Mayanna Angelina Rodgers, mãe do menino morto por não dar “bom dia” ao pai, tinha uma conversa marcada com a direção da escola de seus filhos para a última quinta-feira (9). O menino teve a morte cerebral confirmada um dia antes, em 8 de julho. O caso ocorreu em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
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A reunião iria ocorrer após a direção da escola notar que as crianças usavam roupas inadequadas para o frio, demonstravam fome excessiva, eram muito quietas e isoladas, além de terem comunicação limitada, pois só falavam inglês, mesmo tendo nascido no Brasil. Dandre Jermaine Grayson, pai do menino e preso pelas agressões, é americano.
A conversa seria acompanhada por funcionários do Centro de Referência Especializado de Assistência Social. Segundo apurado pela Zero Hora, a família foi visitada pela equipe da Assistência Social apenas uma vez, mesmo com vários alertas registrados pela própria rede de proteção.
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— Com certeza, está errado. O que talvez tenha dificultado a interpretação dos técnicos é que várias vezes, depois das tentativas frustradas, no dia seguinte ele [Dandre, o pai do menino] ia falar com os técnicos e estava tudo normal, tudo bem e fazia relatos de forma consistente. Ele inclusive participava desde o final o final de janeiro de um grupo de trabalho de prevenção ao trabalho infantil — afirmou o secretário Henrique Noronha.
Veja fotos da família
Assistência Social viu “organização familiar adequada” ao visitar casa
Em 16 de junho, a assistência social especializada entrou na casa da família Grayson pela primeira vez. O registro da técnica sobre a visita foi, em resumo, de que a residência possuía “organização familiar adequada”.
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A profissional, inclusive, cogitou que a família deixasse de ser acompanhada pelo serviço especializado do CREAS e voltasse para o atendimento da proteção social básica junto ao CRAS (Centro de Referência de Assistência Social).
Família tinha passado por acompanhamento em SC
A família, conforme a delegada, tem um grande histórico de violência, com registros em São Paulo e, também, em Santa Catarina. No estado catarinense, denúncias foram feitas em março de 2025, quando o Conselho Tutelar, acompanhado da Polícia Militar e da promotoria de Justiça de Palmitos, foi até a casa da família que, além do menino e do casal, era formada por outras quatro crianças de 1, 5, 7 e 9 anos de idade, na época.
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Apesar de não terem sido encontrados sinais de agressão, as crianças foram acolhidas institucionalmente à época como forma de prevenção. No abrigo, elas passaram três meses com acompanhamento psicológico e, ao final da avaliação, que também envolveu os pais, as crianças foram retornaram à família.
Segundo o MP, a família continuou sendo acompanhada pela rede de proteção, com um Plano de Acompanhamento Familiar elaborado pelo Centro de Referência Especializado em Assistência Social, sem que novas denúncias sobre maus-tratos fossem feitas.
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Em agosto do ano passado, o casal e a crianças, se mudaram para o Rio Grande do Sul. Com isso, o MP catarinense pediu a remessa do procedimento de proteção à Vara da Infância e da Juventude de Viamão, para que a família continuasse sendo acompanhada.
Além disso, a intenção do MP era que as medidas protetivas continuassem sendo fiscalizadas. O pedido foi deferido pela Justiça de Santa Catarina em setembro de 2025.
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Polícia aponta “lesões gravíssimas” no menino morto por não dar “bom dia”
Conforme a delegada, a morte da criança foi confirmada na quarta-feira (8), depois de passar três dias internada em Porto Alegre. Dandre foi preso em flagrante ainda no Hospital de Viamão, e é investigado por homicídio duplamente qualificado, enquanto a mulher foi presa na última quinta-feira (9), suspeita de participar das agressões.
A investigação aponta que as crianças de idades entre 1 e 9 anos, foram ensinadas a mentir sobre machucados após as agressões. Elas precisavam dizer que tinham caído em alguma brincadeira quando eram levadas ao hospital.
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— A forma como a família vivia foi determinante para a Delegada de Polícia entender que a mãe, na verdade, foi conivente com os atos de tortura e com o homicídio praticado contra o menino de 3 anos. O homicídio foi praticado com inúmeras e gravíssimas lesões, que chegaram a movimentar o coração do infante de lugar e achatar o crânio, não sendo crível que se pense que a mãe não conseguiu ouvir tudo – do quarto ao lado – e que sequer tivesse tentado conter o pai — disse a delegada Luana.




