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    Itajaí vai gastar mais de R$ 4 milhões em distribuição de ivermectina

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    Por Dagmara Spautz
    08/07/2020 - 08h55 - Atualizada em: 08/07/2020 - 11h08
    Distribuição de ivermectina em Itajaí (foto: Marcos Porto, Divulgação)
    Distribuição de ivermectina em Itajaí (foto: Marcos Porto, Divulgação) (Foto: Distribuição de ivermectina em Itajaí (foto: Marcos Porto, Divulgação))

    As três rodadas de aplicação de doses de ivermectina para “prevenir” contra o coronavírus em Itajaí custarão R$ 4,4 milhões aos cofres públicos. A informação é do Portal da Transparência. A encomenda foi feita ao laboratório com dispensa de licitação, em caráter emergencial. A medicação não tem comprovação científica de que funcione para evitar ou tratar a Covid-19.

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    O recurso para pagar pelos comprimidos foi retirado do caixa do Serviço Municipal de Água e Saneamento (Semasa). Na terça-feira (7), uma grande quantidade de moradores procurou o Centreventos, em busca do tratamento - o que causou aglomeração. 

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    O prefeito Volnei Morastoni (MDB) confirmou à coluna que o protocolo foi estabelecido em conjunto com a médica ultrassonografista Lucy Kerr, de São Paulo, que tem propagado o uso da ivermectina contra o coronavírus.

    - Tem muitas evidências, estudos no mundo, no Brasil. Estou baseado nesses estudos dela - disse.

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    Morastoni citou experiências com ivermectina no município de Porto Feliz (SP). Disse que também acompanhou os resultados em Belém (PA) e no estado do Amapá. Além disso, por meio do Fonplata, que é o fundo internacional com o qual a prefeitura de Itajaí firmou um financiamento, o prefeito diz ter buscado informações sobre a cidade de Trinidad, onde também houve aplicação, segundo ele. São ensaios empíricos, ou seja, baseados em observações de médicos - os estudos laboratoriais sobre a ivermectina ainda não chegaram à fase de testes em animais e seres humanos.

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    - Há evidencias de que tem ajudado. No continente africano, a ivermectina é usada para doenças tropicais. Hoje é baixíssimo o índice de mortalidade no continente africano. Se atribui isso à imunização. Baseado nessas evidências, que não têm comprovação final, a ivermectina se mostrou importante viricida. Não se sabe exatamente por que, mas tem evidências de que tem função preventiva – afirmou.

    Questionado sobre o uso de um medicamento ainda em fase de testes iniciais, o prefeito disso que algo precisava ser feito diante do avanço da doença.

    - Muito mais temerário é deixar a banda passar e agente ficar assistindo. Estamos no quarto mês de evolução da doença. Havia muita reserva e cautela no começo. Nesta altura do campeonato precisamos fazer alguma coisa nesse meio campo.

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    Pesquisadores como a doutora em microbiologia, Natalia Pasternak, alertam que o uso da ivermectina, e a distribuição pelo poder público, podem trazer uma falsa sensação de proteção e levar as pessoas a relaxarem as medidas de isolamento social – o que pode causar um agravamento do quadro da pandemia na cidade. Morastoni disse que as recomendações de isolamento social continuarão a ser feitas.

    - Vamos distribuir uma folha (com o alerta). Não significa que se vai abandonar outras medidas não farmacológicas.

    A aplicação das doses será acompanhada pela equipe da médica Lucy Kerr e pesquisadores da Univali, que vão analisar os resultados. A prefeitura de Itajaí fará as três primeiras distribuições, de pílulas que devem ser tomadas a cada 15 dias. Na sequência, avaliará a continuidade do processo.

    Itajaí tem 2.116 casos de coronavírus confirmados, e um índice alto de óbitos. Só na terça-feira (7) foram contabilizadas mais quatro mortes. O município já registrou 45 óbitos e está atrás apenas de Joinville, a maior cidade do Estado, que tem 46.

    Apesar da aceleração da pandemia, a prefeitura não suspendeu atividades. Fechou as praias e parques, e proibiu o comércio das 11 da noite às 6 da manhã. O transporte coletivo também segue suspenso.

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