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    Médicos de SC lançam manifesto contra cloroquina e ivermectina no tratamento da covid-19

    Documento com mais de 1 mil assinaturas será entregue à prefeitura de Florianópolis e ao governo do Estado na defesa de medidas como testagem ampla e distanciamento social

    16/07/2020 - 14h02 - Atualizada em: 16/07/2020 - 14h53

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    Por Jean Laurindo
    Manifesto de médicos de SC não recomenda prescrição de medicamentos como cloroquina e ivermectina contra covid-19
    Manifesto de médicos de SC não recomenda prescrição de medicamentos como cloroquina e ivermectina contra covid-19
    (Foto: )

    Um manifesto com assinatura de mais de 1 mil médicos será entregue à prefeitura de Florianópolis e ao governo do Estado pedindo a segurança do paciente no tratamento para covid-19 e a defesa de “uma medicina responsável e baseada em evidências científicas”.

    O documento defende que não seja recomendada a prescrição de tratamentos ou profilaxias com cloroquina, hidroxicloroquina ou ivermectina, três medicamentos que são alvo de polêmicas por serem defendidos por grupos de médicos, embora não possuam evidências científicas.

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    “Não há evidências concretas que pessoas que usem esses medicamentos isolados ou em associação, de forma profilática ou como tratamento para Covid-19, venham a ter seu risco de complicações pela Covid-19 reduzido”, diz um trecho do manifesto.

    A entrega do manifesto ao prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, vai ocorrer às 16h desta quinta-feira (16) e será feita pelo ex-reitor da e ex-diretor do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Lúcio José Botelho, e pelo médico infectologista Fábio Gaudenzi de Faria, presidente da Sociedade Catarinense de Infectologia.

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    No caso da cloroquina e da hidroxicloroquina, os médicos afirmam ainda que “a evidência atual tem mostrado associação do seu uso com potencial risco aumentado de arritmias e de parada cardíaca em algumas situações”. Esse foi um dos motivos que fez a Organização Mundial da Saúde (OMS) interromper estudos com a cloroquina

    O manifesto iniciou com médicos de SC, mas já tem adesão de profissionais de todo o país. No texto divulgado, os profissionais avaliam que em um cenário de recursos limitados e incertezas sobre a covid-19, o investimento deveria ocorrer em medias que têm demonstrado resultados, como acesso aos cuidados de saúde, identificação e isolamento precoce de casos suspeitos e confirmados, monitoramento dos pacientes até a recuperação e planejamento de infraestrutura para suporte a casos graves. Os profissionais defendem ainda testagem ampla, distanciamento físico, redução de aglomerações, uso de máscara e higienização frequente das mãos.

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    O médico Lúcio José Botelho afirma que o manifesto não tem nenhuma pretensão de retirar do médico o direito de medicar seu paciente, tampouco impedir o uso desses métodos em pacientes em estado terminal, quando se esgotaram as tentativas, mas que a recomendação de uso para toda a população representa riscos, como o de uma falsa sensação de segurança.

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    – O que fica claro é que usar como forma de prevenção em larga escala, sem comprovação, é um erro que pode nos custar caro. Entre os custos não estão só o os efeitos colaterais. Um dos efeitos ruins é que pode passar à população a sensação de que está imune, livre do risco de adquirir o vírus, e de que se adquiri-lo, pode ter uma forma menos grave. A questão é o uso em massa e uso individual. O uso individual é prerrogativa médica, o uso coletivo é prerrogativa da saúde pública – avalia.

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