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    Crime brutal

    Marido de mulher que confessou matar grávida em SC é solto após análise de conversas telefônicas

    Homem teria sido manipulado pela mulher para acreditar na falsa gestação, diz MPSC

    08/10/2020 - 05h00

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    Clarissa
    Por Clarissa Battistella
    Conversas provam que marido também foi vítima do plano, diz polícia
    Conversas provam que marido também foi vítima do plano, diz polícia
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    Preso há mais de um mês por envolvimento na morte da grávida em Canelinha, na Grande Florianópolis, o marido da mulher que confessou o crime teve a prisão revogada pela Justiça nesta quarta-feira (7). A liberdade foi concedida após análise de conversas nos telefones celulares apreendidos pela investigação. A defesa não confirmou se o cliente já havia deixado a unidade prisional até o final da noite desta quarta.

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    Segundo o delegado responsável pelo caso, Paulo Alexandre Freyesleben e Silva, com a conclusão dos laudos periciais, a polícia entendeu que o companheiro da acusada não sabia sobre o plano e, portanto, não tinha qualquer envolvimento com o crime. 

    - Desde o dia do fato, as investigações buscaram elementos que pudessem esclarecer de forma definitiva uma possível autoria intelectual do marido no crime. A conclusão é de que o marido da investigada foi mais uma vítima da trama macabra - disse o delegado, através de nota.

    A participação do até então suspeito na cena do crime já havia sido descartada pela polícia, que teve acesso a imagens do condomínio onde ele e a esposa moravam e que teriam provado a ausência do homem na cena do crime. 

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    Para o Ministério Público de SC, que também analisou os documentos, as provas demonstram que a mulher conseguia manipular a situação, porque o marido trabalhava em outra cidade e, portanto, "acreditava piamente na falsa gravidez da mulher". 

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    Se nenhum outro elemento surgir no decorrer do processo, o homem também deve ser excluído da denúncia apresentada pelo Ministério Público por crimes de feminicídio, tentativa de homicídio, parto suposto, subtração de incapaz e ocultação de cadáver.

    Na ação penal, que já foi recebida pelo Judiciário, o MPSC requer que os denunciados sejam submetidos ao julgamento do Tribunal do Júri da comarca de Tijucas.

    O que diz a defesa

    A defesa do homem apontado anteriormente por envolviemento no crime disse, por meio de nota, que acreditou na inocência do cliente desde o início e, por esse motivo, buscou a celeridade na confecção do relatório da perícia, sobre as mensagens trocadas pelas midias digitais entre os cônjuges, pois "havia a certeza de que ali não só se resolveria a prisão, mas sim a inocência dele, que foi injustamente acusado".

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    Ainda, segundo o advogado Ivan Roberto Martins Junior, com a finalização do relatório policial, a defesa espera que seja requerida também a absolvição sumária do homem e que, se "não fosse a perícia, talvez o fim da história fosse diferente e isso implicaria em injustiça".

    O nome da mulher e do marido presos não foram divulgados por causa da Lei de Abuso de Autoridade.

    Relembre o caso

    Uma mulher grávida de 36 semanas desapareceu na quinta-feira da semana passada (27), depois de sair de casa de carona, para um chá de bebê surpresa. Ela foi encontrada morta no dia seguinte (28) em uma cerâmica de Canelinha, na Grande Florianópolis, com o ventre aberto e sem o bebê.

    Duas pessoas foram presas suspeitas de envolvimento com o crime. Segundo a Polícia Civil, uma delas é amiga da vítima, que teria atingido a cabeça da gestante com um tijolo e cortado a barriga dela para retirar o bebê, e a outra é o companheiro da suspeita do assassinato.

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    Após o crime, a amiga da vítima teria ido ao hospital de Canelinha e apresentando a criança como filha. Ela alegou ter tido um parto espontâneo com a ajuda de terceiros. A equipe médica, no entanto, constatou que não havia indícios de parto recente na paciente e encaminhou a criança ao Hospital Infantil de Florianópolis, pelo fato de que ela apresentava cortes pelo corpo.

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    Os suspeitos foram levados à Delegacia de Polícia Civil de Tijucas, onde a mulher contou ter planejado o crime há pelo menos dois meses, quando decidiu que encontraria uma criança para substituir a que havia perdido em janeiro, em um aborto. O marido disse não ter conhecimento sobre os fatos, mas segue detido enquanto as investigações não são concluídas. O bebê foi medicado e passa bem, segundo amigos da família, mas não foi informado se ele já deixou o hospital. O nome da mulher e do marido presos não foram divulgados por causa da Lei de Abuso de Autoridade.

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