareciam tabus (…) Eu disse para ele que nós estamos dispostos a construir um grupo de trabalho com todos os paises da América do Sul, da america Latina e quiçá todos os países do mundo para que a gente possa combater o crime organizado. Não é a hegemonia de um país ou de outro querer combater o crime organizado.

O presidente afirmou ainda que não discutiu a situação das facções brasileiras serem declaradas como grupos terroristas, possibilidade levantada nos Estados Unidos.

— Não discutimos facção criminosa e terrorismo com o presidente Trump, partindo dele falar de alguma facção no Brasil — afirmou Lula.

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Mudanças na ONU

Lula falou com Trump sobre mudanças no Conselho de Segurança da ONU:

— A geopolitica de 2026 não é a geopolítica de 1945 — pontuou, depois de criticar vetos de membros do Conselho de Segurança a intervenções em conflitos armados.

“Relação sincera”

Questionado sobre a possibilidade de Trump tentar interferir nas eleições brasileiras, o presidente Lula afirmou que “não admite interferência de quem quer que esteja de fora”.

— Eu penso que nossa relação com o Trump é uma relação sincera […] eu tenho razões para acreditar que o Trump gosta do Brasil. Quero que ele saiba que nós brasileiros temos interesse de fazer os melhores acordos com os EUA.

Reunião durou três horas

Lula chegou à Casa Branca pouco depois do meio-dia, no horário de Brasília. Foi recebido por Trump em um tapete vermelho, com um rápido cumprimento antes de entrar no edifício-sede do governo americano. Na sequência, Lula e Trump se reuniram e almoçaram juntos.

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A reunião, inicialmente prevista para durar 30 minutos, acabou demorando cerca de três horas. Por volta das 15h15min, Lula deixou a Casa Branca sem falar com jornalistas junto com Trump, como estava previsto inicialmente.

Lula chegou à Casa Branca pouco depois do meio-dia, no horário de Brasília. Foi recebido por Trump em um tapete vermelho, com um rápido cumprimento antes de entrar no edifício-sede do governo americano. Na sequência, Lula e Trump se reuniram e almoçaram juntos.

Segundo encontro de Lula e Trump

Esta foi a segunda vez em que Lula e Trump conversaram presencialmente em uma agenda oficial. O primeiro encontro público ocorreu em uma conferência na Malásia, em outubro do ano passado. A reunião ocorreu meses após Trump anunciar um tarifaço de 50% sobre produtos exportados brasileiros, em medida que teve recuos para alguns setores nos meses seguintes, após interlocução do governo federal com os EUA.

A relação entre Trump e Lula começou a ser construída após os dois se encontrarem rapidamente nos corredores da conferência da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, em setembro do ano passado. Na ocasião, Trump disse ter tido uma rápida conversa com Lula e falou que teria surgido uma “boa química” entre os dois.

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A conversa ocorreu em um momento crítico em razão do tarifaço e também de sanções a autoridades brasileiras anunciadas pelos Estados Unidos, com base na chamada Lei Magnitsky — restrições que também tiveram recuos meses depois. Desde o primeiro encontro, a relação se fortaleceu com telefonemas dos dois presidentes, recuos nas medidas do tarifaço e anúncios de cooperação na área de segurança pública.