Maior cidade de Santa Catarina, Joinville reúne em um mesmo território características que, em grandes centros, podem parecer improváveis de coexistir. Ao mesmo tempo que abriga algumas das maiores indústrias do Brasil, o município também é reconhecido pela cultura da dança e guarda vestígios arqueológicos que recontam a história do mundo.
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Com 664.541 habitantes, Joinville se consolidou como um dos principais polos industriais do Brasil. Fundada em 9 de março de 1851, ainda como Colônia Dona Francisca, a história é marcada pela vocação agrícola que, em seu início, produzia mate, couro, cigarros, sapatos, entre outros produtos.
Desenvolvimento econômico
De acordo com informações do Joinville em Dados, no século 20, quando o Brasil deixou de importar itens industrializados por conta da crise mundial, a indústria começou a se fortalecer no território do Norte catarinense. As máquinas eram ocupadas por pessoas que mudavam de ramo e, também, pelos novos imigrantes que chegavam por aqui, unindo o crescimento populacional ao da economia e trabalho.
Relembre como era Joinville antigamente
Foi neste período, principalmente entre as décadas de 1970 e 1980, que Joinville ganhou um “boom” populacional e chegou a quase dobrar o número de moradores, passando de 126.058 para 235.803. A cidade precisou adequar os serviços que oferecia para a população nos anos seguintes.
Vocação industrial
Conforme o livro “Acij na História de Joinville – 110 anos de legados econômicos e sociais”, em 1851, junto dos primeiros imigrantes que vieram para as terras da Colônia Dona Francisca, além de agricultores, estavam artesãos, comerciantes e acadêmicos. A mão de obra qualificada vinda para o local favoreceu o desenvolvimento industrial.
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Ainda segundo o livro, à medida em que chegavam novos colonos com capital para investir, começaram a surgir novos empreendimentos. Ferrarias, alambiques, engenhos, cervejarias, marcenarias, curtumes, tecelagens, processamento de alimentos em conserva e cerâmicas foram estabelecidos para suprir as necessidades dos moradores, dando ares urbanos à colônia. É nesse sentido que os registros históricos ajudam a contar o presente da economia de Joinville.
Assim como os primeiros empreendimentos, hoje a maior cidade de Santa Catarina possui uma indústria bastante diversificada. São empresas que se destacam e até lideram o mercado nos setores de metalurgia, material de construção, eletroeletrônicos, têxtil e plástico.
Berço de multinacionais
Tupy, Whirlpool, Nidec e Schulz são apenas algumas das multinacionais situadas em Joinville. Apenas em 2025, as indústrias da cidade contrataram cerca de 78 mil funcionários, o que manteve Joinville em sexto lugar no ranking nacional de trabalhadores na indústria.
Mesmo a oferta de empregos tendo diminuído no último ano, a cidade continua atraindo imigrantes para trabalhar. Conforme o Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE), Joinville recebeu 6.851 novos moradores nos últimos 10 anos. O município recebeu mais imigrantes vindos da Venezuela, Haiti e Estados Unidos.
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Para quem busca uma boa posição no mercado de trabalho, o Centro Público de Atendimento aos Trabalhadores (Cepat) divulga semanalmente vagas de emprego no site da Prefeitura de Joinville. Lá, são descritos salários, requisitos e benefícios.
Conheça algumas da empresas de Joinville
Capital Nacional da Dança
Às vésperas de completar 175 anos de história, Joinville se tornou a Capital Nacional da Dança por meio de uma lei federal — sancionada em 2016. O grande responsável pelo título é o Festival de Dança de Joinville, que é reconhecido como o maior do mundo pelo Guinness Book, pelo número de participantes.
O evento renomado atrai dançarinos e amantes da arte de todo o mundo para duas semanas de performances espetaculares. Em 2026, será realizada a 43ª edição do festiva entre os dias 20 de julho e 1º de agosto.
Joinville também é sede da única Escola do Teatro Bolshoi fora da Rússia. O local foi fundado na cidade em março de 2000 e atrai alunos de diversos lugares do Brasil.
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Veja fotos do Museu da Dança em Joinville
Terra de sambaquis
São mais de 200 sítios arqueológicos existentes na Baía Babitonga, região que abrange seis cidades do Norte de Santa Catarina. Os achados nesse território permitiram a criação do Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville (MASJ) em 1972. Desde então, o local abriga cerca de 100 mil peças que contam a história dos povos originários catarinenses, que viveram na terra muito antes da colonização europeia.
A coordenadora do MASJ, Ana Paula Klahold Rosa, explica que o local foi o primeiro do Brasil pensado para ser um museu. O grande arquivo joinvilense surgiu após um decreto, assinado em 1990, reforçar a importância da reestruturação e preservação arqueológica no país. A partir daí, o museu passou a receber diversas coleções — como a do arqueólogo amador Guilherme Tiburtius, que localizou artefatos interessantes na região entre os anos de 1940 e 1960.
A geógrafa especialista em arqueologia ainda afirma que as descobertas feitas em Joinville são importantes para mostrar ao mundo que a história sul-americana também é importante e deve ser celebrada.
— Como pesquisador, como museu, como joinvilense e como sul-americano, como um país do terceiro mundo que normalmente é subjugado, a gente vem mostrando que dentro da nossa realidade temos um desenvolvimento ancestral gigantesco. E mostrar a importância da ancestralidade desses povos que aqui viveram, do pertencimento que eles têm dessa região e de quanto foram importantes no desenvolvimento do ser humano até hoje. Então, eu acho que essas pesquisas, essas revelações, mostram o quanto a gente precisa parar e analisar que quem é o evoluído na nossa história, quem de fato pertence a esse espaço — afirma a profissional.
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Veja fotos do MASJ
Ana Paula ainda afirma que as pesquisas feita pelo MASJ — ou em parceria — levam o nome de Joinville para os holofotes mundiais.
— Ele [o MASJ] já é muito conhecido dentro do campo da pesquisa. Mas a pesquisa ficou muito restrita ao cientista. Então, eu acho que os estudos trazem ao joinvilense a percepção de que visitar o museu, estar em um espaço de memória, que visitar o que é gratuito, o que é dele, também tem grande relevância mundial — diz.




















































