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Atropelamento

“Mulher de princípios e mãe exemplar”, define mãe de ciclista morta após atropelamento em Joinville

Thais teve a morte cerebral confirmada na segunda-feira (25); motorista que atropelou estava bêbado, segundo a polícia

26/10/2021 - 08h50 - Atualizada em: 26/10/2021 - 09h01

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Sabrina
Por Sabrina Quariniri
Adriana ao lado da filha, Thais, vítima de atropelamento
Adriana ao lado da filha, Thais, vítima de atropelamento
(Foto: )

“Mulher de princípios, guerreira e mãe exemplar”. É assim que Adriana Dias dos Santos Moreno, de 44 anos, define a filha, Thais Dias Gonçalves Santa Catarina. A jovem, de 25 anos, foi vítima de atropelamento na manhã da última sexta-feira (22) e, após três dias de internação na UTI do Hospital São José, teve a morte cerebral confirmada na segunda-feira (25).

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Mãe de três filhos — uma menina de 5, e dois meninos de 4 e 1 anos e três meses —, Adriana conta que Thais era dedicada e, empregada em uma indústria da cidade, se desdobrava para fazer o melhor para as crianças e para toda família. E foi justamente na manhã de sexta, quando saiu para tirar xerox de alguns documentos para mudar a filha de creche, pensando no conforto da menina, que a jovem foi atropelada.

- Ela morava aos fundos da minha casa com o marido e os filhos. Aí, na volta da lan house, parou no mercado para comprar pão. Quando saiu de lá, andou uns 150 metros do mercado e foi atropelada, na ciclofaixa. Ela nem viu quem tirou a vida dela - lamenta a mãe.

Filhos perguntam pela mãe

Adriana conta que, desde o dia do acidente, as crianças têm perguntado pela mãe, especialmente o menino mais novo, que tem autismo leve. A avó diz que se prepara para contar sobre a morte de Thais para as crianças. Para ela, esta será uma das partes mais dolorosas do processo de luto.

- Hoje está sendo o pior dia para mim. O pequenininho vai até a porta todos os dias próximo ao horário que ela chegava em casa do trabalho, esperando pela mãe. Mas ela não vai voltar. Tão pequenininhos, perderam a mãe por uma inconsequência - desabafa Adriana.

Até a tarde de segunda-feira, a esperança da família era de que Thais deixasse a internação do Hospital São José e pudesse voltar para casa. Adriana conta que, até por isso, os aparelhos foram mantidos ligados até a manhã desta terça-feira (26). 

Mas, agarrada no apoio dos amigos, familiares e, principalmente, em sua fé, apesar de arrasada, Adriana se mantém firme, pelo seu esposo, sua filha mais nova, genro e pelos netos que pretende manter por perto.

- A nossa esperança era que Deus fizesse um milagre. Mas se ela saísse dessa, os médicos disseram que ela poderia ficar vegetando. E ela não merecia isso, era uma menina muito ativa. Deus sempre sabe o que faz, a vontade de Deus sempre é perfeita e agradável. Hoje a gente não entende, chora… Mas ele sempre tem um propósito abaixo do céu - confia a mãe.

Sem ódio, sem raiva

Além de Thais, que foi levada em estado grave ao hospital após o atropelamento, Lindacir Rodrigues da Silva Morando, de 55 anos, também foi atingida pelo carro e morreu ainda no local do acidente.

Adriana conta que as duas não trafegavam juntas e seguiam para destinos distintos, mas que Lindacir era conhecida da família e frequentava a mesma igreja. Além disso, morava a poucos metros de sua casa. Na ocasião, por volta das 11h, ela fazia entregas de marmitas na região.

Quando Adriana ficou sabendo que o motorista de 23 anos, que estava bêbado quando atropelou Thais e Lindacir, foi posto em liberdade após pagamento de fiança, sentiu indignação: “justiça falha”, pensou. 

Mas apesar de o homem ter se livrado “da justiça terrena”, como define a mulher, ela acredita que ainda pagará na “justiça divina”.

- Lá no céu tem um advogado que é Jesus e um juiz que é Deus. Dessa [justiça] ele não escapa. Eu não desejo mal a ele, não tenho raiva e não cultivo sentimento de ódio. Nós, vamos ficar com a saudade, com a dor da perda, mas com a consciência limpa. Será que ele dorme tranquilo após deixar três anjinhos órfãos de mãe? Espero que ele aprenda e nunca mais faça esse tipo de coisa e que outros motoristas também tenham essa consciência e não bebam se for dirigir - pede a mãe.

Despedida

Nesta manhã, Adriana seguiu para a UTI do Hospital São José para autorizar os desligamentos dos aparelhos de oxigênio. De lá, o corpo de Thais segue para o Instituto Médico Legal (IML) e, em seguida, será liberado para os familiares.

De acordo com Adriana, a jovem será velada na Igreja Assembleia de Deus, localizada na Avenida Júpiter, bairro Jardim Paraíso. O enterro acontece na manhã de quarta-feira (27), no Cemitério Jardim das Flores.

Thais teve a morte confirmada após três dias internada na UTI do hospital
Thais teve a morte confirmada após três dias internada na UTI do hospital
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