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    Número de animais silvestres apreendidos em 2020 já ultrapassa total de 2019 em Joinville

    Mais de 50 animais em extinção ou exóticos foram resgatados na cidade apenas neste ano. Tráfico de animais silvestres é a terceira maior atividade ilegal do mundo

    09/10/2020 - 11h56

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    Patrícia
    Por Patrícia Della Justina
    Aves silvestres representam a maior parte dos animais capturados
    Aves silvestres representam a maior parte dos animais capturados
    (Foto: )

    O número de apreensões de animais silvestres só neste ano em Joinville já superou o total de 2019. Conforme a Polícia Civil, até o início de outubro de 2020 foram apreendidos 176 animais. Destes, 52 eram ameaçados de extinção

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    Já em 2019, até dezembro a polícia apreendeu 128 animais, o que representa um crescimento de 37,5%. 

    Além disso, o número de suspeitos presos também cresceu. No ano passado, foram nove pessoas indiciadas durante todo o ano, contra 11 até outubro deste ano. 

    Segundo o delegado da Divisão de Investigação Criminal (DIC) da Polícia Civil, Larry Marcelo Rosa, a polícia conta com uma divisão específica para apuração de crimes ambientais desde 2019 e, por esse motivo, naturalmente o foco no tipo do crime aumentou, deixando desproporcional a comparação entre os anos. Isso não indica, necessariamente, conforme Larry, que nos anos anteriores os crimes não tenham sido praticados ou que tenham números tão distantes.  

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    - Neste ano aumentaram as apreensões também em decorrência do aumento de operações contra o comércio de aves silvestres - acrescenta. 

    Segundo ele, não há como afirmar se a pandemia do novo coronavírus teve alguma influência no crescimento de registros. 

    - A questão do comércio sempre teve e é algo que a gente tenta bater bastante, assim como crimes relacionados à vegetação - pontua.

    Aves silvestres são maioria

    A maior parte dos animais capturados nos dois anos foram aves silvestres. Dentre os casos de destaque, em 2019 foram localizadas 44 aves da fauna silvestre, 57 gaiolas e 10 armadilhas destinadas à caça em cinco bairros de Joinville. 

    Já em 2020, no fim de setembro a polícia resgatou animais exóticos em um bairro da zona Leste da cidade. Foram resgatados quatro filhotes de araras-canindé, um filhote de papagaio, duas cobras-do-milho, cinco iguanas, um jabuti e quatro ouriços africanos. Um homem foi preso suspeito pelo comércio ilegal de animais silvestres. 

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    Terceira maior atividade ilegal do mundo

    A divisão especializada da Polícia Civil atua desde o ano passado na repressão a crimes ambientais em Joinville. Conforme o delegado, ela foi criada para apresentar melhor reposta a este tipo de criminalidade, considerada a terceira maior atividade ilegal do mundo. 

    - O crime de tráfico de animais silvestres é um problema extremamente grave e que requer a mais absoluta atenção das autoridades competentes. A atividade está atrás, apenas, do tráfico de armas e drogas - destaca o delegado Larry Rosa. 

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    Larry afirma que o comércio clandestino de animais silvestres gera um fenômeno chamado de “defaunação”.Esse problema consiste na drástica redução de espécies de animais em seu habitat natural. Os efeitos, segundo o delegado, são absolutamente negativos na manutenção dos ecossistemas locais e, de forma indireta, na qualidade de vida da população local.

    - As aves têm uma função ecológica muito importante. Quando você começa, de toda a forma, a retirá-las do habitat natural, as florestas e vegetações nativas não conseguem acompanhar toda a exploração e intervenções humanas realizadas ao longo do tempo. É algo que afeta toda a população - explica. 

    As operações são decorrentes de investigações, além de denúncias anônimas e boletins de ocorrência. Outros crimes envolvendo fauna e flora também são coordenados pela Polícia Civil.  

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