A 27ª edição da Marcha em Defesa dos Municípios, que se encerrou nesta quinta-feira (21) em Brasília, consolidou o evento como o maior fórum municipalista da América Latina. Liderado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), a marcha reforçou a premissa de que a gestão local dita o ritmo do desenvolvimento nacional. O movimento serve como uma arena de pressão política para debater o pacto federativo, a autonomia dos prefeitos e a distribuição de verbas federais.

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O norte dos debates este ano ficou explícito no slogan que decorou os pavilhões da Capital Federal:

“O Brasil que dá certo nasce nos Municípios”.

Na prática, a marcha é um termômetro das demandas regionais diante do governo central.

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O conceito do municipalismo e o peso da ponta

A essência do movimento municipalista baseia-se na ideia de que os prefeitos e vereadores enfrentam os problemas reais da população, desde a falta de médicos nos postos de saúde aos buracos nas estradas, sem ter, muitas vezes, a fatia justa do bolo tributário nacional.

Segundo o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, a Marcha é o único momento do ano em que as lideranças nacionais são obrigadas a encarar, de forma direta e sem intermediários, os desafios enfrentados pelas 5.569 administrações municipais do país.

O tamanho do evento atrai a cúpula dos Três Poderes. O vice-presidentes da República, Geraldo Alckmin, endossou a relevância do movimento ao afirmar que a Marcha dos Prefeitos representa a descentralização do poder em uma nação com dimensões continentais como o Brasil.

Além do aspecto institucional, o encerramento do evento nesta quinta-feira confirmou o local como vitrine para o cenário eleitoral, atraindo articuladores do Congresso e nomes de peso do mercado político, tais como:

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  • Comissão de Presidenciáveis: Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Aldo Rebelo (DC), Renan Santos (Missão) e Flávio Bolsonaro (PL), que durante o evento disse que está sendo vítima de “perseguições”.
  • Comando do Legislativo: Davi Alcolumbre, presidente do Senado Federal, e Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados.

Como funciona o balcão de negociações em Brasília

Na prática, para além dos discursos de palanque, a Marcha justifica sua existência ao funcionar como um mutirão para destravar emendas e convênios travados na burocracia federal. Para responder a essa demanda, os ministérios do Governo Federal montaram postos avançados de atendimento técnico no local.

Essa força-tarefa permitiu que prefeitos, prefeitas e secretários resolvessem pendências fiscais e orçamentárias diretamente com equipes de plantão de fundos estratégicos, com destaque para:

  • FNS (Fundo Nacional de Saúde), agilizando repasses para hospitais e UBSs;
  • FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), tratando de verbas para creches e escolas;
  • FNAS (Fundo Nacional de Assistência Social), voltado para programas de combate à pobreza.

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*Com edição de Luiz Daudt Junior.