Duas pessoas foram indiciadas nesta quarta-feira (10) por prática de maus-tratos e crimes ambientais no Rancho dos Profetas, propriedade da Catedral Imagem e Semelhança. A igreja, conhecida pela polêmica envolvendo traição do pastor, era responsável pelos animais, que eram mantidos sem água e comida. O inquérito também indicou que, no local, foram construídas edificações irregulares em área de preservação.

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O rancho fica localizado na Estrada Rio da Prata, em Pirabeiraba. Uma coelha e 34 galinhas chegaram ser resgatadas da chácara. De acordo com uma denúncia anônima, os animais estavam abandonados há alguns dias. Em conversa com vizinhos, a situação foi confirmada.

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Conforme a Polícia Civil, o inquérito policial apontou que os animais resgatados da propriedade permaneceram privados de alimentos e água. Além disso, o espaço mantinha uma construção em leito de rio, além de edificações que não respeitam a distância mínima que se deve manter de curso d’água natural em áreas de preservação.

Veja fotos do resgate

Com base em depoimentos das testemunhas e laudos periciais, um homem foi indiciado por maus-tratos, além dos crimes previstos nos artigos 40 e 48, da Lei de crimes ambientais. No mesmo procedimento, uma mulher também foi indiciada por maus-tratos devido às condições em que os animais foram encontrados. 

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A investigação aconteceu por meio do Departamento de Investigações Criminais (DIC) de Joinville, por meio da Delegacia de Proteção Animal. O inquérito foi remetido ao Poder Judiciário.

Relembre o caso

A ação de resgate foi realizada na tarde de 22 de julho, no rancho localizado na Estrada Rio da Prata, em Pirabeiraba. Agentes da Delegacia de Proteção Animal, Polícia Científica e Centro de Bem-Estar Animal (Cbea) participaram do resgate, junto com a vereadora Liliane Freitas Lovato.

Os animais estavam espalhados por galinheiros e estruturas de madeira no rancho. De acordo com a denúncia anônima, eles estavam abandonados há alguns dias. A situação foi confirmada em conversa com vizinhos. Além disso, a vereadora Liliane da Frada conta que recebeu fotos e vídeos que mostravam potes de alimentação vazios e, pelo menos, um animal morto.

Quando a equipe de resgate chegou ao local, encontrou um caseiro cuidando da propriedade. Entretanto, ele admitiu que foi contratado no mesmo dia.

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Fiéis da igreja ainda alertaram as autoridades sobre uma obra realizada dentro do rio pelos donos do rancho, o que pode caracterizar crime ambiental.

O que alega direção da catedral

Em nota publicada nas redes sociais na época da operação, a bispa da igreja declarou que os animais são cuidados, diariamente, por um profissional habilitado. Ela ainda disse que eles recebiam alimentação adequada, água potável e condições salubres.

“Ressaltamos que a propriedade não está abandonada, sendo mantida com zelo e atenção. Inclusive, às sextas-feiras, realizamos momentos de oração no local, além de mantermos uma rotina diária de limpeza e manutenção. Confiamos plenamente na justiça e aguardamos que os fatos sejam devidamente esclarecidos”, publicou a catedral.

A coelha, chamada Lili, recebeu atendimento veterinário e foi encaminhada para um lar temporário. Os outros animais serão retirados do local nos próximos dias.

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Relembre polêmica de traição

Uma noite comum de culto em uma igreja de Joinville terminou com confusão, tapas e um homem armado na noite do dia 29 de junho. O motivo da briga teria sido um caso de traição por parte do pastor. O fiel que expôs o caso ainda alegou que ele teria usado o dízimo para comprar um carro.

Por conta das acusações, uma briga teria começado dentro da igreja, localizada na rua Blumenau, bairro Santo Antônio. A Polícia Militar chegou a ser acionada e afirmou que, em um primeiro momento, a confusão teria se dispersado sozinha.

Depois, uma nova confusão começou dentro da igreja. Os envolvidos teriam se estapeado e, neste momento, foi necessária a intervenção policial, que usou “equipamentos de menor potencial ofensivo para contenção do tumulto, conforme prevê as técnicas policiais”, de acordo com nota da PM.

*Sob supervisão de Leandro Ferreira

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