A mulher que fingiu ser uma adolescente ao enganar uma família de Joinville passa o aniversário de 38 anos na prisão nesta quarta-feira (10). No ano anterior, Amanda Maria Souza de Oliveira havia ganhado uma festa para comemorar seus “12 anos”. A mulher foi presa em 2 de junho, quando o caso foi descoberto.

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Amanda viveu com uma família de Joinville por cerca de 14 meses, sob o nome falso “Gabriele”. A investigação apurou que a “menina” encontrou a família por meio de uma igreja do distrito de Pirabeiraba. No local pediu ajuda e contou que fugiu de casa porque era obrigada a se prostituir e tomar hormônios — o que, segundo ela, daria um visual maduro à sua aparência.

Veja fotos da mulher de 38 anos que fingiu ter 12 anos

Mulher usava chupeta e mamadeira

O caso “surreal” foi comparado a um roteiro de filme pelo delegado Rodrigo Bueno Gusso. Com mais de 20 anos de carreira, o investigador conta que ainda não havia sido responsável por um caso como este.

Segundo ele, a família foi enganada desde o início e se envolveu emocionalmente com a suspeita, sem desconfiar da farsa. Com idade entre 40 e 50 anos, os “pais” ficaram comovidos com a triste história e a abrigaram.

Durante o período, a falsa adolescente chegou a ganhar uma festa de aniversário ao “completar” 12 anos. Ainda, o delegado reforçou ao NSC Total que a família foi vítima desde o início.

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Além do abrigo na casa em Pirabeiraba, a família arcou com um tratamento para obesidade para a “menina”, com o medicamento injetável tirzepatida, conhecido popularmente como Mounjaro.

Prisão da suspeita

Apesar da ausência de desconfiança dos “pais”, um parente da família desconfiou da situação, chegou a alertar a família e acionou a polícia. Ao chegar no endereço, parte dos familiares resistiram e não acreditaram na verdadeira versão do caso.

Contudo, os agentes apresentaram os materiais da investigação que comprovaram o golpe. Durante o interrogatório, a falsa adolescente, de 37 anos, confessou integralmente o crime. 

Após a realização dos procedimentos de praxe, a suspeita foi encaminhada ao Presídio Regional de Joinville, onde permanecerá à disposição da Justiça. 

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Denúncia do Ministério Público

Após a mulher de 37 anos fingir ter 12 e ser presa, ela acabou sendo denunciada pelo Ministério Público. Com o acatamento da Justiça, Amanda se tornou ré pelos crimes de estelionato e falsa identidade, cometidos em Joinville.

Sobre o crime de estelionato, o MPSC narrou que ela obteve vantagem ilícita com o custeio integral de sua subsistência, incluindo moradia, alimentação, festa de aniversário, transporte público e fornecimento de medicamento alto custo, sendo ele Mounjaro, causando prejuízo para a família.  

Ainda de acordo com a denúncia, a mulher induziu as vítimas ao erro ao sustentar a identidade falsa e situações de vulnerabilidades fictícias.

“Para tanto, a denunciada simulou ser uma criança de 11 anos de idade, apresentando-se sob a identidade de ‘Gabriele Ferreira dos Santos’, narrando ter sido submetida a abusos graves por seu padrasto, rituais de bruxaria e uso forçado de hormônios em uma casa de prostituição infantil, além de relatar diversas condições de saúde, inclusive transtorno do espectro autista, e usar sua condição física (obesidade) para comover as vítimas”, narrou a denúncia.

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Exame de sanidade mental está marcado

O advogado de defesa solicitou à Justiça catarinense a realização de um exame psiquiátrico em Amanda, o que foi autorizado e está marcado para acontecer em 26 de junho.

Em entrevista ao NSC Total, Siewert explicou o que motivou o pedido de exame de sanidade mental à Justiça.

— Há informação nos autos que em um determinado momento que ela havia sido presa com 200 agulhas sobre a pele. Então, isso me chamou a atenção. Atrelado a isso, ela apresentava lesões também no corpo e quando ela é indagada, tanto por mim, na entrevista prévia, como pelo magistrado na hora da audiência, ela falou que tem problemas de automutilação — conta o advogado.

O que diz defesa

A defesa de Amanda informou que recebe com serenidade a denúncia apresentada pelo Ministério Público. “Cumpre destacar que, na mesma decisão em que recebeu a denúncia, o Magistrado determinou a suspensão do processo até a realização de exame pericial pela Polícia Científica, agendado para o dia 26 de junho de 2026. Assim, até que o laudo pericial seja concluído e juntado aos autos, o processo permanecerá suspenso, aguardando o resultado da perícia”, ainda destacou o advogado Rafael Luiz Siewert.

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Mulher cometeu o mesmo crime em outras cidades do Brasil

Amanda já tinha aplicado o mesmo golpe em outros estados. Ela teria começado a farsa com pelo menos 22 anos, em Natal, capital do Rio Grande do Norte. Na época, também fingia ser uma adolescente de 11 anos. Entretanto, antes ainda, teria cometido a fraude no Ceará.

O caso do Rio Grande do Norte foi descoberto em 2010, quando Amanda tinha 22 anos. Um hospital da cidade ligou para a Polícia Civil e informou que uma criança havia sido encontrada com centenas de agulhas pelo corpo. 

— Ela estava no hospital, foi retirado uma uma certa quantidade de agulhas dela, que ela realmente tinha colocado um pouco. A gente começou as investigações e descobrimos que ela já tinha feito isso lá lá em Fortaleza (Ceará) e tinha vindo para cá. Nós chegamos a fazer todo o acompanhamento dela na delegacia, deu toda assistência aqui nesse sentido, mas a gente descobriu que ela não era menor de idade, o próprio hospital falou que não tinha condições de ser menor de idade. Aí depois a gente descobriu que o nome dela, verdadeiro, era Amanda — relembra o delegado Luiz Lucena.

O delegado conta que indiciou a mulher sem solicitação de exames de sanidade mental. Porém, afirma que ela estava lúcida quando foi ouvida no Rio Grande do Norte. Quinze anos depois, ele não soube dizer qual foi o desfecho do caso por conta do sigilo do processo.

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*Sob supervisão de Leandro Ferreira