A mãe do menino Bernardo Pabst, uma das vítimas do ataque a creche em Blumenau, fez um desabafo nas redes sociais após a prefeitura anunciar o fim da vigilância armada nas unidades de ensino do município. O contrato com a empresa responsável pelo serviço, a Orcali, foi rompido após uma investigação sobre corrupção vir à tona.
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O prefeito Egidio Ferrari disse nesta segunda-feira (8) que serão contratados porteiros por seis meses e, então, analisado o resultado do modelo. A previsão é de que até o início de 2027 todas as escolas e creches tenham acesso com reconhecimento facial, câmeras e catracas.
Para Jennifer Pabst, a decisão foi um “soco no estômago”, como descreveu em um vídeo publicado após a coletiva de imprensa ser feita pela prefeitura para comunicar a novidade. Ela e o marido fizeram parte de uma comitiva que foi a Brasília duas semanas depois do ataque para pressionar por medidas governamentais de reação ao assassinato das quatro crianças.
— É impossível eu não ficar revoltada, indignada. Nós fizemos nossa parte, vocês roubaram o dinheiro e agora querem tirar a nossa segurança tão lutada? — disse Jennifer durante o desabafo.
À época, com a comoção do ataque cruel, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, anunciou que o Governo Federal repassaria ao menos R$ 150 milhões aos estados e municípios, por meio do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), para apoio às polícias militares e guardas municipais.
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Na opinião da mãe de Bernardo, o rompimento do contrato é compreensível diante do escândalo da investigação, mas o esperado por ela e outros pais era de que uma nova empresa assumisse a segurança.
— Quanto vale a vida dos seus filhos? Vão permitir que a roubalheira resulte na falta de segurança? — questionou.
O ataque
Bernardo Pabst da Cunha tinha quatro anos no dia do ataque à creche Cantinho Bom Pastor, em 5 de abril de 2023. Além dele, Bernardo Cunha Machado, 5 anos, Larissa Maia Toldo, 7, e Enzo Marchesin Barbosa, 4, também foram mortos. Outras cinco crianças ficaram feridas.
O autor do ataque foi condenado a 220 anos de prisão por quatro homicídios e cinco tentativas de homicídio. Em março deste ano, o assassino ainda foi condenado a mais três anos de prisão por esfaquear o cachorro de um familiar, crime cometido meses antes do massacre.
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Corrupção na segurança das escolas
O contrato da segurança das escolas e creches de Blumenau foi pano de fundo para uma operação do Gaeco há um mês. De acordo com o Ministério Público de Santa Catarina, a empresa Orcali teria recebido informações sigilosas dos valores das concorrentes e, assim, oferecido a melhor proposta. Com isso, assumiu o serviço milionário desde então nas unidades de ensino do município.
Tida como um dos núcleos centrais da investigação, conforme descreveu o Gaeco, a dispensa de licitação para contratar os serviços de vigilância armada e desarmada nas escolas após o ataque a creche gerou um efeito dominó que teria beneficiado uma única empresa, a Orcali.
Com a comoção da tragédia e a insegurança que tomou conta dos pais dos pequenos, a prefeitura se organizou para contratar vigilância em tempo recorde. Promotor do caso, Marcionei Mendes conta que ao menos um servidor comissionado do alto escalão e um ex-secretário com influência no governo se reuniram com representantes da empresa para combinar o valor que deveria ser oferecido para que ela ganhasse das demais.
Assim, o contrato de R$ 9 milhões foi possível. Um aditivo acrescentou R$ 4 milhões ao total e, no final de 2023, houve uma licitação para que o serviço de segurança continuasse a ser prestado nas escolas. Mais uma vez, o servidor teria aproveitado o cargo privilegiado para conferir os valores das empresas concorrentes, criar maneiras de excluir algumas e supostamente beneficiar a vencedora, que foi escolhida por R$ 42 milhões.
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Responsável pelo serviço desde então, as equipes da Orcali deixarão as unidades de ensino ainda neste mês.

