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    Morongo dividiu palco com Boechat antes do acidente: "Nossa fragilidade é chocante" 

    Dono de marca de surfe sediada em Garopaba-SC palestrou no mesmo evento que o jornalista que sofreu acidente de helicóptero nesta segunda-feira (11)

    11/02/2019 - 17h34 - Atualizada em: 11/02/2019 - 21h53

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    Redação
    Por Redação DC
    Morongo e Ricardo Boechat em Campinas (SP)
    Morongo (E) dividiu palco com Ricardo Boechat (D) antes do acidente que matou jornalista
    (Foto: )

    O empresário Dr. Marco Aurélio Raymundo, o Morongo, criador da marca de surfe Mormaii, sediada em Garopaba-SC, estava na mesma palestra que o jornalista Ricardo Boechat na manhã desta segunda-feira (11). Após o evento, em Campinas-SP, o helicóptero em que Boechat viajava a São Paulo sofreu um acidente.

    Morongo publicou em uma rede social foto com o jornalista e uma mensagem lamentando o ocorrido. O médico e surfista disse que havia dividido o palco com Boechat em um "grande e belo evento". Ainda desejou: "Que Deus o receba em festa no céu". Confira a íntegra da nota:

    Estava com o meu amigo Boechat hoje em um grande e belo evento, nos despedimos e nunca mais vou vê-lo. A realidade de nossa fragilidade é chocante! Eu e a Mormaii sentimos muito a perda e enviamos nosso abraço a sua família. Que Deus o receba em festa no céu. – Dr. Marco Aurélio Raymundo, criador da marca de surfe Mormaii, sediada em Garopaba-SC, através do Instagram da empresa

    Morongo tinha contato com Boechat por encontrá-lo em palestras e eventos, mas contou que, nesta segunda, a conversa entre os dois foi calorosa. Trocaram abraços e o jornalista o cumprimentou com um beijo.

    – Quando eu desci do palco ele me abraçou e me beijou. Foi um abraço fraternal mesmo. Deu uma liga fantástica.

    Durante a palestra de Morongo, Boechat, que estava na plateia de mais de 3 mil pessoas, fez comentários e uma das últimas perguntas da carreira.

    Ao final do evento, eles tiraram uma foto juntos e conversaram mais uma vez. Morongo foi ao aeroporto de Campinas pegar avião para o Rio de Janeiro. Estava no saguão de embarque quando recebeu uma ligação falando do acidente com o helicóptero.

    – Quando me contaram eu disse "não pode, eu tava com o cara há meia hora". A gente se cruzava de vez em quando, nas palestras que faço, mas dessa vez foi muito intenso, pareceu uma despedida. – relatou.

    Testemunhas da queda do helicóptero disseram que o piloto tentava fazer um pouso de emergência em uma via de acesso da rodovia. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a empresa dona do helicóptero não tinha autorização para prestar o serviço de táxi aéreo.

    O corpo de Ricardo Boechat será velado até o meio-dia de terça-feira (12) no Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo.

    Imprensa catarinense fala de Boechat

    Personalidades da imprensa catarinense e nacional também lamentaram a morte de Boechat, como o presidente Jair Bolsonaro e personalidades do jornalismo de todo o Brasil.

    O presidente da Associação Catarinense de Imprensa, Ademir Arnon de Oliveira, também se pronunciou. Ao NSC Total, disse que Boechat tinha como marca a forma de abordar os temas polêmicos:

    Eu soube quando estava me deslocando de casa para o hospital. Situação chocante, inesperada. Um profissional com mais de 40 anos de exercício, rádio, jornal , televisão. Foi um profissional que marcou época pela qualidade do trabalho. Se destacou porque causava polêmica ao abordar os assuntos. Era uma marca da atuação dele. O que mais marcou foi como âncora na Band, e também trabalhou em muitos jornais do país. Foi premiadíssimo ao longo da carreira. Choca muito e nos solidarizamos por todas as mortes, também pelos tripulantes, mas particularmente pela de um profissional com o gabarito do Boechat. – Ademir Arnon de Oliveira

    Moacir Pereira, colunista da NSC Comunicação, destacou o "estilo inconfundível, realmente singular":

    Boechat era um jornalista talentoso, criativo e com coragem de dizer verdades em seus comentários. Tinha um estilo inconfundível, realmente singular, fruto de sua experiência nas parcerias com o famoso colunista Zózimo Barrozo do Amaral, e de sua vitoriosa trajetória com a coluna em O Globo. – Moacir Pereira

    Entidades nacionais do jornalismo também divulgaram nota de pesar. A Federação Nacional dos Jornalistas, se solidarizou pela morte do jornalista e do piloto Ronaldo Quattrucci. Confira a íntegra:

    O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Município do Rio de Janeiro e a Federação Nacional dos Jornalistas lamentam a morte do jornalista Ricardo Boechat em acidente de helicóptero na tarde desta segunda-feira (11), bem como a do piloto Ronaldo Quattrucci. Em quase 50 anos de trajetória profissional, Boechat atuou em vários dos mais importantes veículos de comunicação do país.

    Os Sindicatos e a Federação se solidarizam com os familiares, colegas e amigos de Ricardo Boechat e de Quattrucci.

    A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo destacou as manifestações de colegas de profissão, que lembraram de Boechat como uma "voz crítica e contundente":

    Nas manifestações públicas de colegas que trabalham ou trabalharam com Boechat ao longo de seus mais de 40 anos de carreira, o adjetivo “generoso” é frequente, assim como o lamento pela perda de uma voz crítica e contundente. O humor com o qual tratava o noticiário e a si próprio é outra das características que os amigos e colegas ressaltam (...).

    A Abraji envia seu profundo pesar e toda solidariedade aos familiares, amigos e colegas de Ricardo Boechat.

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