Quase sete meses depois da entrada em vigor do tarifaço de 50% dos Estados Unidos contra o Brasil, que começou em 06 de agosto de 2025, a Suprema Corte dos Estados Unidos anunciou sua decisão sexta-feira (20) que considerou ilegal taxações do presidente Donald Trump para o mundo. O governo americano revidou com nova taxa geral de 15% a partir desta terça-feira (24) e análise da organização independente Global Trade Alert apurou que o Brasil será o país mais beneficiado, com redução de 13,6% da tributação média.

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Apesar da mudança, a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) informou que acompanha o assunto com atenção, que a incerteza em negociar com os EUA continua e que mantém o conselho para as indústrias do estado de que é preciso diversificar mercados.  

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos considerou que somente o Congresso do país pode legislar sobre relação comercial internacional. Assim, a Justiça americana antecipou decisão que o setor empresarial catarinense esperava em acordo na visita do presidente Lula a Trump no mês que vem.  

Essa mudança melhora o cenário para o setor exportador de Santa Catarina, em especial para as indústrias, tanto as de madeira e móveis, que sofrem mais, quanto grandes companhias metalmecânicas como a WEG,  Tupy, Nidec e Schulz. Outros setores de SC que exportam aos Estados Unidos também terão alívio tarifário.

A nova taxa média de 15% poderá vigorar por 150 dias (cinco meses) e depois pode ser renovada. Apesar de elevada, representa um alívio para a indústria brasileira. Isso porque o país enfrenta a tarifa mais alta e injusta por uma retaliação política sem precedentes do governo americano. Segundo o estudo da Global Trade Alert, a nova tributação pune mais países amigos dos Estados Unidos, principalmente os europeus. A China deve ser favorecida com uma redução tarifária média de 7%.

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A Fiesc considerou positiva a derrubada das tarifas pela Suprema Corte, mas a entidade divulgou nota alertando que a reação com nova taxa evidencia a determinação da administração Trump de manter a cobrança.

– São decisões que aumentam a insegurança nos negócios com os Estados Unidos – afirmou o presidente da Federação, Gilberto Seleme.

A presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc, Maria Teresa Bustamante, destacou que a federação segue apoiando a indústria catarinense na busca da diversificação de mercados no exterior.  

Depois de anunciar a taxa de 10% e subir para 15% com base na Seção 122, que é uma lei específica para comércio exterior, Trump anunciou que o governo americano continua fazendo análises com base na Seção 301, para as economias do Brasil e da China. O governo americano está avaliando práticas que envolvem desde serviços de pagamentos eletrônicos, até proteção de propriedade intelectual e desmatamento ilegal, entre outros.  

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A mudança de taxação que entra em vigor nesta terça-feira vai favorecer os negócios em andamento com os Estados Unidos. Mas tudo indica que as empresas catarinenses serão mais cautelosas na retomada das exportações ao mercado americano depois de tudo o que aconteceu.

Isso porque todos estão convencidos de que as incertezas vão continuar pelo menos até o final do mandato de Trump, que será em janeiro de 2029.   

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