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ELEIÇÕES 2022

Mandetta defende terceira via em 2022: "Você acha que o Brasil vai ter paz se for Lula ou Bolsonaro?"

Em entrevista ao Diário Catarinense e à CBN, ex-ministro e pré-candidato a presidente falou sobre pandemia e articulações com partidos

19/08/2021 - 15h48 - Atualizada em: 19/08/2021 - 17h24

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Por Jean Laurindo
Mandetta foi ministro da Saúde de 2019 a 2020 e é pré-candidato do DEM à presidência
Mandetta foi ministro da Saúde de 2019 a 2020 e é pré-candidato do DEM à presidência
(Foto: )

O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), defendeu que o país busque uma terceira via nas eleições de 2022 e criticou o retorno de Lula ao cenário político e o governo de Jair Bolsonaro (sem partido). Ele reafirmou a defesa de uma terceira via, revelou articulações com partidos e defendeu que seria um "pesadelo" o eleitor brasileiro ter que ir para a urna em um segundo turno para "votar em quem odeia mais".

- Você acha que o Brasil vai ter paz se quem tomar posse em 1º de janeiro de 2023 for Lula ou Bolsonaro? - afirmou.

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A declaração foi dada em entrevista à CBN Diário e ao Diário Catarinense, da NSC Comunicação. Mandetta foi o terceiro entrevistado da série com pré-candidatos à presidência da República nas eleições 2022, depois de João Doria (PSDB) e Lula (PT).

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Em meia hora de entrevista aos jornalistas Raphael Faraco e Mateus Boaventura, da CBN Diário, e Dagmara Spautz, do NSC Total, Mandetta revelou que tem participado de reuniões com quase 10 partidos que pretendem participar de projetos nas eleições de 2022 fora da polarização Lula-Bolsonaro.

A rivalidade entre o petista e o presidente, aliás, foi um dos pontos mais criticados pelo ex-ministro da Saúde ao longo da entrevista. Ele afirmou que os 15 anos do governo do PT implantaram a "cultura do nós contra eles" e foi "pano de fundo para corrupção sem paralelo na história do país". 

- A crise moral fez com que rejeição à política fosse altíssima, levou à eleição do Bolsonaro, com as bandeiras que sociedade entendia: "vamos combater a corrupção, o crime organizado, refazer o modo de fazer política, ter minsitros técnicos, reposicionar Brasil no mundo. Aquilo foi uma virada de página, saímos da crise moral e entramos numa expectativa. Mas ele (Bolsonaro) não ficou à altura do que esperavam - afirmou.

Assista à entrevista

Críticas a Lula e Bolsonaro

Mandetta disse que dialoga com os partidos na construção de projetos em áreas como economia e geração de renda, e que é preciso aguardar as prévias do PSDB para saber quem será "o rosto" dos tucanos para a eleição presidencial. No entanto, admitiu que a "vontade dos partidos é estarem juntos onde os palanques regionais permitirem" em 2022.

O ex-ministro sugeriu que Bolsonaro e Lula desejam um duelo particular entre eles, para explorar a forte rejeição do adversário, e defendeu um caminho alternativo, como passou a fazer depois de deixar o Ministério da Saúde. 

- Imagina um segundo turno, com o homem comum tendo que ir para a urna votar em quem você odeia mais, em que o critério vai ser qual seu ódio. Não tem nação que se constitua dessa maneira. 

Ele também respondeu quem diz que uma candidatura alternativa não será viável com a eleição polarizada:

- Dizem que terceira via não vai sair. Se os dois estão falando, é porque a gente está no caminho certo - afirmou.

Gestão da pandemia

Apesar de criticar os dois pré-candidatos que lideram as pesquisas para 2022, Mandetta fez mais queixas sobre o presidente Bolsonaro. Em especial, à gestão da pandemia de Covid-19. O ex-ministro teve divergências públicas com o presidente sobre questões como isolamento e medicações do chamado "kit Covid" - defendidas por Bolsonaro, mas sem comprovação científica contra a doença.

Mandetta lembrou que "um número absurdo de pessoas perdeu a vida por conta da mentira, do negacionismo".

- Primeiro, é porque o Brasil era um país tropical, o vírus não sobrevivia ao calor, depois veio a cloroquina, pano de fundo para falar de imunidade coletiva. Veio a teoria do isolamento vertical. Depois, não vamos vacinar, sabota a vacina, negociatas com intermediários. O pior que eu vi foi essa intervenção burra no Ministério da Saúde - criticou.

Mas as acusações contra Bolsonaro foram além das ações na saúde. Ele também disse que o presidente trabalha bem na internet, que ele "não é louco" e que "vai continuar torturando a cabeça das pessoas para que elas lhe deem razão".

- Do ponto de vista de estressar a democracia, sinalizar com volta dos regimes totalitários, ele testa até onde nós brasileiros vamos aceitar, até onde as instituições vão ficar quietas e aceitar esse jogo. Ele coloca em prova a democracia - apontou .

Impeachment de Bolsonaro

Questionado se votaria a favor de um impeachment de Bolsonaro, como votou no caso de Dilma Rouseff (PT) em 2016, Mandetta disse que sim.

- Votaria, sim, a favor (de impeachment). Só na parte da saúde eu já vejo muitos crimes, fora nas outras áreas. Esse da saúde, se estivesse num país que ele temesse a Justiça, um país sério, ele estaria preso. Do ponto de vista legal, não se pode fazer o que ele fez - criticou.

Ainda no início da entrevista, o ex-ministro também comentou o momento do DEM em Santa Catarina com a possível candidatura do prefeito Gean Loureiro a governador em 2022 e disse que o partido vai ter uma chapa "à altura do povo catarinense".

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Mandetta conduziu início da gestão da crise de saúde

Luiz Henrique Mandetta (DEM) é médico e começou na política como secretario da Saúde de Campo Grande (MS), em 2004. Também foi deputado federal em dois mandatos, entre 2010 e 2018. Ganhou maior notoriedade ao se tornar ministro da Saúde do governo Jair Bolsonaro, em janeiro de 2019.

Nesse cargo, Mandetta conduziu a gestão da pandemia de Covid-19 no país antes da chegada do vírus ao país até abril de 2020. Ele foi demitido pelo presidente Bolsonaro após divergências públicas sobre as medidas de prevenção à doença e o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra o coronavírus, como a cloroquina.

Os nomes dos candidatos precisam ser definidos até agosto de 2022, mas a pouco mais de um ano das próximas eleições gerais, muitos nomes já são colocados como pré-candidatos à presidência da República.

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