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Polêmica

Ministro da Defesa é acusado de ameaçar eleições de 2022, mas nega afirmação

Jornal diz que ministro teria condicionado eleições de 2022 a voto impresso e auditável

22/07/2021 - 10h26 - Atualizada em: 22/07/2021 - 12h52

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Metrópoles
Por Metrópoles
Braga Netto
Ministro da Defesa foi acusado de tentativa de golpe de poder
(Foto: )

O ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, teria mandado, no último dia 8 de julho, um recado ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), de que não haverá eleições em 2022 se não houver voto impresso e auditável.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o recado foi dado por meio de um interlocutor ao presidente da Câmara. Ao dar o aviso, porém, Braga Netto estaria acompanhado de chefes militares das Forças Armadas.

Ao receber o aviso, Lira entendeu se tratar, segundo o jornal, de uma ameaça de golpe. Para o titular da Câmara, era algo gravíssimo. Por isso, foi atrás do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para esclarecer a situação e assinalou ao chefe do Executivo federal que iria com ele até o fim, mesmo se fosse para perder a eleição, mas não iria admitir golpe.

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Ainda de acordo com o jornal, o mandatário do país contemporizou e disse respeitar a Constituição. Lira, no entanto, destacou que o emissário foi claro ao dar o aviso do general.

Uma fonte ligada ao ministro da Defesa negou, em conversa reservada com o Metrópoles, que o fato tenha ocorrido. “Interlocutor? Não se manda recado neste nível. E não é postura de uma autoridade”, disse.

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Naquele mesmo 8 de julho — quando Braga Netto teria mandado recado a Lira —, o presidente Jair Bolsonaro, durante conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, afirmou que as “eleições do ano que vem serão limpas”, em referência ao voto impresso, “ou não teremos eleições”.

O titular do Palácio do Planalto tem colocado o voto impresso como condição para legitimar o sistema eleitoral. As ameaças se intensificaram ao longo das últimas semanas.

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Na última segunda-feira (19), contudo, Bolsonaro afirmou que não acredita mais que a PEC do voto impresso será aprovada pela Câmara dos Deputados.

“Eu não acredito mais que passe na Câmara o voto impresso, tá? A gente faz o possível. Vamos ver como é que fica aí”, disse o presidente durante conversa com apoiadores.

Na semana passada, para evitar uma derrota, a base do governo na Câmara conseguiu adiar a votação do parecer do relator da proposta, deputado Filipe Barros (PSL-SP).

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O presidente da comissão, Paulo Eduardo Martins (PSC-PR), convocou nova reunião para 5 de agosto, após o recesso parlamentar. Numa manobra regimental, Martins argumentou que Barros solicitou mais tempo para fazer modificações no texto a pedido de outros deputados da comissão.

Resposta de Braga Netto

O ministro da Defesa garantiu que não se comunica com presidentes de outros Poderes por meio de interlocutores e garantiu que as Forças Armadas sempre irão atuar dentro dos limites da Constituição.

“Hoje foi publicada uma reportagem na imprensa que atribui a mim mensagens tentando criar uma narrativa sobre ameaças feitas por interlocutores a presidente de outro Poder. O ministro da Defesa não se comunica com os presidentes dos Poderes por meio de interlocutores. Trata-se de mais uma desinformação que gera instabilidade entre os Poderes da República em momento que exige a união nacional”, disse, ao ler nota.

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Mais cedo, ao ser questionado sobre o assunto, Braga Netto declarou que tratava-se de uma “mentira, invenção“.

“Acredito que todo cidadão deseja maior transparência e legitimidade no processo de escolha de seus representantes. A discussão sobre o voto eletrônico e auditável, por meio de comprovante impresso, é legitima e está sendo analisada pelo Congresso”, completou.

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